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27 de novembro de 2014

O PRAZEROSO MUNDO DA FAMÍLIA E SEU PORTO SEGURO

Por Flávio Rezende*

                É fato que a valorização das coisas que tem relação com a vida de cada um de nós encontra momentos de pico elevado ou de baixa relevância, de acordo com acontecimentos variados e interesses igualmente múltiplos.
                Quando estamos passando por problemas financeiros, de saúde ou nos sentindo deprimidos, geralmente encontramos na família o melhor porto seguro para jogar nossas âncoras e buscar amparo para suprir essas necessidades.
                Muitos tem a benção de poder contar com irmãos, pais, tios e primos quando a barra fica pesada, enquanto outros, infelizmente, não tem esse maravilhoso oceano amoroso, muitas vezes por culpa própria, já que é comum o alheamento de alguns do seio familiar, buscando guarita neste meio, apenas nos momentos de dificuldade pessoal.
                A obviedade desta introdução termina aqui e, passo a partir deste momento, a compartilhar minha experiência pessoal, no sentido de relatar o meu crescente amor por meus familiares, de uma maneira geral.
                Com nossos pais já chegando a idades avançadas e a necessidade de comunicações constantes para tomada de decisões, vou me aproximando cada vez dos manos, sentindo a cada troca de mensagens pelo WhatsApp um amor brotando e as lembranças da infância retornando, todas permeadas de carinho e com reminiscências maravilhosas de um tempo que lançamos esplendoroso olhar.
                Começo por Júlio, o mais velho, que influenciou meu destino. Lembro dele morando num pequeno apartamento na descida da Ladeira do Sol, sob o de Henfil, curtindo Led Zeppelin, Pink Floyd, Santana, Janis Joplin e me levando para curtir a Redinha, Mãe Luiza e os jogos do ABC, o que fez com que virasse casaca pois torcia pelo América. Até hoje meu gosto musical e minha identificação com o lado mais alternativo da vida, devo a Júlio, sem esquecer a paixão pelo Flamengo, que ele plantou em meu coração.
                Já Leila, tendo ido morar muito jovem em Brasília, guardo a forma sempre carinhosa de tratar todos os assuntos, sua meiguice, uma espécie de mãe, de pessoa confiável e de agradável companhia.
                Fernandinho era o empreendedor de minha infância. Mantinha uma boutique em seu quarto e sempre me tratou como um filho. Temos afinidades espirituais e lembro dele envolvido com o estudo dos extraterrestres, assunto que também me influenciou bastante. É de uma generosidade incrível, estando imediatamente pronto para dar sua colaboração quando necessário.
                Lila era a estudiosa, quieta e, hoje, um vulcão de energia no sentido de curtir a vida. Explora todas as possibilidades de diversão e de alegria, compartilhando largos sorrisos e dando renovado exemplo de maternidade, estando com as crias sempre sob as asas e conduzindo as princesas Marinna e Marianna para os quatro cantos da vida. Temos graciosa amizade, sempre pontuada por risadas e troca de informações.
                Jorge, o mais novo, é um ser que gosto muito. Quando menino era uma pilha, agora mais velho e pai amoroso, é um elogiado profissional da odontologia, travando com ele constantes diálogos sob questões metafísicas e, tendo a oportunidade de tê-lo a meu lado em ações da Casa do Bem, seja como colaborador, seja como eventual voluntário. Gosto muito dele também.
                Esse amor que sinto por todos os meus irmãos, aprofundado, renovado e amplificado cada vez mais, encontra parentesco no mesmo que sinto por minha esposa, filhos e pais. É na família que devemos cultivar os valores humanitários, éticos e religiosos que aprendemos na universidade da vida.
                Lendo com atenção os ensinamentos do educador e mestre espiritual indiano Sathya Sai Baba encontro constantes referências a importância da família para o equilíbrio pessoal e planetário. Sou feliz por ter em todos os quadrantes da minha, o amparo, o carinho, a mão amiga e a palavra amorosa.
                E pela acolhida e companhia constante, agradeço aqui publicamente aos manos, filhos, esposa, pais e demais familiares, toda essa emanação que me fortalece e proporciona as bases para que possa desenvolver dentro do meu ser, o amor necessário para poder fazer parte do mundo, como um ser produtivo e positivo.

 * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


25 de novembro de 2014

A corda e a fé



Esta  é a história de um alpinista que sempre buscava superar mais e mais desafios.

         Um dia o alpinista, depois de muitos anos de preparação, escalar a Anconcágua. Resolveu então escalar sozinho sem nenhum companheiro. Começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde. Ávido de glória., sequer percebia a proximidade da noite. Escureceu, e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha. Não era possível enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada.
            Subindo por uma parede, apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu... Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as manchas que passavam cada vez mais rápidas na escuridão.
            Sentia apenas  um terrível sensação de estar sendo sugado pela força da gravidade. Ele continuava caindo e, nesses angustiantes momentos, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que já haviam vividos em sua vida.
            Derepente ele sentiu um puxão forte que quase partiu pela metade...shack!. Como todo alpinista experimentado, havia cravado  estacas de segurança com grampos a uma corda cumprida que fixou em sua cintura. Nesses momentos de silêncio, suspenso pelo ares na completa escuridão, não sobrou para ele nada além de gritar:
E daí uma voz surgiu:
 - O que você quer de Mim, meu filho?
-  Você acredita que Eu posso te salvar?
 -Eu tenho certeza, disse o alpinista.
-Então corte a corda que tem pendurado, ...
            Houve um momento de silêncio e reflexão. O Alpinista se agarrou mais ainda a corda e pensou que se largasse a corda morreria....
            Conta o pessoal do resgate que no dia seguinte encontraram um alpinista congelado, morto, agarrado com duas mãos a uma corda... a não mais dois metros no chão.
E você...?
Ainda está segurando a  corda?

13 de novembro de 2014

CONHEÇA SEUS DIREITOS

Caros leitores Virou mania nacional a instalação nas vias públicas dos chamados RADARES, também conhecidos vulgarmente como "pardais" ou "lombadas eletrônicas", cujo nome mais adequado é Instrumento de Medição de Velocidade de Operação Autônoma.
Os Autos de Infração de Trânsito lavrados pelos Instrumentos Eletrônicos de Medição de Velocidade de Operação Autônoma são totalmente ilegais, senão vejamos:
Primeiramente porque os instrumentos eletrônicos de medição de velocidade de operação autônoma, não são competentes para lavratura de Auto de Infração de Trânsito.
A competência para lavrar auto de infração de trânsito é exclusiva de servidor civil, estatutário ou celetista, ou, ainda, policial militar, conforme determina o art. 280, Parágrafo 4º do Código Nacional de Transito, in verbis:
"§ 4º - O agente da autoridade de trânsito competente para lavrar o auto de infração poderá ser servidor civil, estatutário ou celetista ou, ainda, policial militar designado pela autoridade de trânsito com jurisdição sobre a via no âmbito de sua competência." (grifamos)
Assim sendo, um equipamento eletrônico não pode lavrar auto de infração porque não é considerado como "agente".
Conforme Novo Dicionário Aurélio da Editora Nova Fronteira, a expressão agente significa "procurador, delegado, administrador", e, é justamente por isso que o Código Nacional de Trânsito, no § 4º do art. 280, define expressamente que será considerado como agente o servidor civil, estatutário ou celetista ou, ainda, policial militar.
Deste modo, considerar os equipamentos eletrônicos como "agentes", a contra-senso, seria chegar ao cúmulo de se atribuir personalidade humana às máquinas.
Tendo em mente que referidos equipamentos de fiscalização não podem ser e não são agentes de trânsito, fica fácil demonstrar a forma ilegal como estão a utiliza-los.
Por exemplo, veja bem, se referidas máquinas não são agentes de trânsito, as mesmas não podem lavrar auto de infração em flagrante porque não possuem competência para tal atividade, mas, também, não podem relatar as ocorrências para que uma autoridade competente venha posteriormente e lavre o auto de infração, tendo em vista que a investidura para esta função pertence exclusivamente também aos "agentes de trânsito", vejamos o que diz o § 3º do art. 280 do Código Nacional de Trânsito:
"§ 3º - Não sendo possível a autuação em flagrante, o agente de trânsito relatará o fato à autoridade no próprio auto de infração, informando os dados a respeito do veículo, além dos constantes nos incisos I, II e III, para o procedimento previsto no artigo seguinte." (grifamos)
Destarte, nem de uma forma (art. 280, § 4º do CNT), nem de outra (§ 3º do art. 280 do CNT) estes equipamentos podem ser utilizados para aplicação de multas aos motoristas.
Falta, por conseguinte, previsão legal para sua utilização como agente de trânsito, o que repita-se: é impossível.
Verifica-se que mesmo com o advento do novo Código Nacional de Trânsito (Lei 9.503/97) nunca houve a regularização destes aparelhos para utilização da forma como vem sendo feita, ou seja, atuando sozinhos e tomando o lugar dos seres humanos.
As multas aplicadas aos motoristas pelos Instrumentos de Medição de Velocidade de Operação Autônoma estão eivadas de ilegalidade, oportunizando aos ofendidos buscarem a proteção do judiciário objetivando evitar o pagamento das penalidades imputadas.
O mérito do Advogado é não fugir da luta, ao contrário, sua satisfação só se alcança com a vitória acerca da dificuldade.

Dr. Carlos Cardoso ,Advogado Causas cíveis ,trabalhistas e criminais.
Rua Desembargador José Gomes da Costa, 1645, Capim Macio – Natal/RN – contato (84) 9994 8435.







4 de novembro de 2014

CONHEÇA SEUS DIREITOS

Caros leitores muito tem se falado na falência das construtoras e incorporadoras pelo Brasil afora, façamos alguns esclarecimentos sobre as controvérsias desse tema.

Primeiro saibamos a diferença entre uma incorporadora e uma construtora. O objetivo da incorporação imobiliária é formalizar junto ao cartório de imóveis como será o empreendimento, qual o número de unidades autônomas, as áreas das mesmas, o número de vagas de garagem, as áreas comuns. Somente a partir desse registro no cartório é que pode-se comercializar os apartamentos, também denominados como unidades autônomas, Assim, o responsável por todo esse processo é denominada de incorporadora ou incorporador.

Já a construtora é a empresa contratada e responsável para executar as obras do projeto incorporado de acordo com as especificações técnicas, o memorial descritivo e o prazo contratual, dentro das normas vigentes prezando pela melhor técnica.
Todos os riscos inerentes à construção são de responsabilidade da construtora como os acidentes do trabalho, o atraso nos pagamentos das medições por parte da incorporadora, execução de atividade fora de norma ou especificação que, no futuro, vai gerar reparos ou retrabalhos, pagamento de impostos sobre a mão-de-obra, responsabilidade técnica, etc.

Passado este entendimento vejamos os passos para aquisição de um imóvel na planta:

Tomada a decisão de concretizar o negócio é preciso ler atentamente o contrato, dando especial atenção aos seguintes pontos:
a) o objeto do contrato deve descrever detalhadamente as características do imóvel e do empreendimento onde está inserido;
b) a cláusula do preço e forma de pagamento deve contemplar corretamente os valores acordados e a forma de cálculo da correção monetária, quando for o caso, incidência de juros, índice e período de aplicabilidade, penalidades a que esteja sujeito o comprador na hipótese de inadimplemento e atraso no pagamento.
Outra cláusula de grande importância é a que estabelece o prazo de entrega das unidades e demais obrigações assumidas pela incorporadora, devendo constar uma multa por atraso na entrega da obra.
Também é interessante constar uma cláusula que, caso ocorrer este atraso deve a Incorporadora suspender imediatamente a continuidade da aplicação da correção monetária sobre o saldo devedor do imóvel, pelo Índice Nacional de Custo da Construção – INCC (esse é o índice que corrige os valores dos contratos de construção de imóveis).

Recomenda-se que o seu contrato seja registrado no cartório de registro de imóveis competente e que sejam guardados todos os materiais de publicidade para que numa eventualidade possam ser usados como prova das promessas anunciadas.

Os problemas mais comuns e o que deve ser levado em consideração na hora de optar pela compra de uma casa ou apartamento cujas obras ainda não foram iniciadas.
Custo da espera pode não compensar a compra
Um imóvel na planta tem uma vantagem clara: o preço. Caso seja bem negociado, pode ser de 20% a 25% mais barato do que o imóvel pronto para morar. 
Desistência do negócio pode dar prejuízo
De acordo com decisão do Superior Tribunal da Justiça (STJ), o consumidor pode receber de volta entre 75% e 90% do valor pago à construtora ou incorporadora caso desista da compra do imóvel durante a obra, informa o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O valor retido serve para cobrir custos administrativos da construtora.
O consumidor deve reunir provas que o levaram a desistir do imóvel para fundamentar os motivos da quebra de contrato. Posteriormente, é necessário elaborar um documento que deve ser assinado pelo comprador e a construtora, definindo as condições para devolução dos valores pagos.
Construtora pode enfrentar problemas durante a obra
Entidades de defesa do consumidor recomendam consultar sites especializados e visitar outros empreendimentos da construtora para verificar sua solidez antes de fechar a compra de um imóvel na planta. 

 

O mérito do Advogado é não fugir da luta, ao contrário, sua satisfação só se alcança com a vitória acerca da dificuldade.
Dr. Carlos Cardoso ,Advogado Causas cíveis ,trabalhistas e criminais.
Rua Desembargador José Gomes da Costa, 1645, Capim Macio – Natal/RN – contato (84) 9994 8435.




Financiamento de campanhas eleitorais e reforma politica

      Homero de O. Costa, prof. do Departamento de Ciências Sociais da UFRN.


                  Entre os dias 2 a 7 de setembro foi realizada a Semana Nacional de Luta pela Reforma Política Democrática, uma iniciativa de mais de 400 entidades da sociedade civil articuladas na Plataforma Nacional dos Movimentos Populares para uma Constituinte Exclusiva para a reforma do sistema político brasileiro. O objetivo da semana foi o de consultar a população para saber se ela é ou não favorável à convocação de um plebiscito para a realização de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do sistema político e ao mesmo tempo, recolher assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma “reforma política democrática”.
                 A iniciativa é louvável porque se depender apenas do Congresso Nacional, não haverá nem plebiscito e muito menos uma reforma política. Por isso, a mobilização da sociedade civil organizada. A Plataforma Nacional dos Movimentos Populares elaborou um conjunto de propostas para uma reforma política e entre as mais importantes estão duas que também tem sido defendida pelas comissões especiais de reforma política do Congresso Nacional desde 1995, sem que sequer sejam votadas em plenário. Trata-se do fim das coligações em eleições proporcionais que, se aprovada significaria o fim das legendas de aluguel, que para aderir às coligações (já que sozinhas não teriam chances eleitorais) negociam, em troca de cargos e benesses, o horário eleitoral de rádio e televisão e, talvez a mais importante,  porque decisivo nas campanhas eleitorais, aprovar o financiamento público de campanhas, proibindo o financiamento privado.
            Se o Congresso Nacional não faz sua parte, a justiça eleitoral (TSE) tem feito e a cada eleição, avança no processo de moralização da eleições, com rigorosa fiscalização do processo eleitoral e através do artigo 36 da resolução 23.406/2014, contribui para a transparência desse processo,  tornando públicas as informações das prestações de contas dos partidos, candidatos e comitês financeiros, com a discriminação dos recursos arrecadados para financiamento de campanhas eleitorais. E nesse sentido, as duas parciais divulgadas a primeira em agosto e a segunda no início de setembro (dia 6) revelam as distorções e desigualdades do processo eleitoral brasileiro no qual o poder econômico, com o financiamento privado de campanhas, é cada vez mais decisivo. As eleições são cada vez mais caras. Segundo dados do TSE relativo às eleições de 2010 os gastos para campanha de um deputado federal foi, em média, R$ 1,1 milhão e para as eleições de outubro de 2014 a projeção é de que sejam em torno  R$ 3,5 milhões (e R$5,6 milhões para senador). Se são tão caras, quem as financiam? Basicamente as grandes empresas (construtoras, em particular) e os bancos. Em 2010, 91% do total arrecadados pelos partidos e candidatos foi de empresas e em 2014, a segunda parcial revela que chega a 95%, no qual apenas três empresas, sendo duas construtoras (OAS e Andrade Gutierrez) e o frigorífico JBS doaram 39% do total arrecadado.  Há, portanto, um seleto grupo de doadores. De 15.733 pessoas físicas e jurídicas que contribuíram com mais de R$ 100 reais na primeira prestação de contas feitas em agosto de 2014, apenas 32 empresas foram responsáveis por 50% do total arrecadado, tendo o frigorífico JBS se destacado como maior doador (qual será o interesse de um frigorífico em financiar campanhas eleitorais?) com R$ 59 milhões, seguida pela construtora OAS.  Na segunda parcial (divulgada no dia 6 de setembro de 2014), conforme levantamento da Transparência Brasil e Estadão Dados, a Construtora OAS, o frigorífico JBS e a Construtora Andrade Gutierrez, juntas, doaram quase R$ 64 milhões para os três principais candidatos a presidente da República. A OAS doou R$ 17 milhões, a Ambev (fabricante de bebidas) R$ 16,7 milhões e a Construtora Queiroz Galvão, R$ 11,3 milhões, além de bancos (Safra, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco – e que doou mais dinheiro para o candidato do PSDB, Aécio Neves – R$ 2 milhões), empresas de telecomunicações como a telemont, hospitais (9 de julho, de São Paulo), planos de saúde (Amil Assistência Médica Internacional S/A que doou R$ 4 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff e Bradesco Vida e Previdência, entre outras), além de construtoras como Norberto Odebrecht, UTC Engenharia S/A (doou  R$ 5 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff e R$ 1 milhão para a de Aécio Neves), MRV Engenharia e participações S/A, entre outras que doaram para candidatos e partidos distintos, que mostra o pragmatismo dos doadores. A OAS é a líder no ranking de doações, com R$ 26,1 milhões repassados nos três primeiros meses de campanha. A principal beneficiária foi a presidenta Dilma Rousseff, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26 milhões (inclui doações da empresa Flora Produtos de Higiene e Limpeza, do grupo JBS) e a Andrade Gutierrez que doou R$ 11,8 milhões. No total, a maior beneficiada foi a presidente Dilma Rousseff que até o momento (segunda parcial) já arrecadou R$ 123,6 milhões (cerca de cinco vezes o valor declarado pelas contas da campanha presidencial do PSB, partido de Marina Silva), ou seja, mais da metade dos cerca de R$ 200 milhões declarados por todos os presidenciáveis nas duas parciais entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em segundo lugar vem Aécio Neves (PSDB), com R$ 44,5 milhões, e em terceiro, Marina Silva cujo partido (PSB) declarou ter arrecadado R$ 24 milhões.
                O que vemos é poder econômico sendo cada vez mais decisivo nas campanhas eleitorais. Pelos dados da segunda parcial, são as grandes empresas e bancos que financiam as campanhas eleitorais e, assim a composição do Congresso Nacional (deputados federais e senadores) a exemplo da atual legislatura, deverá ser eleita, majoritariamente, financiada por eles e através de coligações (uma minoria é eleita com votos próprios) e a possibilidade de uma reforma politica que tenha o financiamento público como um dos objetivos, certamente não será aprovada. Daí a importância de iniciativa como a da Plataforma dos Movimentos Populares pela reforma do sistema político, porque, sem pressão população, não haverá reforma política e as eleições, cada vez mais caras, dependerão de financiamento de empresas, com suas  consequências (danosas)  para a representação política e para o sistema politico brasileiro.
 


30 de outubro de 2014

UM POUCO SOBRE O ATUAL PROCESSO ELEITORAL E AS POSIÇÕES EXTREMADAS


Por Flávio Rezende*

         A complexidade da vida e as muitas nuances requeridas e existentes em todos os assuntos tornam muito complicada a publicitação de posições em determinadas discussões, posto que dentro de um mesmo objeto, são várias as situações, exigindo em alguns casos a concordância por uns ângulos e discordâncias por outros, ficando complicado quando, por exemplo, num processo eleitoral temos que decidir diretamente num só lado.
         Na presente campanha venho passando por este dilema, uma vez que eleitor contumaz do PT, não vejo mais no partido e base aliada, seriedade necessária para condução do País e, sem essa salutar confiança, jogo olhar carinhoso na proposta de Marina Silva, identificando nela os mesmos elementos que me levaram ao voto no petismo, ficando porém com alma partida, visto que gosto de muitos projetos existentes e torço pela continuidade dos mesmos.
         Essa dúvida existencial entre a confiança numa nova turma e a desilusão com a antiga eu tenho exposto em posts no facebook, levando minha página a fóruns permanentes de discussões muito interessantes, onde pululam personagens que amam e que odeiam o PT, exibindo argumentos sólidos e pífios, e deixando claro para os meros observadores, o processo de radicalização que estamos consolidando aos poucos, o que é deveras grave e preocupante, me fazendo crê que estamos caminhando lentamente para situações iguais as vivenciadas na Venezuela recentemente.
         A mera testemunha das discussões políticas percebe claramente que as posições estão postas. Os petistas cegos e apaixonados pelo partido, não identificam problemas no oceano de corrupção reinante e na nomeação de pessoas desqualificadas para altos cargos federais, num caso gravíssimo de formatação do atraso da máquina pública, comprometida que fica em apenas manter o poder com quem já o detém e achando desnecessário gerir com seriedade e zelo os bens públicos, que passam a ser patrimônio de um partido e dos seus adeptos.
         Por outro lado os radicais que odeiam o PT querem a todo custo apear do poder a turma ali instalada, apelando para palavrões e baixarias, tornando o processo eleitoral muito deprimente e enojando as pessoas de bem com postagens e colocações muito deselegantes, inclusive com a presidente, que pode ter lá seus defeitos, mas queira ou não queira alguns, ainda é o poste que tenta iluminar a pátria e solucionar suas mazelas, merecendo por isso todo o respeito dos que aqui residem.
         É uma pena que não estejamos conseguindo produzir reformas que mudem o cenário eleitoral, tributário, político e que continuemos avançando para um cenário de confronto entre as pessoas e de aniquilamento do processo democrático, justamente por aqueles que tanto se dizem democratas.
         A regulação da mídia, o aparelhamento do Estado por pessoas meramente partidárias, a ameaça de colocar permanentemente nas ruas os movimentos sociais em caso de derrota e o uso sistemático de marqueteiros para desconstruir a imagem de pessoas de bem, torna o PT e a base aliada um sério candidato a vencer uma eleição lamentavelmente encaminhada: a entronização do totalitarismo dito de esquerda, que na minha opinião é a ditadura das benesses, uma vez que os que chegaram ao poder, estão mais satisfeitos com os bônus da vida capitalista, que os méritos de uma governabilidade séria e necessariamente justa e humanitária.
         Creio que o que se anuncia santo e popular, seja no fundo um grande engodo e que mais maracutaias, já tão aceitas e comuns no seio da seita instalada, virem regra no submundo dos acordos ainda por vir.
         Lutemos para que a imprensa permaneça como está, pois ela regulada como eles desejam, a vaca pega o caminho do brejo e eu certamente devo passar uns dias vendo o sol nascer quadrado.
ps – respeito argumentos em contrário. O posto é o que penso.


·        É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

24 de outubro de 2014

Conto: Loja de CD



           Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tem cura.  Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento.  Sempre viveu na casa  de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.
            Um dia  decidiu sair sozinho e caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines. Ao passar por uma loja de discos, notou  a presença de uma garota, mais ou menos de sua idade,  que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor a primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada.
            Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava. Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudar em alguma coisa.  Era o sorriso mais lindo que ele já tinha visto e a emoção foi tão forte que mal ele conseguiu dizer que queria  comprar um CD.
             Pegou o primeiro que encontrou na sua frente, sem olhar de quem era  e disse:  “É esse aqui”.  Quer que  embrulhe pra presente? , perguntou a garota, sorrindo cada vez mais.  Ele balançou a cabeça pra dizer que sim  e disse:  “ É pra mim mesmo, mas gostaria que você embrulhasse”.  Ele saiu do balcão e depois voltou com o CD muito bem embrulhado.
            Ele pegou o pacote e saiu louco de vontade de ficar por ali admirando aquela figura divina.   Daquele dia em diante todas as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer.  Todas às vezes a garota deixava o balcão e voltava com o embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava em sua gaveta sem siquer abri.
            Ele estava apaixonado e tinha medo da reação dela e assim por mais que ela sempre recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar.  Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair. Um dia ele encheu de coragem e foi para a loja.
            Como todos os dias,  comprou um CD e como sempre ela foi embrulhá-lo. Quando não estava vendo escondeu um papel com o seu nome e telefone deixou no balcão e saiu da loja correndo.  Alguns dias depois o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe desconsolada nem perguntou quem era e disse “Então, você não sabe, faleceu ontem? ”
            Passado alguns dias mais, a mãe entrou no quarto do filho para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com quantidade de CD todos embrulhados e guardados em sua gaveta. Ficou curiosa e  decidiu abri um deles.  Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito “Você é muito simpático, não quer me convidar pra sair? Eu adoraria.”.
             Emocionada a mãe abriu outro CD e caiu um papel que diz o mesmo, e assim todos que ela abria traziam a mesma mensagem de carinho e de esperança de conhecer aquele rapaz
Assim é  a vida:
  Nunca espere demais  pra dizer alguém especial aquilo que você sente.
Ainda dá tempo....
( Autor desconhecido)

NERUDA: “QUEM MORRE”?

Valério Mesquita*

Recebi da advogada conterrânea Euda Fernandes, com escritório no Rio de Janeiro, um belo texto de Pablo Neruda que me fez refletir, mais do que já faço, sobre a vida. Disse o grande poeta chileno que “morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música ou quem não encontra graça em si mesmo”.  E prossegue: “morre lentamente quem evita uma paixão, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos ou quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos”. Neruda é sábio no aconselhamento. São famosas e universais  as suas cartas e as perguntas que um dia, aqui na província, outro poeta, Diógenes da Cunha Lima, ousou responder em livro com cem respostas às cem indagações do mestre de “Canto Geral” e “Odes Elementares”.

Poeta do social e revolucionário, Neruda sempre instigou quem o lê a interpretá-lo ou recriar as suas vibrações líricas e reflexões existenciais, sem jamais perder a atualidade sentimental de um mundo que se renova e se transforma. Daí poder dizer com o poeta, sem qualquer despautério à sua criação intelectual, que também morre lentamente quem deixa a vida pra depois ou ingressa em holocausto na carbonária política partidária do Rio Grande do Norte; morre lentamente quem acreditar que existe uma proposta cultural em favor do escritor ou artista potiguar; morre lentamente quem somente vive do salário mínimo ou depende do SUS ou da rede pública hospitalar para sobreviver; morre lentamente quem é correntista da rede bancária brasileira, submetido aos cartões de crédito e traumas das taxas e juros extorsivos dos empréstimos; morre lentamente quem adotou como profissão a atividade de produtor rural nesse país, sem crédito, sem segurança e sem nenhum incentivo oficial além das ameaças constantes do MST; morre lentamente quem se julga beneficiado pela enganosa qualidade do ensino universitário hoje praticada no Brasil; morre lentamente quem for na onda da eficiência da segurança pública, caso já não tenha sido ceifado de vez; morre lentamente quem for pensar que o Brasil não é um país de maiorias corruptas, praticante da lei da vantagem; morre lentamente quem crê na recuperação da moral do Congresso Nacional; morre lentamente quem apostar na conclusão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante e na transposição das águas do Rio São Francisco; morre lentamente quem rezar na cartilha do uso honesto dos recursos do novo estádio de futebol para a copa do mundo de 2014, no Rio Grande do Norte; e, por fim, com o perdão do poeta Pablo Neruda, morrem lentamente, as candidaturas dos que fizeram muito barulho para nada, dos que sonharam ou se iludiram com a mais difícil e cada vez mais enganosa atividade pública: a política. Com a sua permissão poeta, eu concluo à romana: saúdo aqueles que vão despencar dia três, quando outubro chegar.

(*) Escritor.


9 de setembro de 2014

O BÁLSAMO CULTURAL ALIVIANDO NOSSA PASSAGEM TERRENA

Por Flávio Rezende*

         Toda viagem agrega uma série de acontecimentos. As mais comuns, que carregam nosso ser em deslocamentos curtos e locais, exigem apenas pequenas providências e, muitas delas, são realizadas praticamente no piloto automático, uma vez que ficamos tão condicionados aos roteiros repetidamente utilizados, que os seguimos sem nem mesmo pensar a respeito das curvas e sinalizações existentes.

         As viagens mais longas exigem atenção mais apurada, posto que nos remetendo ao novo, pedem um olhar mais atento, uma mala que substitui o guarda-roupa e vigilância para evitar que os malfeitores se interponham em nosso roteiro, transformando o bem bom num baixo astral daqueles.

         Tenho viajado bastante, colocando em prática real aquela música dos Novos Baianos que em bela letra revela, “vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto e passo aos olhos nus, ou vestidos de lunetas, passado, presente, participo sendo o mistério do planeta...”.

         Num desses deslocamentos, nem tão automático e nem tanto vigilante, fui bater na bela praia da Pipa, pertinho de Natal, recanto que albergou parte de minha juventude, onde maconha, surf, comida enlatada, água de coco e cerveja gelada, eram tão presentes quanto o sol e as moças bonitas, numa mistura emoldurada por rock progressivo e MPB e que deixou até hoje, boas recordações de um tempo muito interessante e bem curtido.

         Neste deslocamento pude presenciar e participar graças à bondade da amiga Yanna Medeiros, do Festival Literário da Pipa, conhecido como Flipipa. Foi puro encantamento. O desfrute da pousada Bicho Preguiça com Deinha e Mel, o banho de mar, o passeio pela rua principal e, o êxtase de ouvir palestrantes, bebendo cultura e me alimentando de conversas paralelas de teor literário, reavivaram em meu ser, o grande e fantástico prazer das coisas culturais, dando novo ânimo a minha vida e imantando potente satisfação a meu viver.

         Ouvir pessoas interessantes, falando de coisas legais, sorrir internamente em prazeroso gozo de absorção de saberes, é uma coisa extraordinária, mostrando mais uma vez para este escrevinhador, o quanto é importante e necessário este processo nutricional de alimentação cultural, tão salutar quanto as demais formas de sobrevivência, tais como respirar e comer, uma vez que um ser sem o usufruto da informação que edifica, é um ser sem essência, ficando faltando algo, como se sem alma passasse por sua existência material.

         A praia da Pipa vai nos brindar novamente com esse tipo de alimentação, agora na incrível área da música, aquele setor onde essa nutrição essencial adquire igual potência. Lá vai ocorrer, de 21 a 24 deste mês de agosto, o Fest Bossa & Jazz, tão bem organizado pela amiga Juçara Figueiredo, que promete colocar no palco gente muito boa do jazz como Street Band, Ricardo Silveira Quarteto, Mark Rapp Quartet, Rogério Pitomba, Nuno Mindelis, Camila Masiso, Marcos Valle, Roberto Menescal, Glen David Andrews Band, Sambossamba & Blues, Jaques Morelenbaum & Cello Samba Trio e o Eric Gales.

         Gente da qualidade de Dácio Galvão, Juçara Figueiredo, Yanna Medeiros e outros produtores e fomentadores culturais da cidade como Marcelo Veni, Diana Fontes, Zé Dias, Gustavo Wanderley, Zelma Furtado, Toinho Silveira, Candinha Bezerra, Jomardo Jomas, Daniel Rezende, Margot Ferreira, Claudia Soares, Alexandre Dunga, Jorge Elali, Abmael Silva, Carito Cavalcanti, Rodrigo Cruz, Alexandre Barros, William Collier, Ivonete Albano, Buca Dantas, Daliana Cascudo, Civone Medeiros, Laumir Barreto, Carlos Fialho, Marcílio Amorim, Cinthya Lopes, Yuno Silva, João Hélio, Fernando Mineiro, Hugo Manso, Neiwaldo Guedes, Franklin Jorge, Conrado Carlos, Marcos Sá de Paula, Marília Sá, Chico Guedes, Véscio Lisboa, Rejane Souza, Nalva Melo e Jeane Bezerril, entre tantos outros que me anistiem pela falta de memória momentânea, além de entidades culturais, deveriam ser reverenciados, uma vez que fornecedores de alimentação da melhor qualidade para nossas vidas tornam as passagens por estas paragens mais interessantes e agregam valor de alto nível ao nosso existir terreno.

         Quando escolhemos um destino para jogar nossos corpos, se nele estiver inserido o item cultura, pode colocar no automático e relaxar quanto à segurança, certamente você vai levitar e no fim achar, que valeu a pena ter estado ali para viajar numa fina estampa de alto valor espiritual, carnal e emocional.


* É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (
escritorflaviorezende@gmail.com)

5 de setembro de 2014

As duas jóias

       Narra antiga lenda árabe, que um rabino, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família, esposa admirável e dois filhos queridos.         Certa vez, o rabino empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias. Durante sua ausência, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. A mãe sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, sustentada pela fé e confiança em Deus, suportou o choque com bravura.
         Mas uma preocupação lhe vinha a mente: como dar ao esposo a triste noticia?. Sabendo-o portador de cardiopatia grave, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxilio para refazer a difícil questão. Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar.
       Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos... Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse seu banho, e logo depois ela falaria dos moços. Alguns minutos depois estavam ambos sentados a mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.
A esposa numa atitude tanto embaraçada respondeu ao marido:
         Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave. O marido, já um pouco preocupado perguntou:
O que aconteceu? Notei você abatida! Fale!
Resolveremos juntos, com ajuda de Deus.
-         Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas!. Jamais vi algo tão belo!. O problema é esse. Ele vem busca-las e eu não estou disposta a devolve-las, pois jamais afeiçoei a elas. O que você me diz?
-         - Ora mulher. Não estou entendo o seu comportamento. Você nunca cultivou vaidades!... por que isso agora?
-         É que nunca havia visto jóias assim! Tão maravilhosa!
-         Podem até ser mais não te pertencem. Terá que devolvê-las.
-         Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!
E o rabino respondeu com firmeza; ninguém perde o que não possui. Retê-las, equivaleria a roubo!
-         Vamos devolvê-las, eu ajudarei. Faremos isso juntos,  hoje mesmo.
-          Pois bem querido seja feito a tua vontade.  O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito As jóias preciosas eram nossos filhos.
-         Deus os confiou a nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram.
-         O rabino compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.

-          Do livro “ Quem tem medo da morte “ – Richard Simonnet

1 de setembro de 2014

CONHEÇA SEUS DIREITOS

Caros leitores transcrevo um artigo que a meu ver deveria ser analisado com um olhar mais atento antes do nosso voto:

O nó cego dos acordos políticos, escrito por Eduardo Tessler que é jornalista e consultor de empresas de comunicação.

“Os partidos políticos existem para defender uma posição, uma ideia.
Exibem nomes pomposos, às vezes propaganda-enganosa. Popular, social e democrático todos dizem ser. Há o popular sem povo, o social tirano e o democrático autoritário, mas isso é outra história.Na sopa de letrinhas das siglas sobra construção de acordos estranhos, seja na pronúncia de seus nomes, como na lógica política dos acertos.
O segundo turno foi criado para que pudesse haver um debate de ideias e propostas no primeiro turno. Algo aberto, para que duas tendências chegassem à disputa de cabeça-contra-cabeça, e aí sim os demais partidos assumindo o apoio a um ou a outro.
Mas hoje não é assim que funciona.
Há algo mais estranho do que o ex-presidente José Sarney – e seu PMDB – apoiar Dilma Rousseff do PT? Há 21 anos, na corrida ao Planalto vencida pelo pelo caçador-cassado Fernando Collor, Ulysses Guimarães e Luiz Inácio Lula da Silva representavam esses mesmos dois partidos. O posicionamento político de ambos era muito mais próximo do que Sarney e Dilma. Mas cada um defendeu seu ideal, nada de acordos em primeiro turno.
Havia uma defesa de ideais, uma originalidade em cada sigla. Hoje há uma defesa de cargos, um interesse alheio em cada sigla.
Os partidos negociam cargos e vantagens com uma cara-de-pau inédita. As alianças não se dão mais em torno de um objetivo. Não se vê mais a união de PZZ com PXX pelo desenvolvimento da educação no país. Ou PY com PK para acabar com o caos da saúde pública. Não, nada disso. Os acordos são em benefício de quem faz o acordo. E o eleitor ainda precisa escolher entre aqueles que se apresentam e pedem votos. Afinal, o voto é obrigatório no Brasil.
Acabou-se a originalidade política no Brasil.
O colecionador de processos e ex-governador do Rio Anthony Garotinho tentou unir o país em torno de um objetivo: garantir um salário-mínimo equivalente a US$ 100. Hoje o salário está em torno de US$ 300.
Agora tudo gira em torno das vantagens para o partido e seus colaboradores. E, para disfarçar, aparece uma palavra mágica: governabilidade. Em troca dos votos da Câmara e do Senado qualquer pecado tem perdão.
Os partidos estão enroscados em alianças sem fundamento político.O cúmulo da incoerência no momento é o PP, partido de Paulo Maluf e de Severino Cavalcanti, que apoia Dilma.
Como? Para não parecer tão esdrúxulo, o presidente do PP, Francisco Dornelles, diz que não há garantia de um “apoio amplo”, mesmo que 20 dos 27 diretórios estaduais queiram Dilma. Dilma condena tudo o que o PP defende. É a união do Zorro com o Sargento Garcia, sustentando o insustentável.
Fica difícil dar aval a acordos tão forjados como esse. Mas no troca-troca de favores e cargos, vale tudo.
Alguém, por favor, desate o nó cego e apresente uma idéia original, que apenas pretenda fazer o bem do país”.
O mérito do Advogado é não fugir da luta, ao contrário, sua satisfação só se alcança com a vitória acerca da dificuldade.
Dr. Carlos Cardoso ,Advogado Causas cíveis ,trabalhistas e criminais.
Rua Desembargador José Gomes da Costa, 1645, Capim Macio – Natal/RN – contato (84) 9994 8435.






21 de agosto de 2014

Estrela da noite

Era uma noite comum
Nada anormal ocorreria,
Seria apenas um evento
Sem mistérios ou esperança

Contudo, o destino mudou,
A coragem nasceu,
Um passo à frente.

Anomalia da vida
Bela e magnífica,
Um sorriso sincero
Alegra meu dia.

Dia seguinte,
Sonho acordado
Com o dia que passou

Sempre há um evento
Que marca o início
Do novo calendário.

Aquele foi o dia um
Do ano zero,
Em que lhe conheci.

*Felipe de Oliveira


Devaneio

Em um tempo que não passa
Só o que resta é uma doce alucinação,
Do que existe lá fora,
De nossos desejos, sonhos e objetivos...

Uma praia de água cristalina
Refrescando-se pelo suco de um coco
Uma leve brisa joga o calor embora,
Uma refrescante visão de um distante coqueiro.

Uma casa a qual chame de lar
Segura e feliz, sem perigo e com amor,
Onde posso me divertir com amigos,
Um breve sonho de quando fecho os olhos.

Não há para onde fugir,
Mas não é de todo ruim
Ainda há algo a se apreciar
Mesmo que seja fora por uma janela.

*Felipe de Oliveira


Caminho da vida

Na paixão o amor gera vida
Como centelha a acender uma estrela,
Uma maravilha a brilhar pela eternidade.

Então começa a viver,
Desafios, batalhas, vitórias e derrotas,
Engatinhar, andar, correr, saltar e escalar,
Seguir aquela pequena chama dentro de nós.

No próximo passo, o crescimento,
A visão de nossos sonhos e o horizonte,
A emoção e a veemência em nossos corações
De que iremos de frente ao futuro e além,
Vamos nos colocar perante o pedestal da vida.

Nossa chama nunca se apagará
Nossos sonhos virarão nossa realidade
Nenhuma derrota será capaz de impedir
Não haverá vitória para definir o fim,
Os olhos estarão sempre abertos

E o futuro, sempre ao alcance de nosso presente.

*Felipe de Oliveira

14 de agosto de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE O FIM DA CASA DO BEM E NOVOS RUMOS NO ATIVISMO SOCIAL

Por Flávio Rezende*

            Peço licença a meus leitores para tecer algumas considerações e explicar algumas decisões que andei tomando nos últimos dias.
            Já é do conhecimento público que em meados de novembro/dezembro a Casa do Bem encerrará suas atividades humanitárias e, os trabalhos sociais conquistados e executados com muito amor, devem continuar sob a égide do Conselho Comunitário de Mãe Luiza e Aparecida.
            Para chegar a este momento vamos retroceder ao tempo de minha juventude, fim dos anos 70, totalidade dos 80 e começo dos 90. Neste tempo não havia entre os jovens envolvimentos mais relevantes relacionados a ajudas ao semelhante, questão dos animais e do meio ambiente e, circulávamos entre festinhas diversas, romances, futebol e muito pouco nos relacionávamos com política.
            Apesar de tudo isso, desde cedo, gostava de ajudar as pessoas que batiam na porta lá de casa e, fazia amizades com carentes, causando até comentários e algumas pequenas complicações, já contornadas e que viraram história.
            O tempo passou, comecei a trabalhar muito jovem, me meti em diversas atividades e fui juntando dinheiro até que decidi comprar um terreno e levantar minha casa. Num episódio que por si só merece um artigo inteiro, decidi comprar este terreno em Mãe Luiza, causando espanto na família e entre amigos.
            Apesar de tudo levantei o lar e morando lá comecei a caminhar pela comunidade, conhecendo pessoas e seus problemas e, fui ajudando uma família aqui, melhorando um banheiro ali, levando para hospitais pois não tinha Samu, para ter filhos, até que depois de muitas ajudas pontuais, comecei a ajudar projetos já existentes e, em minha própria casa, fiz uma escola de balé, a piscina era coletiva, fundamos uma escolinha de futebol e as coisas foram aumentando, aumentando e, quando percebi, minha casa era a própria Casa do Bem de tantas coisas que já aconteciam lá.
            Aconselhado pelo amigo Paulo Campos decidi comprar uma casa e deslocar para a mesma todo o movimento que já ocorria naturalmente na minha, onde chegava a receber diariamente mais de 20 pessoas com problemas pessoais, de emprego, saúde e onde buscava com meus próprios recursos e conhecimentos, minorar aflições e conseguir colocações no mercado de trabalho, entre diversas outras ações do bem.
            Diante da necessidade de ter um novo espaço, fui igualmente aconselhado a abrir uma ONG para receber recursos para a compra desta casa. Assim foi fundada em agosto de 2005 a Casa do Bem. A luta para comprar a casa foi radicalmente mudada quando o empresário Ricardo Barros doou um terreno, vizinho onde morava e, através da Lei Câmara Cascudo, obtive apoio da Petrobras e da Cosern e construímos a sede própria da Casa do Bem, inaugurada em julho de 2010.
            De lá para cá os voluntários foram chegando e as ações acontecendo, nunca havendo interrupção e a Casa do Bem funcionando, prestando relevantes serviços, contando para seu funcionamento com depósitos financeiros de pessoas físicas e de empresas, mas sempre com somatório apertado para as reais necessidades que se apresentavam a cada dia.
            A dificuldade foi amenizada com assinatura de um convênio na administração de Micarla de Sousa, que possibilitava o pagamento de despesas básicas, livrando um pouco a conta principal do total dos gastos.
            O convênio foi renovado através de Carlos Eduardo, mas, ano passado, uma greve no órgão que analisa as prestações de contas do município atrasou tudo no meio do ano e a Casa do Bem e outras entidades ficaram sem o benefício do convênio o resto do ano.
            Depois de reuniões onde as decisões do setor jurídico iam mudando, decidimos esquecer 2013 e renovar para 2014, mas, infelizmente, chegamos em julho e o convênio não foi assinado.
            Sem o convênio a Casa do Bem foi entrando na conta normal e a fragilizando ao ponto de ter que realizar, praticamente todos os dias, campanhas através das mídias sociais e de outras formas, não obtendo êxito, com poucas pessoas depositando algo e na maioria das vezes, depósitos apenas naquele momento em que demonstrava desespero pela situação.
            Esse apertado existir financeiro, aliado as muitas decisões que tenho que tomar diariamente, relatórios a preencher de conselhos diversos, pegar pessoalmente doações em lugares distantes, enfim, muitas e muitas atividades, solicitações diversas de mil coisas para os projetos, literalmente me fragilizaram e me levaram a decisão de extinguir a Casa do Bem e continuar meu trabalho social sem o peso de dirigir uma ONG com tantas necessidades e apoio financeiro insuficiente.
            Não critico ninguém pelo ocorrido, podia ter tido a competência de tornar a Casa do Bem viável através de editais e outros convênios, mas confesso que tentei de tudo que se possa imaginar, mas não aconteceu comigo. O Cidadão Nota 10, antes uma esperança das ONGs praticamente não funciona, os convênios são difíceis de conseguir e de operar, uma vez que a legislação trata igualmente coisas de centavos e de bilhões e os editais nunca conseguimos material humano para nos inscrever a tempo em suas nuances burocráticas.
Só as pessoas próximas sabem o tempo que dediquei a muitas coisas, o dinheiro próprio que gastei no início e durante todo este tempo, atendendo com recursos meus inúmeros pedidos que a Casa do Bem não deveria se meter, além de ter que aguentar com resignação confissões de amigos dizendo que algumas pessoas acham que desviava recursos para viajar, como se eu não tivesse condições de fazer tudo que faço com meus próprios rendimentos, posto que sou funcionário de nível superior da UFRN, concursado, com especialização em Ciências da Religião e mestrado em  andamento em Estudos da Mídia, com passagens por televisões, jornais, incursões no comércio e na construção civil, com vários apartamentos populares construídos, torre de telefonia num terreno meu, enfim ganho mais que deputados, vereadores, só não consigo ter o padrão de vida que muitos tem e nem apresentar na declaração anual do Imposto do Renda os bens que os mesmos usufruem e a incrível e ascendente curva patrimonial.
Apesar de me considerar muito bem sucedido financeiramente meu carro é um Sandero, o de minha esposa um Clio, moro num apto de 52 metros quadrados e minha esposa numa casa herdada da mãe. Nossos filhos estudam em colégios simples, um inclusive com bolsa e, quando viajamos, buscamos sempre os pacotes ofertados pelos sites de busca e nos hospedamos na casa de amigos e parentes ou em hotéis de classificação mediana.    
Encerro então um ciclo de ativismo social como dirigente de ONG de maneira honesta, com toda a contabilidade da Casa do Bem exposta no link – prestação de contas, no site www.casadobem.org.br, acreditando ter feito um monte de bondades, nunca pedindo um voto sequer a seu ninguém, não colocando o fator religioso na ordem do dia e nem permitindo remuneração para nenhum dirigente da entidade.
Os trabalhos sociais vão continuar com o Conselho Comunitário, estarei por perto ajudando, devo permanecer junto com amigos com a Escolinha de Futebol que permanecerá com o nome Casa do Bem, mas sem o peso de uma entidade devidamente regularizada, vou levar a escolinha como antes, informalmente.
Todos que ajudam a Casa do Bem podem continuar até dezembro e caso desejem, repassarei contatos e conta do Conselho Comunitário para continuidade dos projetos desenvolvidos, quanto a escolinha vou buscar apoios para tocar o barco com 250 jovens em várias categorias.
Gratidão aos que estão ajudando e aos que elogiam e dizem coisas bonitas. Gratidão principalmente aos valorosos e queridos voluntários que tornaram tudo possível e que devem continuar fazendo o bem sem olhar a quem. Sem eles nada seria possível e fui apenas o mentor e o buscador de apoios, eles é que dão as aulas, cuidam do cotidiano e suam de maneira heroica e verdadeira.
 Quaisquer dúvidas passem e-mail para escritorflaviorezende@gmail.com, meu envolvimento com o ativismo social apenas chega a uma nova fase, continuo com boa vontade para ajudar, só adequarei o fardo a minha capacidade de suportar o peso, vamos que vamos, luz e paz.

·         É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


12 de agosto de 2014

Prece de Cáritas

Psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873 pela médium Madame W. Krill, num círculo espírita de Bordeux, França.

Prece de Cáritas

Deus nosso pai, vós que sois poder e bondade
Daí a força áquele que passa pela aprovação
Daí a luz áquele que procura a verdade
Ponde no coração do homem a compaixão e caridade.
DEUS
Daí ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade,
 a criança o guia ao órfão o pai.
SENHOR
Que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criaste.
Piedade Senhor para aqueles que não vos conhecem.
A esperança para aqueles que sofrem
Que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores
derramem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.
DEUS
Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra
Deixar-nos beber nas fontes esta bondade fecunda e infinita
e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão.
uma só oração, um só pensamento subirá até vós.
Como Moisés sobre a montanha nos lhe esperamos
com os braços abertos.
Oh bondade!
Oh Beleza!
Oh perfeição!
e queremos de alguma sorte alcançar vossa misericórdia.
DEUS,
Daí-nos força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós
Daí nos  a caridade pura.
Daí-nos a fé e a razão.
Daí-nos a simplicidade, que fará de nossas almas...

um espelho onde se refletirá a vossa santa misericordiosa imagem