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7 de agosto de 2019

Município de Nísia Floresta


         

                                                                              Nísia Floresta - Foto: divulgação

Edson Benigno

       O município de Nísia Floresta enche de orgulho os seus moradores pela sua história e ao mesmo tempo pelo belíssimo resgate cultural que possui. Está localizado na Região Litoral Agreste do Estado, a 43 quilômetros da capital, onde residem cerca de 23 mil pessoas. Situado também no Pólo Costa das Dunas que ainda compõem as praias de Búzios, Pirangi do Sul, Barra de Tabatinga, Barreta e Camurupim e as Lagoas Boágua, Carnaúba, Carcará, Redonda, Bomfim e Ferreira, que fazem parte do cenário turístico do RN.
        A municipalidade e sua vizinhança possuem verdadeiros tesouros como a vegetação exuberante, numerosos lagos, população acolhedora e alimentação suculenta. Várias atrações como o “baobá”, uma árvore natural do continente africano e que virou um dos ícones de Nísia Floresta, mundialmente conhecido pelo livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Saint Exupéry. Ela possui 19 metros de altura, plantada em 1877 por Manuel de Moura Júnior e tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, no ano de 1965.
        A gastronomia da cidade oferece o famoso camarão da região, prato predileto na culinária potiguar. No local, existem vários restaurantes especializados em servir Camarão, fruto da pesca, que sempre foi farta dentro das suas lagoas e nas terras de boa qualidade para o plantio de várias lavouras. Essa riqueza natural serviu de impulso para o progresso econômico do povoado, que até os dias atuais se mantém baseado na agricultura, na pecuária, na pesca e na força turística de seu litoral.
         O artesanato também faz parte da economia da região.  Na comunidade de Campo de Santana, localizada no município, há um grupo de mulheres que se dedica à técnica do labirinto, um mestiço entre o bordado e a renda, trazida pelos colonizadores portugueses e difundida pelo Nordeste brasileiro. São mercadorias que decoram toalhas de banquete, panos de bandeja, centros de mesa, palas de blusas e vestidos, entre outros usos.
            Em Alcaçuz, no mesmo município, é uma das únicas comunidades do Rio Grande do Norte que preservam a técnica da renda de bilros ou renda de almofada. Utilizada no vestuário e em peças de guarnição da casa, a qualidade e a beleza dos padrões da renda potiguar fizeram com que, nas décadas de 1970 e 1980, essa produção tivesse grande aceitação no mercado consumidor. Esses produtos são vendidos atualmente tanto nas feiras municipais como na própria localidade pelas mulheres rendeiras.
          Possui ainda o Mausoléu de Nísia, onde estão depositados os restos mortais da escritora Nísia Floresta. A cidade conta com uma bela estação de trem de estilo neoclássico, convertida em restaurante: "Estação Ferroviária de Papary". Ela foi construída pelos ingleses em 1881 e considerada Patrimônio histórico nacional em 1984.  O povoado começou com o nome de Vila de Papary, mas pelo Decreto-lei, em de 23 de dezembro de 1948, foi mudado para outra denominação em homenagem à sua mais ilustre filha, a escritora Nísia Floresta, que tinha como nome de batismo, Dionísia Gonçalves Pinto.
          A literatura do Rio Grande do Norte passou a ter maior destaque devido a ela, que nasceu em Papary, mais precisamente no Sítio Floresta em 1810. Filha de uma das mais importantes famílias da região, Dionísia Gonçalves Pinto, entrou para história como uma escritora que teve coragem de pensar e defender suas idéias, consideradas revolucionárias pela sociedade conservadora da época. Ela entrou para o mundo literário com um pseudônimo que se tornou internacionalmente conhecido, o de Nísia Floresta Brasileira Augusta.
         A escritora do pequeno vilarejo de Papary tornou-se famosa, sendo admirada por muitos e questionada por outros tantos. Era tida como extraordinária, notável, ao mesmo tempo em que era considerada mestiça e indecorosa. Ela após residir em diversos Estados brasileiros, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mudou-se para a Europa onde passou o resto de sua vida. Morreu em 1885, em Rouen, no interior da França. No Rio de janeiro, quando morou lá,  a dirigia um colégio para moças e escrevia livros para defender os direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.
            Nísia Floresta foi uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos em jornais da chamada grande imprensa, com questões polemicas da época. Alguns de seus livros estão sendo reeditados e suas idéias voltam para nos lembrar um pouco da sofrida história das mulheres pelo reconhecimento de seus direitos e de sua capacidade intelectual.  A esta mulher o povo brasileiro deve as primeiras e mais importantes páginas dessa luta, pela coragem revelada em seus escritos e  pelo ineditismo e ousadia de suas idéias.
           
História da cidade

            Os primeiros habitantes da região de Papary, conhecida desde 1607, foram os índios Tupis. O Nome Papary originou-se de uma lagoa de pesca abundante, existente no território, ao lado das lagoas Guaraíras e Papeba.
Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome do lugar  modificou para o Papary, com o qual foram denominadas a Lagoa e a Vila.
Só através de um Decreto-lei, em 1948, que se transformou no município de Nísia Floresta.
            Além das atividades agropecuárias tradicionais na região e do turismo, destaca-se na economia do município de Nísia Floresta o   crescimento da carcinocultura (cultivo de camarões), por tal motivo que ganhou o apelido de "a terra do camarão”. Na cidade se localiza, também,  Barra de Tabatinga, que ao entardecer é comum que a praia seja visitada por golfinhos nas proximidades do “Mirante dos Golfinhos”.

21 de fevereiro de 2019

Bloco Bode Expiatório fará sua última prévia carnavalesca








Neste sábado, dia 23, o Bloco Bode Expiatório realiza sua 3ª prévia e última para o Carnaval 2019.
A folia vai ocorrer no Bar de Zé Reeira, na Cidade Alta, reduto tradicional da boêmia e cultura potiguar. Concentração a partir das 16 horas, com a Orquestra de Frevo Banda do Negão, que tem o comando do maestro Willame Medeiros.
A partir das 18h a animação ficará por conta da talentosa cantora Laryssa Costa e Banda com participação especial do cantor Júnior Santhos, que prometem não deixar ninguém ficar parado com um repertório de muito frevo, marchinhas carnavalescas e axé.
Carnaval
A saída oficial do Bloco Bode Expiatório é na sexta-feira de carnaval, dia 1º de março, abrindo a festa em 2019 no Polo Ponta Negra. A concentração é ao lado do Praia Shopping, a partir das 17h, com atração musical. Às 20h começa o percurso pelo corredor da folia, com orquestra de frevo finalizando na Praça Ecológica de Ponta Negra.
É possível adquiri a camiseta do Bloco Bode Expiatório com os organizadores. Informações: 99937-0440 (Henrique) ou
 (84) 99980-3072 (Jaime)

Quem: Bloco Bode Expiatório
O quê: Prévia de carnaval
Onde: Bar do Zé Reeira
Quando: Sábado, 23 de fevereiro
Horário: 16h ás 22h



13 de novembro de 2018

ADEN promove corrida no Bairro




Agência Para o Desenvolvimento de Natal - ADEN, que tem como Diretor Geral José Wili Faustino da Silva, promove no dia 17 de novembro deste ano a 2.ª Corrida do Bairro do Planalto, edição novembro azul, em prol das crianças com Microcefalia.  A concentração será na Feira do Bairro e o início da competição está marcado para as 15 horas.  O percurso é de 5 a 9 km, com premiações de troféus para o primeiro, segundo e terceiro colocados.  Estão sendo inscritos pessoas de ambos os sexo e o evento é dividido em quatro faixas etárias, 18 a 29 - 30 a 39- 40 a 49 – 50 a 60 anos acima.
          O projeto da ADEN busca uma maior participação dos moradores do bairro Planalto e teve seu início em 21 de junho 2013. O objetivo é promover a prática esportiva através das estruturas existentes, ajudando na construção da cidadania e a melhoria da qualidade de vida da comunidade.  Tem outros programas como: Escola de Futebol de Campo, categorias, Mirim e Infantil-Juvenil, com atletas de 09 a 16 anos, que atende 30 crianças/adolescentes.
Tem também como missão o desenvolvimento econômico e social do bairro Planalto e o combate à pobreza. Conta com programas desenvolvidos na área social, saúde, educação, esporte, formação profissional e segurança alimentar. Atua com assistência à maternidade, infância, adolescência, família, portadores de necessidades especiais e a terceira idade. É uma organização que  distribui projetos que colaboram para o desenvolvimento integral do indivíduo, os tornando agentes de transformação social.
ADEN foi fundada em 2013, no bairro Planalto. O primeiro projeto se deu com a Escolinha de Futebol: ”Desafiando Gigantes”, participando  60 crianças e adolescentes. Funcionando aos sábados das 7 às 9h, e 30 alunos, dividido em duas turmas. Uma formada com crianças de 7 a 10 anos, e outra de 11 a 14 anos. O projeto atende jovens do Lenigrado, localidade com maior índice de criminalidade do bairro. São feitos com estes adolescentes um trabalho muito saudável, com participação em campeonato promovido pela Secretária de Esporte do Estado do Rio Grande do Norte.
Todos estes programas contribuem socialmente com o desenvolvimento de vários públicos na localidade. Em 2015 iniciou-se um projeto em parceria, com a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, que tinha por denominação: AMAR – Assembleianos Mirins em Ação de Resgate, voltado para o publico infantil. Permitia às crianças de 7 a 12 anos, práticas de ordem unida, valorização do patriotismo, exercício da cidadania, através do ensino da Bíblia Sagrada.
No mês de maio do ano de 2017 foi iniciado, o projeto de Zumba com as mulheres no bairro Planalto. No inicio eram 10 mulheres e no mês seguinte, o projeto já contava com a participação de 50. Com aulas de danças, que ocorrem duas vezes por semana, no período da noite. Inicialmente o projeto era realizado na quadra de uma escola. Atualmente funciona na sede da associação do bairro Planalto.
         A Pedalada pela PAZ foi iniciada pela primeira vez no dia 21 de março de 2016. O objetivo do evento, além de despertar a comunidade local pelo sossego, também busca florescer o sentimento pelo esporte nos moradores da comunidade. A interação entre pais e filhos, buscando a melhor qualidade de vida no bairro, desassistido pelo poder público.
No ano de 2017 foi realizado um curso de corte de cabelo em parceria com a Agência de Educação para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte – ADERN. O curso iniciou com cinqüenta participantes de ambos os sexos, os quais tiveram uma formação de 60h, em corte de cabelo e escova. Ao final do curso houve o recebimento de certificados de 41 alunos.
    Na primeira corrida no bairro Planalto, no ano passado, Agencia contou também com apresentações de Zumba; capoeira; bandas musicais; barraca de massagem, e um espaço kids, o qual contava com: pula-a-pula, distribuição de algodão doce, sucos, e kits fruta. Tudo distribuído gratuitamente e aberto ao público. Além disso, os 140 inscritos na corrida tinham direito a camisa e a premiações.
       Wile da ADEN diz que muitos outros projetos foram desenvolvidos ao longo desses cinco anos de atuação. “É válido acrescentar que todas as atividades foram desenvolvidas com muito esforço. E para podermos continuar ofertando trabalhos no bairro do Planalto é de grande valia o recebimento de apoio e patrocínio para esses eventos.” Conclui.


29 de agosto de 2018

Morro do Careca será palco do lançamento do livro Escritos da Alma do jornalista Flávio Rezende





Num cenário natural e inusitado para um lançamento de livro, o escritor e jornalista Flávio Rezende elegeu o pé do Morro do Careca, para autografar sua 26º obra literária, intitulada Escritos da Alma, ficando no local das 10h30 às 13h, com algumas manifestações culturais ocorrendo simultaneamente.
            O livro que será vendido ao preço de R$ 30,00, reúne seus “escritos” produzidos a partir de viagens, observações e constatações das cenas cotidianas, com destaque para as caminhadas dominicais em Ponta Negra, daí o escritor ter escolhido o pé do Morro do Careca para lançar a obra.
            Os “escritos” estão divididos no livro em 81 crônicas, ocupando dois capítulos, destinando o terceiro capítulo para dois textos infantis, devidamente ilustrados por sua filha Mel Browne Kalki de Rezende, que vem tendo participação nas últimas obras do autor.
            O livro foi editado na Offset Gráfica e Editora, tendo foto de capa de Canindé Soares, editoração de Victor Hugo Rocha Silva e revisão de Karla Geane de Oliveira.
            Flávio Rezende tem vasta obra, com variedade de estilos e formas, com incursões nas prosas esotéricas, livros infantis, poesias, contos, crônicas, apresentando livros redondos, piramidais, e inovando ainda na maneira de lançar, já o tendo feito debaixo de pirâmides, disco voador e com roupas estilizadas e temáticas.
            O escritor já trabalhou em diversos veículos de comunicação do Rio Grande do Norte e de outros estados, com destaque para passagens em televisões, jornais e revistas, sendo atualmente coordenador de Comunicação do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN e colunista de opinião do jornal Agora RN, alimentando ainda um blog pessoal com assuntos diversos e seus “escritos”, no www.blogflaviorezende.com.br.
            Mais informações pelo fone/zap 84 – 9.9902-0092 ou pelo email: jornalistaflaviorezende@gmail.com.

9 de julho de 2018

Proteção arbórea, ação oficial e privada




                 As árvores são elementos essenciais não somente à vida em si, mas a vários simbolismos culturais. Em seu livro “Dicionário do Folclore Brasileira”, Luis da Câmara Cascudo afirmou que “europeus, africanos e ameríndios têm pelas árvores o mesmo sentimento religioso. Todos os cultos possuem bosques sagrados, árvores dedicadas aos deuses, entes sobrenaturais vivendo dentro das árvores, ritual para homenagens e súplicas a esses deuses que presidem a vida da semente, fecundação, germinação, conservação, reprodução.”
                 Na história contemporânea, esta veneração religiosa se transformou em ação prática. Por exemplo: para proteger ecologicamente as cidades, preservando árvores e favorecendo o plantio de novas mudas de árvores, já existe no Rio Grande do Norte uma consciência ambiental, tanto do ponto de vista de setores governamentais como de setores privados. Precisamente no dia 02 de março de 1991, o professor universitário José Ramos Coelho criou no conjunto Cidade Satélite o Horto Florestal Parque das Serras.
                No livro dedicado ao referido conjunto, publicado  como integrante do projeto “Memória Minha Comunidade”, da Prefeitura de Natal,  organizado por Carmen Margarida Oliveira Alveal, Henrique Alonso de Albuquerque Pereira e Luciano Fábio Dantas Capistrano, é explicado que o Horto Florestal doa mudas de árvores para serem plantadas no quintal, na frente da casa e nos terrenos baldios. O Unibanco aprovou o projeto, deu verbas e usou o horto como referência para todo o Nordeste.
             Outro professor interessado no incentivo ao plantio de árvores é Rogério Câmara, da rede estadual de ensino. Ele fundou em 1998 a ONG SOS Mangue. Na revista “Viver Bem em revista”, na reportagem “Busque a Sustentabilidade no Dia-a-Dia salvando o meio ambiente sem sair de casa”, detalha-se o desempenho da ONG SOS Mangue, através de um trabalho de reflorestamento na Escola Estadual Luiz Soares, no Alecrim. Ali se distribui mudas de plantas, e se organiza palestras e oficinas.
              Mas não somente os professores; os estudantes também se interessam atualmente pelos problemas ambientais e se encantam pelas áreas verdes. Conforme registrou  o suplemento “Domingo”, do “Jornal de Fato”, de Mossoró, a jovem engenheira agrícola e gestora ambiental Maria Clara Torquato Salles denuncia, em seu trabalho de conclusão do curso,  o crescimento imobiliário em condomínios mossoroenses, como prejudicial, pois não segue o estabelecido no Plano Diretor do Município.
               Disse Maria Clara: “Há a lei de que tem de haver pelo menos 5% de áreas verdes, mas não há a manutenção do bioma que já existia. No que se refere ao bioma, a nossa vegetação típica são as espécies da caatinga  como o Pau Branco, Sabiá, Pau Preto, Jurema, entre outros. Em muitos dos lotes vendidos árvores seculares foram derrubadas. Outras preservadas, mas apenas enquanto o dono do lote não vier a construir sua casa.” Maria Clara defende uma gestão ambiental integrada, “com o envolvimento do poder público, privado e da comunidade local.”
               

28 de março de 2018

Secas e cheias sob as lentes da imprensa




Anchieta Fernandes
                          
                          As secas e as cheias que, como uma espécie de fenômeno cíclico, ameaçam de terror e morte tantos sertanejos nordestinos, desde anos bem recuados no calendário da História do Brasil, passaram a ser vistas, sob os ângulos de notícia e de opiniões por jornais norte-riograndenses. Isso desde quando a nossa imprensa se afirmou como um dos meios de comunicação do nosso povo. Veja-se alguns dos flashes desse testemunho impresso ante os fenômenos climáticos que afetam os habitantes do Nordeste.
                             Inicialmente, nos primeiros meses de cada ano, alguns jornais, diante da ainda indefinida situação climática, apelavam para um tom agourento: de que o ano não prenunciava ser de bom inverno. Foi o que fez o jornal “O Povo”, de Caicó, que a 16 de março de 1889, publicou: “As notícias que temos do Ceará não são satisfatórias. Do Ipu a 15 de fevereiro, de Pedra Branca a 12, e do Icó a 15 temos notícias de chuvas poucas, em algumas partes só havendo rama. Entre nós o desânimo já vai grande.” A 23 de março, o jornal já retratava o pleno quadro da seca:
                             “De quinze dias a esta data têm passado nesta cidade muitas famílias de retirantes de Catolé e Imperatriz (quase todas), procurando os brejos e o litoral, para escaparem da horrorosa seca que nos anda a esmorecer.” Na mesma data, o jornal publicou um ofício, datado de 15 de março, de Olegário Gonçalves de Medeiros, fundador do jornal e então Presidente da Câmara Municipal da Vila do Príncipe (Caicó), expondo ao Presidente da Província, que era o Dr. José Marcelino Rosa e Silva, a situação, e sugerindo medidas para a solução do problema.
                              No século seguinte, a partir da primeira década, o jornal “O Mossoroense”, de Mossoró, se fez a testemunha fiel, noticiando a chegada da seca, descrevendo cenas dolorosas do que atingia a população faminta, fazendo apelos de medidas urgentes às autoridades. Através de editoriais de capa (“As vítimas da seca dos sertões”, a 24/04/1904; “Seca nos sertões do Rio Grande do Norte”, a 24/05/1904), de alguns artigos de título alarmista (“Leva de retirantes”, “Sobre a seca”) e de colunas (“Seca e socorros”, o jornal fundado por Jeremias da Rocha Nogueira foi História.
                              O jornal oficial, “A República”, sempre publicou matérias dedicadas a divulgar e a debater solução quanto aos problemas da seca. Inclusive, a partir de 26 de junho de 1915, através da coluna “Serviço do interior”, manteve o leitor informado quanto ao que o jornal denominava “auxílio aos flagelados”. Por essa época, já existindo um órgão federal de combate aos efeitos das secas, que inicialmente teve o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas, o jornal fundado por Pedro Velho divulgava a sua ação.
                             Em dezembro de 1945, a Inspetoria foi transformada em departamento (DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), que continuou o trabalho anterior, sempre procurando agir visando encontrar um meio de, se não acabar pelo menos minorar os efeitos das secas. Mas trabalhos assim, às vezes por falta de uma melhor estruturação, se apresentam com falhas. Em 08 de abril de 1953, o jornal “A Ordem” chegou a definir como “atitude criminosa” o DNOCS ter retardado o aproveitamento de flagelados.
                           Muitas soluções foram pensadas pelas comissões do DNOCS, para se resolver este problema das secas: construção de poços e açudes, aproveitamento do leito natural dos rios como canais, irrigação técnica etc. Inclusive, uma investida quase na ficção científica: já em 22 de setembro de 1900, uma matéria no jornal “A República” falava em “chuva artificial”; coisa que seria concretizada mais de 50 anos depois, como o jornal “A Ordem”, de 12 de junho de 1951, noticiou: “Chuvas artificiais no sertão; experiências dos cientistas, primeiros resultados”.
                           Mas, chover sobre a região nem sempre é a melhor solução. Os arquivos dos jornais estão aí para reviverem notícias de tragédias provocadas por chuvas excessivas, que se derramam inundando cidades e campos, trazendo então prejuízos ao bioma. O mesmo jornal “O Povo”, de Caicó, noticia, a 08 de junho de 1889, chuvas caídas na cidade “...em condições de fazer transbordar os rios, e encher alguns açudes”, sem trazer benefícios, “porque destruíram todas as vazantes, agravando ainda mais os sofrimentos da população”.
                        A isoieta das chuvas no Nordeste, por vezes assusta tanto quanto as tragédias do brilho inclemente do sol no Polígono das Secas. Como disse certa vez Manoel Rodrigues de Melo, a cheia é a sucessora do dilúvio, destruindo povoações como fez à povoação de Oficinas, na Várzea do Açu, em 1924, e à de Rosário, em 1947, também na Várzea do Açu, a 15 de abril. A 15 de abril de 1964, o “Diário de Natal” informava: “Na cidade de Ipanguaçu ruíram nada menos que 39 casas. O leito do Rio Açu faltou apenas vinte centímetros para atingir o nível da cheia de 1924, que foi a maior”.
                       Relendo-se (e também revendo-se, pois o material produzido pelos repórteres fotográficos, que acompanham os repórteres redatores, étão importante quanto os textos, do ponto de vista da informação noticiosa) as páginas de jornais do passado, pode-se constatar quanto alguns municípios sofreram o castigo climático. A 07 de abril de 1937, o jornal “A Ordem” reportava-se ainda às inundações de Ceará-Mirim, detalhando as “conseqüências danosas”. Precisamente 10 anos depois, a situação se repete. É o Rio Açu deixando um rastro de tristezas.
                      Segundo o jornal “A Ordem”, de 07 de abril de 1947, foi de quatro mil o número de vítimas da referida cheia do Rio Açu. Mossoró também não escapou deste fenômeno destrutivo das enchentes. Em 1950, sofreu o “flagelo das inundações”, com “danos consideráveis”, conforme a reportagem no jornal “O Mossoroense”, de 30 de abril de 1950. Por sua vez, o jornal “A República”, de 10 de julho de 1974, dizia que Macaíba havia sofrido a maior cheia de sua história. 1980 e 1981 também foram anos de enchentes, de grandes prejuízos.
                Em 1981, as cidades de Afonso Bezerra e Pedro Avelino ficaram ilhadas (v. “Tribuna do Norte”, de 28 de março de 1981). E as enchentes levaram pânico à cidade de São Gonçalo do Amarante (v. “Tribuna do Norte”, de 02 de abril de 1981). No século 21, os jornais registraram coisas como a prefeitura de Governador Dix-Sept Rosado providenciando canoas e coletes salva-vidas, para as pessoas poderem enfrentar a fúria das águas inundando as comunidades ribeirinhas do Rio Apodi/Mossoró (v. “Correio da Tarde”, de 29 de abril de 2009).
                     O que não deve faltar ao nordestino é a consciência de que o fenômeno climático da seca é uma constante regional, não se devendo confiar em que algumas chuvas caídas durante alguns dias signifiquem sucesso assegurado à lavoura e à sobrevivência econômica. As chuvas podem vir, se avolumarem em enchentes, e depois irem embora deixando destruição. Em uma série de artigos publicados no “Diário do Natal” a partir de 22 de agosto de 1907, Felipe Guerra fala sobre chuvas de enchente no Brejo do Apodi, em 1901; faltaram, porém, no tempo necessário para segurar as plantações.

19 de março de 2018

A CHEIA ATROPELA A SECA






                                                                               Santa Cruz em 1981


       Mal comemorou os seus dois anos de Governo com o problema de duas secas, Lavoisier Maia entrou no seu terceiro período com inesperados problemas criados por uma repentina enchente. Enquanto toda a máquina do Governo voltava-se para combater a falta d’água, surgiu o excesso de água o que, segundo técnicos da Secretaria da Agricultura e da EMATER-RN, vai dar quase no mesmo porque “tanto faz um açude seco, como um açude destruído pelas águas, como o de Campo Redondo e mais de 100 outros em todo o Estado, entre públicos e  particulares’’. No entanto, não chega a ser exatamente a mesma coisa, feitos todos os balanços. “De qualquer modo’’ – como diz  Gilzenor Sátiro, da EMATER “a terra está molhada e é melhor do que seca’’.
         Mas a enchente que assolou o Rio Grande do Norte no fim de março e princípio de abril, provocando prejuízos de uns 500 milhões de cruzeiros e a destruição parcial da cidade de Santa Cruz, não é sinal seguro de inverno. Mesmo o mundaréu de água não afasta, de todo, o fantasma das previsões dos técnicos do Centro de Tecnologia da Aeronáutica – CTA.
         - Inverno mesmo – segundo os técnicos – só se continuar chovendo até o fim de abril.
         OS ESTRAGOS – Mas, sendo inverno ou tão somente uma violentíssima frente fria que pairou sobre o Nordeste durante alguns dias, o aguaceiro deixou marcas indeléveis no Estado. Não só nas mais de mil casas destruídas em Santa Cruz, nas quase 200 de Campo Redondo, no devastamento de pontes e estradas e açudes. Há os Cr$ 165 milhões que o parque industrial deixou de faturar pelos quatro dias de completa paralisação de suas máquinas em função da interrupção no fornecimento da energia elétrica, há o não avaliado prejuízo das pequenas indústrias e estabelecimentos comerciais que estiveram parados e vão ter grandes dificuldades neste mês de abril e, sobretudo, ficou a recordação da vulnerabilidade da economia do Rio Grande do Norte a fatores tão perigosos. Um deles é a dependência do Estado a uma única linha de transmissão de energia de Paulo Afonso, na rota que vem por Campina Grande e o Seridó -  justamente a que foi atingida pelas águas do açude arrombado de Campo Redondo. Só com o acidente que arrastou 14 torres de aço o Governo despertou para a necessidade de reforçar a sua luta para o Ministério do Interior continuar as obras da linha alternativa via Ceará Russas, através do Oeste.
         O AUXÍLIIO – A enchente teve uma vantagem em relação à seca: o auxílio mais rápido do Governo Federal, através da visita do Ministro Mário Andreazza a Santa Cruz e Campo Redondo. Pelo menos a promessa foi rápida: financiamento para reconstrução das casas, aos comerciantes prejudicados, facilidades creditícias através do Banco do Nordeste. Os empresários através da FIERN, entraram também com suas reivindicações, tanto em termos dos prejuízos, como também para o setor da construção civil, pois há 300 casas prontas no Estado dependendo da liberação de financiamentos.
         No natalense ficou o trauma dos cinco dias passados na mais completa escuridão e num dramático – e paradoxal – jejum de água potável.

(Transcrito da Revista RN ECONÔMICO – ano XI – nº 121 – Março/81)

8 de fevereiro de 2018

Carnaval no Ano Bissexto


                          
Salete Pimenta Tavares

          O mês de fevereiro é o mês mais curto do ano, com apenas 28 dias. Mas, de quatro em quatro anos o mês é acrescido de mais um dia – o dia 29, registrando, portanto, o ano 366 dias, o qual é chamado ano bissexto. Fevereiro é também considerado o mês do Carnaval, visto que, geralmente o carnaval acontece no mês de fevereiro. No entanto, vez ou outra, o carnaval é festejado também no mês de março. De acordo com pesquisa feita no “Missal Quotidiano”, um livro preparado por D. Beda Keckeisen O.S.B., editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia, nos anos 50, elaborado para facilitar o acompanhamento dos fiéis ao Santo Sacrifício da Missa, se encontra a tabela das festas móveis da Igreja, com as datas das Quarta–Feira de Cinzas, a partir do ano de 1956.
      Como a terça-feira de carnaval é o dia que antecede à quarta-feira de cinzas (primeiro dia da Quaresma), pode-se saber exatamente o ano em que a terça-feira de carnaval aconteceu no mês de março; são eles: 1957, 1960, 1962, 1965, 1973 e 1976; de 2000 até 2017, apenas em 2003, 2011 e 2014, o carnaval aconteceu  no mês de março. (v. meu artigo “Carnaval em Março”, escrito no Jornal Zona Sul – março de 2011).
     Essa festa que foi introduzida no Brasil pelos portugueses no tempo colonial, no ano de 1641 (v. Folhinha de Nossa Senhora de Nazaré – fevereiro de 2008), e que sempre foi considerada a maior festa popular brasileira, com o povão brincando nas ruas, se fantasiando de “cão”, de “papangus”, formando blocos de sujos, dançando e cantando nas ruas marchinhas engraçadas, entre elas o “Ô Abre Alas”, primeira marchinha carnavalesca, composta por Chiquinha Gonzaga para o Carnaval de 1889 (v. meu artigo “Carnaval Antigo e suas Marchinhas”, escrito no Jornal Zona Sul – fevereiro de 2010), além dos corsos, desfiles de carros alegremente decorados, as serpentinas, confetes e lança-perfumes atiradas nos foliões, que não passavam de uma brincadeira sadia, mesmo quando se tratava de atirar pó, talco e maisena.
    Contudo, hoje, já não se pode considerar o carnaval uma festa popular, uma vez que a festa se elitizou e surgiram grandes sociedades carnavalescas, com inúmeros blocos que viraram Escolas de Samba, com suas riquezas de alegorias e vestimentas caríssimas, dirigidas por pessoas influentes, “gente da alta”, como se diz, cujo dinheiro não é problema, dificultando o acesso à participação nas Escolas de Samba, de pessoas mais simples e mais humildes, ou até pertencentes à comunidade carnavalesca, mas que não tem meios para arcar com todas as despesas exigidas para participar do evento.
     Sabemos que, depois que passam os festejos natalinos e os de Ano Novo, começam os preparativos para o carnaval. São três dias de muita alegria, três dias de muita folia que, para muitos, vale pelo o ano inteiro. É o grande reinado de “Momo”. A alegria toma conta de todos: ricos, pobres, brancos, pretos, velhos, jovens, etc.; todos cantam e brincam num desabafo à monotonia da vida. Tudo respira carnaval. As lojas e os camelôs aumentam suas vendas; por onde se passa, até pelo chão tem o que se comprar: roupas, fantasias, chapéus de diversos tipos, bonés, colares havaianos, máscaras, apitos, etc.
    No Brasil pode-se dizer que o carnaval acontece o ano inteiro, principalmente nas comunidades onde existem escolas de samba. Elas passam o ano todo envolvidas na criação e concretização do enredo da escola, na escolha das fantasias e alegorias, no cuidado com os ensaios da escola, culminando no famoso “ensaio geral”, que já é uma amostra real do que vai acontecer no sambódromo, cada uma querendo mostrar o mais bonito e o mais rico espetáculo, na esperança de conseguir a primeira colocação do desfile e ser a escola campeã do ano.

      Alguns anos atrás foi realizado, aqui em Natal, um carnaval fora de época, o qual foi chamado de Carnatal. O primeiro Carnatal ocorreu no ano de 1991; foi realizado no centro da cidade, mais precisamente na Praça Cívica, antiga Praça Pedro Velho, com apenas três blocos participantes: Bloco O Caju, animado por Netinho, o Banda Mel e o Banda Cheiro de Amor. A festa cresceu tanto, que foi necessário outro local para abrigar tantos blocos, num total de mais ou menos 19 blocos e seus componentes, acrescidos de mais outros carros, chamados carros de apoio aos blocos. Atualmente em todos os Estados do Brasil, nas Capitais e em outras cidades, acontecem carnavais fora de época, chamados “micaretas”, com denominações as mais diversas possíveis; exemplo: “Pré-Caju”, em Aracaju, “Fortal”, em Fortaleza, “Micarande” em Campina Grande, a primeira micareta realizada fora do Estado da Bahia, “Nana Fest”, em Belo Horizonte, “Carnafacul” em São Paulo, etc. O Carnatal é considerado a maior Micareta do Brasil e consolidou-se como o principal evento do calendário turístico de Natal.

7 de fevereiro de 2018

O cinema em Mossoró


Anchieta Fernandes

             Embora Natal tenha uma intensa e bonita história da presença da arte cinematográfica na capital, Mossoró também não deixou de marcar sua presença pioneira (v. primeira eleitora no Brasil, libertação dos escravos antes da Lei Áurea da Princesa Isabel) no setor. Veja-se bem: o primeiro cinema a existir no Rio Grande do Norte foi em Mossoró. Muito cedo, aliás, quase na infância da 7ª Arte, em 1908, Francisco Ricarte de Freitas inaugurou naquela cidade seu Cine-Teatro Dr. Almeida Castro.
              Quando começavam a espocar foguetões na praça do Almeida Castro, era sinal de que a fita havia chegado de Aracati; à noite haveria sessão de cinema – relembrou Lauro da Escóssia no livro “Memórias de um Jornalista de Província.” O Cine Almeida Castro, aliás, foi o primeiro que exibiu filme falado na capital do Oeste, o que ocorreu a 22 de novembro de 1933, apresentando a película “Ama-me Esta Noite”, com o ator e cantor Maurice Chevalier e a atriz Jeanethe McDonald. Outros cinemas mossoroenses foram:
               Cine Ferreira Chaves, inaugurado por J.Soeiros à Rua do Comércio (hoje, Rua Vicente Sabóia). Este cinema passou a ser chamado Cine Politeama quando José Vasconcelos e Antônio Filgueira o adquiriram. Em 1925, Bonifácio Costa e Cornélio Mendes inauguraram à Rua João Pessoa o Cine Glória, cujos proprietários deixaram existir “uma segunda classe, ao relento, por trás de sua tela. O letreiro aparecia pelo avesso”, e então os espectadores (e eram muitos) resolveram contratar um professor para ler as legendas em voz alta.
             Depois do Glória, foi a vez do Cine-Teatro Pax, de propriedade da empresa Cine-Teatro Mossoró S/A (Jorge de Albuquerque Pinto), localizado à Praça Rodolfo Fernandes, e inaugurado a 23 de janeiro de 1943 com o filme “A Formosa Bandida”. O Pax foi inaugurado com 1.200 cadeiras. Em entrevista concedida ao suplemento “Domingo”, do Jornal de Fato, edição 225, de 5 de novembro de 2006, o então proprietário do Pax, Luiz Pinto, revelou que os filmes que mais lotaram o cinema foram “Os Dez Mandamentos”, “O Ébrio”, e “Dio Como Te Amo.”
              Na reportagem “Decadência do cinema em Mossoró”, publicada no jornal natalense O Poti (edição de domingo, 22 de outubro de 1995), Emery Costa faz o levantamento histórico de todos os cinemas que existiram em Mossoró. Pelo qual, fica-se sabendo que após o Pax, veio o Cine Déa, no ano de 1944, de propriedade de José de Oliveira Costa, e gerenciado por José Moreira. Emery registra: “Em 28 de maio de 1955, o Cine Caiçara, inaugurado por Renato Costa, que dotaria ainda a cidade de um cinema de bairro, o Jandaia, à Avenida Alberto Maranhão.”

            Houve ainda o Cine São José, no bairro Paredões, por iniciativa de “José Bedéo”. Segundo o levantamento histórico de Emery, houve ainda o Cinema Rivoli, à Avenida Rio Branco, de propriedade de Lenilton Moreira Maia, e inaugurado em 1962 com o filme “Pecados de Amor”. A 22 de julho de 1964, foi inaugurado o Cine Cid, de um grupo liderado pelo político e empresário Dix-Huit Rosado. O primeiro filme apresentado foi “O Candelabro Italiano”. O Cine Centenário e o Cine Imperial foram os últimos cinemas de rua em Mossoró. 

1 de fevereiro de 2018

Nomes de árvores nos municípios do RN


 Edson Benigno

        Alguns municípios do RN têm no seu nome o mesmo de algumas árvores existentes no país. Algumas delas são homenagens que se dá por serem comuns na região. Noutros municípios, o nome é por outros motivos; como por exemplo, Carnaúba dos Dantas, que é um município do RN,  e seu nome, segundo alguns pesquisadores, tem  como origem a planta de mesmo nome, transplantada para fazendas pertencentes a proprietários da família Dantas que habitavam a região. Outra hipótese do nome Carnaúba dos Dantas é que na região do município existia grande quantidade de antas, mamífero brasileiro, o qual teria dado origem ao nome da cidade da seguinte maneira: Carnaúba das Antas, que originou D'Antas, que mais tarde viria a se chamar Carnaúba dos Dantas. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2008, sua população é de 7.041 habitantes. Outros municípios que têm nomes de árvores - confiram:
        Angicos - Normalmente são árvores de médio a grande porte, comuns em capoeiras ou na colonização de áreas abertas;no inverno perde totalmente as folhas. A espécie mais comum em nossa região é o angico-branco. Suas flores diminutas são agrupadas em pequenos "pompons" brancos, por sua vez agrupados em cachos grandes, revestindo de branco as copas verdes.  Possui tronco acinzentado, tortuoso e alto, com copa ampla de folhagem rarefeita, no total chegando aos 20-25 metros. Não é difícil localizá-lo nos capoeirões e matas da região, onde é também chamado de "angiqueiro".
       De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2004, a população de Angicos era estimada em 11.956. O município foi emancipado de Assu em 11 de abril de 1833.A cidade notabilizou-se pelas experiências pioneiras de Paulo Freire com seus métodos de alfabetização. E em 2009 recebeu os primeiros alunos da UFERSA Angicos, provisoriamente na Escola Padre Felix. No dia 28/02/2011 começou a funcionar em sua sede própria a Universidade Federal Rural do Semi-árido UFERSA. Angicos passou então a ser conhecida na região como Cidade Universitária.
    Baraúnas – Árvore da família das leguminosas, nativa do Brasil e mede até 17 metros. É também madeira-de-lei brasileira, acastanhada, chegando a ser quase negra, e como seiva, sendo medicinal e industrial. Suas folhas são imparipenadas e possui grandes flores amarelas. Seus frutos são cilíndricos e grossos. É também uma árvore da chuva, como a baraúna preta, canela, canela amarela, coração-de-negro, Maria-preta, Maria-preta-da-mata , Maria-preta-do-campo, muiraúna, paravaúna, parovaúna, perovaú  e rabo- de- macaco.
     Baraúnas  Localiza-se na microrregião de Mossoró. Sua população estimada em 2004 era de 20.693 habitantes. O município foi emancipado de Mossoró no dia 15 de dezembro de 1981. Limita-se com o município que lhe deu origem, Mossoró (a leste), Governador Dix-Sept Rosado (ao sul), e com o estado do Ceará (ao norte e a oeste), sendo Aracati(ao norte) e Quixeré e Jaguaruana (a oeste). O solo tem utilidade restrita para lavoura, favorecendo culturas especiais de ciclo longo (algodão arbóreo, sisal, caju e coco).
      Caraúbas- É derivado da existência de uma densa mata povoada por Caraúbas (Jacarandá copaia – é seu nome científico)– árvores de casca amargosa e flores amarelas, situadas na margem direita de um afluente do Rio Apodi. Caraúbas é uma planta da família das Bignoniáceas.  Essa árvore é também muito comum nas margens de um afluente do Rio Mossoró, onde no século passado sempre deu muitas  sombras  aos viajantes, nas suas jornadas. Eles tinham um ponto de descanso na várzea das Caraúbas, nome que com o tempo passou a ser município importante do Estado do RN.
       O primeiro nome dado a Caraúbas foi Várzea das Caraúbas; depois os índios Payacus chamaram Carahu-mba (fruta da casaca negra) – nome de uma árvore na linguagem indígena (tupy guarany); logo após os tropeiros chamaram-na de Caraúbas, nome que passou ao Município e posteriormente à cidade. Com o crescimento da povoação foi criado o Distrito de Paz de Caraúbas no dia 23 de março de 1852, pela Lei Provincial nº. 250, sendo instalado um Juizado de Paz, depois é que passou a Município e, mais tarde, Cidade.
       Monte das Gameleiras - É uma árvore de grande porte da família das moráceas, do gênero fícus, com madeira utilizada para a confecção de gamelas e objetos domésticos. Não se confundir com a gameleira-branca, que é outra árvore. Tem característica nativa em todo o Brasil, pode atingir entre 10 e 20 metros de altura. Suas raízes se espalham, formando uma base característica da espécie. Seus frutos são pequenos, redondos, macios e verdes. Suas sementes também são pequenas, parecidas com as de figo, também chamada de iroko. Suas folhas são utilizadas no preparo de água sagrada nos rituais da cultura afro- brasileira.
           Monte das Gameleiras está localizado na microrregião da Borborema Potiguar. O nome originou-se da árvore Gameleira e acrescentando Monte, por existir área alta naquela localidade. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2000, sua população é de 2.541 habitantes.  O lugar é conhecido pela sua rica cultura e onde já foram realizados diversos projetos  de literatura de cordel. Estas obras foram produzidas pelo povo, somando-se à difusão popular da arte folclórica.  Nessa manifestação o povo conta os costumes, as crenças ou personagens (reais e imaginárias).
Macaiba ainda é conhecida como macaúva, macaúba, macauveira, coco-de-espinho. A macaúba, coco - baboso ou coco-de-espinho é uma palmeira nativa brasileira. Com altura até 15 m, a árvore é ornamental. Seus frutos são comestíveis, e de sua amêndoa se extrai um óleo fino semelhante ao da oliveira. Do miolo do tronco se faz uma fécula nutritiva, as folhas são forrageiras e têm fibras têxteis usadas para fazer redes e linhas de pescar. A madeira é usada em construções rurais.
        Macaiba tem na sua história a fundação por parte do paraibano Fabrício Gomes Pedroza, natural de Areia. Chegando ao RN seu Fabrício casou-se e construiu a histórica casa assombrada em terras do seu sítio. A cidade na época chamava-se Coité. Dizem que no quintal de sua residência existia uma palmeira chamada Macaiba pela qual ele tinha grande admiração. Então, certo dia do ano de 1855, reuniu-se com os moradores, numa festa em sua casa e propôs mudar o nome da localidade de Coité para Macaiba. Sua posição estratégica, a caminho de Natal, impulsionou o comércio.
      Pau dos Ferros - É uma árvore, mais precisamente de marcas fixadas com ferro em brasa numa oiticica muito frondosa que, pela sua grande dimensão, oferecia uma farta sombra e conseqüentemente um excelente local para o repouso dos vaqueiros, quando chegavam cansados do difícil trabalho de campear reses tresmalhadas.  Já o nome popular pau-ferro é usado para várias árvores brasileiras, da família: Fabaceae Características das folhas (tamanho; persistência): pequenas; seu crescimento é rápido e sua floração é amarela enquanto a frutificação é vagem, e se dá mais precisamente no período entre  agosto a outubro.
             Em 1841, começava uma série de tentativas para fazer de Pau dos Ferros um município. Era uma luta que unia todo o povo e estendeu-se por vários anos. A Resolução Provincial nº 344, de 4 de Setembro de 1856, tornou Pau dos Ferros em cidade do interior do RN. O nome se deu pelo motivo de ser um costumeiro local de parada, os vaqueiros decidiram gravar no tronco da grande árvore, com ferro em brasa, as marcas de seus patrões, com a finalidade de que todos passassem a conhecer os carimbos, uns dos outros, para poderem identificar as reses perdidas nos pastos e fazê-las retornarem ao seu dono.
      Umarizal - ( Umarizeiro )  é uma árvore de grande porte, frondosa, com caule e ramos cheios de pequenos espinhos, comum  no Sertão do Nordeste brasileiro. Os frutos, chamados umari, embora um pouco amargos, comem-se cozidos ou em mingaus, por ocasião das secas e mesmo nos tempos normais. Deles se retira uma massa (mesocarpo), tida como peitoral e vermífuga. As folhas constituem substancial ração para o gado; o chá das mesmas, misturadas com os brotos, passa por emenagogo e antidiarréico.
     Umarizal é localizado na mesorregião do Oeste Potiguar. No dia 27 de novembro de 1958, pela Lei nº 2.312, Umarizal desmembrou-se de Martins e tornou-se um novo município potiguar. A cidade já foi chamada de Gavião (nome do povoado que deu origem a cidade, quando ainda fazia parte da comarca de Martins) e de Divinópolis (nome que teve que ser alterado devido à cidade homônima de Minas Gerais). Atualmente é município muito desenvolvido, não só na parte econômica, como na sua estrutura de moradia.