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26 de dezembro de 2019

Praia da Redinha


        
                                                                  Praia da Redinha - Foto divulgação
            A praia da Redinha é mais uma das praias urbanas de Natal e fica na saída para o litoral norte. É um lugar bastante pitoresco. Tendo sido uma vila de pescadores, ela ainda guarda alguns recantos que não podem deixar de ser visitados pelos turistas. O Mercado Público é um destes atrativos, que tem a famosa Ginga com Tapioca, uma tradição do lugar. Tem a igreja Nossa Senhora dos Navegantes, outro ponto muito visitado, que foi construída com pedras retiradas dos arrecifes. Sua história mostra que a praia da Redinha não é apenas sol e mar.
            Os quiosques também são uma atração à parte, com seus pratos tradicionais como,  peixe frito, camarão, macaxeira, carne-de-sol, caldos e ginga, é uma gastronomia tipicamente local. Os pescadores da praia da Redinha oferecerem peixe frito diretamente para os turistas. Mas uma das suas maiores atrações é mesmo o  Aquário Natal, que é um lugar fascinante, que conta com aproximadamente 60 espécies de animais como tubarões, peixes de corais, cavalos marinhos, jacarés, pingüins, entre outros.
            Para chegar à Praia da Redinha, pode ser pelo acesso da ponte nova Forte-Redinha Newton Navarro ou então pela velha  Ponte de Igapó, passando por sobre o rio Pontegi. Ela fica distante do centro de Natal cerca de 20 quilômetros. È frequentada atualmente não só por moradores da região da Zona Norte, como por muitos turistas que vistam a cidade nesta época do ano. Sua fama é por possuir casas e bares simples e rústicos, além dos bons  peixes  e a famosa ginga com tapioca.
            É também a última praia do litoral urbano e nela que está localizada a Ponte Newton Navarro que atravessa o  Rio Potengi. Após a construção da nova ponte, uma parte da Redinha foi revitalizada, a área compreendida entre o Mercado Público da Redinha a Igreja de Pedra passou a se chamar Largo João Alfredo. A Redinha possui duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora dos Navegantes e de pedra  e a mais antiga. Ela é divida em duas praias, ou seja,  Redinha Velha pertence a capital, enquanto que Redinha Nova pertence ao município  de Extremoz.


19 de setembro de 2019

CRÉSIO TÔRRES “Em qualquer circunstância da vida eu vou fazer teatro”



Paulo Jorge Dumaresq
            
             Difícil é não acompanhar com atenção seu raciocínio rápido que esparge orações como se fossem poemas. Não é à toa que difunde o canto livre e alegre do Ceará-Mirim, sua cidade berço, sua Ítaca prometida, sua mágica Macondo. Inquieto e preocupado com as injustiças sociais e o crescimento do seu semelhante, ele logo cedo descobriu na arte um instrumento capaz de humanizar o homem e tornar o mundo mais aprazível para si e para o próximo. O ator, compositor e poeta Crésio Tôrres foi buscar também no cristianismo os valores para uma vida mais tranquila e equilibrada no perdão e na caridade. Com tudo isso ao mesmo tempo agora, acredita-se marxista cristão. “Não creio num artista que não seja generoso”, afirma.
            Nascido a 9 de abril no emblemático 1968, Crésio declara ao “Nós, do RN...” que ainda vivenciou um Ceará-Mirim rico culturalmente, com um folclore ativo e pujante. Cresceu assistindo aos caboclinhos, congos de guerra, bambelôs e tribos de índios. Seu olhar aguçado e perscrutador  presenciou as atividades teatrais da Juventude Franciscana (Jufra) na Igreja Matriz, após a missa dominical vespertina. Por meio da Jufra, encantou-se com o teatro infantil e chorou lágrimas cristãs ao testemunhar A Paixão de Cristo e pequenos Autos de Natal dramatizados pela agremiação vinculada à igreja católica. Aliás, já possuído pela Arte Maior, no limiar da carreira o aspirante a ator participou de autos religiosos e de esquetes teatrais pela Fundação SESP.
             O artista, que se emociona ao falar do passado, lamenta a ausência nos dias de hoje dos cinemas Paroquial e Jerusalém, que tanto abrandaram sua alma inquieta e o influenciaram na arte da representação. Ao assistir fitas de Bruce Lee, Shaolin, Buffalo Bill, Django e Sartana, a criança Crésio Tôrres tentava imitar seus heróis em casa. O circo também fez parte da sua infância, época em que não perdia os dramas, shows musicais e números de palhaços. “Também brincávamos de circo na rua. Eu tinha uma fé cênica que os outros meninos não tinham”, ressalta o ator.
            Ainda na puerícia, deu os primeiros passos na arte dramática, participando de jograis e esquetes na escola. A sorte de ter nascido numa família intelectualizada, e num rico berço cultural, fez toda a diferença na sua educação artística. Por causa disso, o acesso ao bom entretenimento, como cinema, circo, gincanas culturais, desfiles cívicos e carnavalescos,  alimentou a alma da criança. “A minha infância na rua Rodolfo Garcia (rua Nova) foi muito criativa. Inventávamos os próprios brinquedos e as brincadeiras. Íamos muito para granjas onde tomávamos banho de rio e ouvíamos muitas histórias dos mais velhos.  Papai era um brincante. Ele contava historinhas e causos. Talvez isso tenha contribuído para o meu despertar para o teatro. Só hoje eu me dou conta de como foi enriquecedor para mim”, lembra, com uma ponta de saudosismo.
            Na escola, o primeiro contato com o universo da literatura infantil foi na quinta série ao ler “Memórias de um cabo de vassoura”, obra de Orígenes Lessa. A família Moreira, por parte de mãe, conforme Crésio Tôrres, tinha intimidade com o mundo das letras. A criança também não dispensava a leitura de gibis, hóspedes na sua ilha da fantasia.  
Projeto
A descoberta do Crésio Tôrres ator foi na escola, já cursando o ginasial, no início da década de 1980, por intermédio do projeto “Vamos fazer teatro nas escolas”, da Subcoordenadoria de Atividades Culturais da Secretária de Estado da Educação e da Cultura (SEEC), que implantou oficinas em Ceará-Mirim e municípios outros do RN. Entre os oficineiros, destaca Carlos Nereu (sonoplastia), Cláudio Cavalcante (interpretação), João Marcelino (maquiagem) e Joiran Medeiros, além de Ivonete Albano (interpretação). A ingratidão - esta pantera - não conseguiu colocar suas garras no artista. Do alto dos seus 44 anos rasga elogios ao plantel de oficineiros que fomentaram sua aspiração de ser ator.
O projeto visava à formação de atores, diretores e a consequente criação de grupos de teatro no interior. E cumpriu bem seu papel. A semente plantada fez brotar o grupo Inovart, onde Crésio atuou durante 10 anos em vários espetáculos dirigidos pelo encenador Washington Pereira Santos. No Inovart, o ator sobressaiu-se nos espetáculos Quem Casa Quer Casa (Martins Pena), Negrinha (Monteiro Lobato), A Eleição (Lourdes Ramalho) e A Árvore dos Mamulengos (Vital Santos), entre outros. “Quem me despertou intelectualmente foi a dramaturgia. Por intermédio dos oficineiros do projeto adquiri a trilogia de Constantin Stanislavski”, revela.
Crésio enaltece o movimento teatral natalense na década de 1980. Afirma que assistiu a grandes espetáculos dos grupos Alegria, Alegria e Estandarte, mesmo com toda a precariedade da época, sem leis de incentivo e editais públicos: “Na época eu via muita coragem nos artistas e uma consciência política incrível. Era o orgulho de ser ético. Existia um ativismo cultural e político”. Sem citar um número preciso, acredita que representou até o momento em mais de 30 espetáculos. Pelo Circo da Luz, projeto patrocinado pela Cosern, viajou quase todo o estado na condição de apresentador e de ator no espetáculo As Aventuras de Pedro Malazarte, de Racine Santos.
Profissões
            O primeiro emprego do ariano Crésio Tôrres foi como monitor de recreação infantil no Centro Social Urbano de Ceará-Mirim, em 1986. Na sequência, aventurou-se como vendedor de eletrodomésticos, desenvolvendo a atividade por seis meses. Em seguida, pediu a um amigo emprego na Secretaria Municipal de Educação para ser recreador infantil e trabalhar com cultura, esporte e lazer nas escolas municipais. “Eu era o cara mais feliz do mundo. Paralelamente, eu atuava no Inovart. Hoje eu sinto uma saudade gosto...”, interrompe o depoimento, emocionado.
Em 1990, Tôrres trocou os figurinos do teatro pela farda verde-oliva do Exército Brasileiro, onde chegou ao posto de Sargento. Conta que viveu grandes experiências de teatro no Exército, a ponto de comprometer a instrução conhecida como Pista de Progressão Noturna por causa do realismo que imprimiu à cena. Pela fé cênica inabalável, recebeu o diploma de Praça Mais Distinta, depois Ordenança do Comandante e no início de 1991foi indicado para o curso de Sargento. No Exército Brasileiro, permaneceu até 1994. A próxima empreitada foi o HiperBompreço, onde exerceu a função de fiscal da segurança por seis meses.  
Com mulher e dois filhos para criar, o artista cedeu às pressões  familiares e meteu a cara nos livros para tentar concursos públicos. Passou em todos e optou pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Ingressou nos Correios em 1996 na qualidade de carteiro. Na empresa, conseguiu trabalhar com teatro institucional no interior. Por outro lado, a dureza do ofício de carteiro fragilizou o artista ao longo dos anos. Resumo da récita: licenças médicas e reabilitação para atendente comercial.
No ano do seu ingresso nos Correios, Crésio Tôrres tomou parte nas filmagens de For All (1997), rodado em Natal, Parnamirim e Rio de Janeiro. Aprovado no teste pelos diretores Buza Ferraz e Luiz Carlos Lacerda, voltou chorando para o Ceará-Mirim. Naquela oportunidade retomava sua carreira de ator. “O cinema me devolveu ao teatro. Quando terminou o filme não parei mais de atuar”, comenta.
Inoculado pelo vírus do teatro, o ator representou em Natal nos espetáculos A Festa do Rei, de Racine Santos, com direção de Hilton Lopo; A Ópera do Malazarte, A Farsa do Poder e Auto do Menino Deus, texto e direção de Racine Santos, afora Elvira do Ypiranga, com direção de Marcio Otavio. Interpretou papel, ainda, em Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção de Wilson Palá; Dom Casmurro, de Machado de Assis e direção de Clenor Junior, e na leitura dramática Os Patrões, de Paulo Jorge Dumaresq e direção de Marcio Otavio. No momento, Crésio está ensaiando A Festa do Rei (Grupo Teart), dirigido por Abraão Lincoln, com estreia prevista para o mês de novembro. “Em qualquer circunstância da vida eu vou fazer teatro. Porque se eu parar de representar paro de respirar. Se soubesse que fosse morrer hoje diria que tentei ser um vaga-lume na obscuridade cultural do planeta”, filosofa.  
Fazendo um contraponto entre os anos 1980 e a década atual, Crésio enfatiza hoje as leis de incentivo, os editais públicos e os pontos de cultura como avanços. De retrocessos, cita a falta de mostras, de festivais e de projetos como o necessário “Vamos fazer teatro nas escolas”. As brilhantes participações no Auto Jesus de Natal (2005) e no Auto de Natal (2009), não o deixaram deslumbrado. Tôrres considera que o investimento nos megaespetáculos a céu aberto podia ser revisto pelos gestores públicos, a fim de distribuir mais e melhor os recursos tendo em vista montagens de espetáculos de teatro de grupo e de dança, gravação de CDs, realização de curtas-metragens e publicação de livros.
Na condição de nordestino e de cabra marcado para viver no tablado, o pai de Mariana, 18; Pedro, 16; e Letícia, 10, não foge a perguntas embaraçosas. Inquirido sobre os melhores do teatro potiguar nas suas categorias, declara sua admiração pelo trabalho de Racine Santos e Paulo Dumaresq na dramaturgia. No tablado, bate palmas para Pedro Queiroga, sua grande referência como ator, e para João Antonio Vale. Em relação às damas, derrete-se ao citar Ana Francisca, Bárbara Cristina, Fátima Fialho e Titina Medeiros. Aplaude, ainda, a atriz paraibana Madalena Aciolly.
Voltando à Sétima Arte, Crésio conta que fez figuração no cabaré de Dona Belinha – porque perdeu o workshop para seleção de atores – no filme O Homem Que Desafiou o Diabo (2007), dirigido por Moacyr de Góes. Outras facetas do artista são a de cantor, compositor e poeta. Ele tem pronto O Canto da Boca da Mata, musical que apresenta parcialmente, visto que não conseguiu viabilizá-lo por falta de recursos. O menestrel dos verdes campos do Vale do Ceará-Mirim computa 50 canções de sua lavra “prontas e acabadas”. Defendeu canções em cinco edições do Festival de Música dos Correios, conquistando em duas oportunidades o primeiro lugar. Os feitos proporcionaram viagens a São Luiz e Aracaju.
Em 2005, o samba Ceará-Mirim – Seara Nobre do Folclore (Samba do Boi) recebeu nota 10 no desfile da GRES Império do Vale (Grupo A) no carnaval natalense. As composições de Crésio encontraram eco no CD do parceiro Iran Barreto que está gravando um disco com cinco canções do menestrel. “Uso a poesia como instrumento político e social”, pontifica.

Texto publicado no Suplemento Cultural “Nós do RN” novembro de 2012
           
           
                 
   


19 de março de 2019

Iolanda Bezerra de Oliveira

                                                             Iolanda


   Quando menina interna do colégio Santa Terezinha em Caicó, aos 17 anos, o sonho de Iolanda era vir estudar na Escola Doméstica a fim de aperfeiçoar seus dons em trabalhos manuais, o que já desenvolvia com bastante perfeição, a exemplo das prendadas mulheres seridoenses. O sonho de se matricular na ED não aconteceu, mas casou com o jornalista Francisco das Chagas de Oliveira (in-memorian) com quem teve seus seis filhos e onze netos, as coisas aconteceram como ela tanto desejou. E com o incentivo do marido sempre lhe sobrou tempo para os afazeres do lar para dedicar-se à arte.
E já se vão 25 anos de pintura em óleo sobre tela, porcelana, tecido, azulejos, prata boliviana e outras variedades de artesanato para presentes.

1 de março de 2019

Carnaval no Ano Bissexto



Salete Pimenta Tavares

      O mês de fevereiro é o mês mais curto do ano, com apenas 28 dias. Mas, de quatro em quatro anos o mês é acrescido de mais um dia – o dia 29, registrando, portanto, o ano 366 dias, o qual é chamado ano bissexto. Fevereiro é também considerado o mês do Carnaval, visto que, geralmente o carnaval acontece no mês de fevereiro. No entanto, vez ou outra, o carnaval é festejado também no mês de março. De acordo com pesquisa feita no “Missal Quotidiano”, um livro preparado por D. Beda Keckeisen O.S.B., editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia, nos anos 50, elaborado para facilitar o acompanhamento dos fiéis ao Santo Sacrifício da Missa, se encontra a tabela das festas móveis da Igreja, com as datas das Quarta–Feira de Cinzas, a partir do ano de 1956.
      Como a terça-feira de carnaval é o dia que antecede à quarta-feira de cinzas (primeiro dia da Quaresma), pode-se saber exatamente o ano em que a terça-feira de carnaval aconteceu no mês de março; são eles: 1957, 1960, 1962, 1965, 1973 e 1976; de 2000 até 2017, apenas em 2003, 2011 e 2014, o carnaval aconteceu no mês de março. (v. meu artigo “Carnaval em Março”, escrito no Jornal Zona Sul – março de 2011).
     Essa festa que foi introduzida no Brasil pelos portugueses no tempo colonial, no ano de 1641 (v. Folhinha de Nossa Senhora de Nazaré – fevereiro de 2008), e que sempre foi considerada a maior festa popular brasileira, com o povão brincando nas ruas, se fantasiando de “cão”, de “papangus”, formando blocos de sujos, dançando e cantando nas ruas marchinhas engraçadas, entre elas o “Ô Abre Alas”, primeira marchinha carnavalesca, composta por Chiquinha Gonzaga para o Carnaval de 1889 (v. meu artigo “Carnaval Antigo e suas Marchinhas”, escrito no Jornal Zona Sul – fevereiro de 2010), além dos corsos, desfiles de carros alegremente decorados, as serpentinas, confetes e lança-perfumes atiradas nos foliões, que não passavam de uma brincadeira sadia, mesmo quando se tratava de atirar pó, talco e maisena.
    Contudo, hoje, já não se pode considerar o carnaval uma festa popular, uma vez que a festa se elitizou e surgiram grandes sociedades carnavalescas, com inúmeros blocos que viraram Escolas de Samba, com suas riquezas de alegorias e vestimentas caríssimas, dirigidas por pessoas influentes, “gente da alta”, como se diz, cujo dinheiro não é problema, dificultando o acesso à participação nas Escolas de Samba, de pessoas mais simples e mais humildes, ou até pertencentes à comunidade carnavalesca, mas que não tem meios para arcar com todas as despesas exigidas para participar do evento.
     Sabemos que, depois que passam os festejos natalinos e os de Ano Novo, começam os preparativos para o carnaval. São três dias de muita alegria, três dias de muita folia que, para muitos, vale pelo o ano inteiro. É o grande reinado de “Momo”. A alegria toma conta de todos: ricos, pobres, brancos, pretos, velhos, jovens, etc.; todos cantam e brincam num desabafo à monotonia da vida. Tudo respira carnaval. As lojas e os camelôs aumentam suas vendas; por onde se passa, até pelo chão tem o que se comprar: roupas, fantasias, chapéus de diversos tipos, bonés, colares havaianos, máscaras, apitos, etc.
    No Brasil pode-se dizer que o carnaval acontece o ano inteiro, principalmente nas comunidades onde existem escolas de samba. Elas passam o ano todo envolvidas na criação e concretização do enredo da escola, na escolha das fantasias e alegorias, no cuidado com os ensaios da escola, culminando no famoso “ensaio geral”, que já é uma amostra real do que vai acontecer no sambódromo, cada uma querendo mostrar o mais bonito e o mais rico espetáculo, na esperança de conseguir a primeira colocação do desfile e ser a escola campeã do ano.
      Alguns anos atrás foi realizado, aqui em Natal, um carnaval fora de época, o qual foi chamado de Carnatal. O primeiro Carnatal ocorreu no ano de 1991; foi realizado no centro da cidade, mais precisamente na Praça Cívica, antiga Praça Pedro Velho, com apenas três blocos participantes: Bloco O Caju, animado por Netinho, o Banda Mel e o Banda Cheiro de Amor. A festa cresceu tanto, que foi necessário outro local para abrigar tantos blocos, num total de mais ou menos 19 blocos e seus componentes, acrescidos de mais outros carros, chamados carros de apoio aos blocos. Atualmente em todos os Estados do Brasil, nas Capitais e em outras cidades, acontecem carnavais fora de época, chamados “micaretas”, com denominações as mais diversas possíveis; exemplo: “Pré-Caju”, em Aracaju, “Fortal”, em Fortaleza, “Micarande” em Campina Grande, a primeira micareta realizada fora do Estado da Bahia, “Nana Fest”, em Belo Horizonte, “Carnafacul” em São Paulo, etc. O Carnatal é considerado a maior Micareta do Brasil e consolidou-se como o principal evento do calendário turístico de Natal.

25 de fevereiro de 2019

Bloco Cores de Krishna sai sábado no Polo Ponta Negra com mantracatus e afoxés




O sábado de carnaval em Ponta Negra vai ser ainda mais animado com a saída do Cores de Krishna. A concentração será a partir das 15h, na Samosaria Hare (restaurante vegetariano - Av. Praia de Búzios, 9128 – Conjunto Ponta Negra), onde os foliões pintam suas faces e realizam as produções da indumentária indiana, lembrando porém não ser exigido nada neste sentido, sendo o bloco aberto a todas as cores, roupas, fantasias e pessoas.
Após a concentração o Cores de Krishna sairá em cortejo Ratha-Yatra às 16h, em direção a Praça dos Gringos, onde faz performance até 19h.
O Cores de Krishna é composto por devotos de Krishna, simpatizantes e foliões em geral, com presenças confirmadas vindas de: Campina Grande, João Pessoa, Recife, Índia, Caruaru e Fortaleza. Os puxadores são: Vrindavana Dasa (MantraCatu/PE) e Yamunacarya Das Goswami (Natal), além da Banda de Percussão de Pium, com maestro Nathan Medeiros.
O bloco foi fundado pelo escritor e jornalista Flávio Rezende e pelos devotos Nitay Chand e Radha Gopali, 
não tendo venda de camisetas e nem de produtos, bastando aos foliões comparecer e se fantasiar da maneira que gostar, existindo uma predominância pelo uso da cor azul no rosto, temática indiana na indumentária e muita alegria e criatividade.
Algumas alegorias de Krishna, Radha e deidades acompanham o bloco.

Mais informações:
Flávio Rezende – (84) 99902-0092
Nitay Chand – (84) 99637-6680
Radha Gopali - (84) - 99677-5032


21 de fevereiro de 2019

Bloco Bode Expiatório fará sua última prévia carnavalesca








Neste sábado, dia 23, o Bloco Bode Expiatório realiza sua 3ª prévia e última para o Carnaval 2019.
A folia vai ocorrer no Bar de Zé Reeira, na Cidade Alta, reduto tradicional da boêmia e cultura potiguar. Concentração a partir das 16 horas, com a Orquestra de Frevo Banda do Negão, que tem o comando do maestro Willame Medeiros.
A partir das 18h a animação ficará por conta da talentosa cantora Laryssa Costa e Banda com participação especial do cantor Júnior Santhos, que prometem não deixar ninguém ficar parado com um repertório de muito frevo, marchinhas carnavalescas e axé.
Carnaval
A saída oficial do Bloco Bode Expiatório é na sexta-feira de carnaval, dia 1º de março, abrindo a festa em 2019 no Polo Ponta Negra. A concentração é ao lado do Praia Shopping, a partir das 17h, com atração musical. Às 20h começa o percurso pelo corredor da folia, com orquestra de frevo finalizando na Praça Ecológica de Ponta Negra.
É possível adquiri a camiseta do Bloco Bode Expiatório com os organizadores. Informações: 99937-0440 (Henrique) ou
 (84) 99980-3072 (Jaime)

Quem: Bloco Bode Expiatório
O quê: Prévia de carnaval
Onde: Bar do Zé Reeira
Quando: Sábado, 23 de fevereiro
Horário: 16h ás 22h



8 de fevereiro de 2018

Carnaval no Ano Bissexto


                          
Salete Pimenta Tavares

          O mês de fevereiro é o mês mais curto do ano, com apenas 28 dias. Mas, de quatro em quatro anos o mês é acrescido de mais um dia – o dia 29, registrando, portanto, o ano 366 dias, o qual é chamado ano bissexto. Fevereiro é também considerado o mês do Carnaval, visto que, geralmente o carnaval acontece no mês de fevereiro. No entanto, vez ou outra, o carnaval é festejado também no mês de março. De acordo com pesquisa feita no “Missal Quotidiano”, um livro preparado por D. Beda Keckeisen O.S.B., editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia, nos anos 50, elaborado para facilitar o acompanhamento dos fiéis ao Santo Sacrifício da Missa, se encontra a tabela das festas móveis da Igreja, com as datas das Quarta–Feira de Cinzas, a partir do ano de 1956.
      Como a terça-feira de carnaval é o dia que antecede à quarta-feira de cinzas (primeiro dia da Quaresma), pode-se saber exatamente o ano em que a terça-feira de carnaval aconteceu no mês de março; são eles: 1957, 1960, 1962, 1965, 1973 e 1976; de 2000 até 2017, apenas em 2003, 2011 e 2014, o carnaval aconteceu  no mês de março. (v. meu artigo “Carnaval em Março”, escrito no Jornal Zona Sul – março de 2011).
     Essa festa que foi introduzida no Brasil pelos portugueses no tempo colonial, no ano de 1641 (v. Folhinha de Nossa Senhora de Nazaré – fevereiro de 2008), e que sempre foi considerada a maior festa popular brasileira, com o povão brincando nas ruas, se fantasiando de “cão”, de “papangus”, formando blocos de sujos, dançando e cantando nas ruas marchinhas engraçadas, entre elas o “Ô Abre Alas”, primeira marchinha carnavalesca, composta por Chiquinha Gonzaga para o Carnaval de 1889 (v. meu artigo “Carnaval Antigo e suas Marchinhas”, escrito no Jornal Zona Sul – fevereiro de 2010), além dos corsos, desfiles de carros alegremente decorados, as serpentinas, confetes e lança-perfumes atiradas nos foliões, que não passavam de uma brincadeira sadia, mesmo quando se tratava de atirar pó, talco e maisena.
    Contudo, hoje, já não se pode considerar o carnaval uma festa popular, uma vez que a festa se elitizou e surgiram grandes sociedades carnavalescas, com inúmeros blocos que viraram Escolas de Samba, com suas riquezas de alegorias e vestimentas caríssimas, dirigidas por pessoas influentes, “gente da alta”, como se diz, cujo dinheiro não é problema, dificultando o acesso à participação nas Escolas de Samba, de pessoas mais simples e mais humildes, ou até pertencentes à comunidade carnavalesca, mas que não tem meios para arcar com todas as despesas exigidas para participar do evento.
     Sabemos que, depois que passam os festejos natalinos e os de Ano Novo, começam os preparativos para o carnaval. São três dias de muita alegria, três dias de muita folia que, para muitos, vale pelo o ano inteiro. É o grande reinado de “Momo”. A alegria toma conta de todos: ricos, pobres, brancos, pretos, velhos, jovens, etc.; todos cantam e brincam num desabafo à monotonia da vida. Tudo respira carnaval. As lojas e os camelôs aumentam suas vendas; por onde se passa, até pelo chão tem o que se comprar: roupas, fantasias, chapéus de diversos tipos, bonés, colares havaianos, máscaras, apitos, etc.
    No Brasil pode-se dizer que o carnaval acontece o ano inteiro, principalmente nas comunidades onde existem escolas de samba. Elas passam o ano todo envolvidas na criação e concretização do enredo da escola, na escolha das fantasias e alegorias, no cuidado com os ensaios da escola, culminando no famoso “ensaio geral”, que já é uma amostra real do que vai acontecer no sambódromo, cada uma querendo mostrar o mais bonito e o mais rico espetáculo, na esperança de conseguir a primeira colocação do desfile e ser a escola campeã do ano.

      Alguns anos atrás foi realizado, aqui em Natal, um carnaval fora de época, o qual foi chamado de Carnatal. O primeiro Carnatal ocorreu no ano de 1991; foi realizado no centro da cidade, mais precisamente na Praça Cívica, antiga Praça Pedro Velho, com apenas três blocos participantes: Bloco O Caju, animado por Netinho, o Banda Mel e o Banda Cheiro de Amor. A festa cresceu tanto, que foi necessário outro local para abrigar tantos blocos, num total de mais ou menos 19 blocos e seus componentes, acrescidos de mais outros carros, chamados carros de apoio aos blocos. Atualmente em todos os Estados do Brasil, nas Capitais e em outras cidades, acontecem carnavais fora de época, chamados “micaretas”, com denominações as mais diversas possíveis; exemplo: “Pré-Caju”, em Aracaju, “Fortal”, em Fortaleza, “Micarande” em Campina Grande, a primeira micareta realizada fora do Estado da Bahia, “Nana Fest”, em Belo Horizonte, “Carnafacul” em São Paulo, etc. O Carnatal é considerado a maior Micareta do Brasil e consolidou-se como o principal evento do calendário turístico de Natal.

4 de agosto de 2017

DA SUPERPOPULAÇÃO NASCE O CAOS



Valério Mesquita

O agravamento dos problemas de saúde, segurança e desemprego no mundo e, particularmente, no Brasil, tem a sua raiz na explosão populacional. Não precisa ser cientista social, sociólogo, socialista ou qualquer profissional especializado para chegar às conclusões. Há cinquenta anos as entidades de planejamento familiar no Brasil não foram bem recebidas pela igreja, partidos políticos, governos estaduais e sociedade civil. Velhos tabus se interpuseram e malograram os propósitos da diminuição da natalidade que poderia ter atenuado hoje o crescimento geométrico da população e da demanda de saúde, de alimento, de emprego, de violência e tantas outras mazelas. O homem continua predador do globo terrestre e da sua própria vida quando, a cada dia, gera competitividade a si mesmo.
Observem o continente africano, com uma gama imensa de pobreza e de carências de todo o tipo. Ali a raça humana se acha em processo de extermínio mesmo, pela fome e pela doença. E os países ainda promovem guerras brutais numa verdadeira e escandalosa carnificina. E qual o divertimento dessa superpopulação oprimida e atrasada: o sexo, a procriação, que substituem ilusoriamente a falta de sustento, de assistência, de remédio, todos subjugados ao talante político de golpistas e demagogos corruptos. Mas, as nações do Novo Mundo, de idiomas espanhol e português, enfrentam as mesmas sobrecargas, migrando para a Europa que já fechou, por sua vez, as porteiras alfandegárias e diplomáticas. Para africanos e asiáticos, idem. As razões defensórias são as mesmas: os estrangeiros solapam e rivalizam o acesso à saúde, ao emprego e ao alimento com os nacionais, além de promoverem tumultos pela conquista de direitos sociais iguais.
O Brasil já supera os duzentos milhões de habitantes. É uma população que já ultrapassa a grandeza da sua dimensão territorial. Isso, por conta dos bolsões de pobreza, de desemprego, criminalidade e saúde pública (federal e estadual) sucateadas. Outro ponto concorrente reside na migração do homem do campo para as áreas metropolitanas. Aí se instala a desordem social, onde tudo que é excesso se transforma em coisa demasiadamente ruim. Quer um exemplo: a quantidade de veículos motorizados, o número crescente de assaltos, rios poluídos, água potável contaminada, escassez de moradias, e por aí vai. Tudo por quê? Porque existe gente demais. O país ignorante e analfabeto não elegeu uma política educacional de controle da natalidade para um desenvolvimento sustentável.
E daí? Tome improvisação e choque de gestão! Medidas oficiais somente paliativas e projetos megalomaníacos. O brasileiro espera sempre pelo milagre da terra, sem prepará-la, contudo, adequadamente, para produzir alimentos. No Rio Grande do Norte, quem está no campo produzindo? Quem deseja mais manter propriedade rural para ser tomada por bandos organizados e oficializados? A economia mundial sofre a pior crise da sua história, face à concentração de riquezas dos que aplicam dinheiro no arriscado mercado de capitais, em detrimento de bilhões de indivíduos marginalizados. Com efeito, levam os governos ao “salvamento” de bancos e empresas gigantescas, tirando das populações empobrecidas o direito ao pão, à saúde e ao teto. O “crescei e multiplicai-vos” foi levado muito ao pé da letra. Como diria um padre amigo meu, “isso aí é uma alegoria...”. Sou a favor da vida, mas é preciso ensinar o povo que botar gente no mundo sem condições de criar, hoje, é burrice e dor.


(*) Escritor.

2 de dezembro de 2014

Nós do RN, o suplemento resistente

(Jornalistas - Edilson Braga, Edson Benigno e Moura Neto)


Anchieta Fernandes 

 Agora em novembro, completa-se precisamente os dez anos de existência deste suplemento. É uma façanha a comemorar, a sua continuidade, pois outros veículos culturais, oficiais ou não, desistem depois de alguns meses ou anos. Ao final do ano de 2004, o talentoso jornalista Henrique Miranda de Sá Neto era o Coordenador de Administração e Editoração do Departamento Estadual de Imprensa – DEI. O Governo do Estado era exercido pela governadora Vilma Maria de Farias, que tinha como Assessor de Comunicação Social o jovem jornalista Rubens Manoel Lemos Filho. O Diretor Geral do DEI era Carlos Alberto de Oliveira Torres.

Todos estes superiores apoiaram a brilhante idéia de Miranda Sá: criar um suplemento cultural a acompanhar as edições do Diário Oficial, amenizando a sisudez burocrática dos textos oficiais. Foi escolhida uma boa equipe de colaboradores em texto (Paulo Dumaresq, Carlos Morais, entre outros), foto (João Maria Alves), desenho (Emanoel Amaral) e diagramação (Edenildo Simões, Alexandre Tavares de Melo e Valmir Araújo) e então, tendo o próprio Miranda Sá como Editor-Geral, e Moura Neto como Chefe de Redação, foi lançado em novembro de 2004 este suplemento, Nós do RN... Timidamente, era datado Nº Zero, do Ano I.

Era quase uma confissão de pessimismo, de descrédito quanto à continuidade da iniciativa. Mas aquela marca gráfica à esquerda do título, mostrando a figuração do selinho com o contorno do mapa do Rio Grande do Norte sobre a sigla DO, e embaixo a definição programática “Editorial A República”, parece até que funcionava como bons prenúncios visuais, como se os anjos da terceira hierarquia atuassem revirando para trás os novelos que as Parcas fiavam, trazendo silenciosamente a vitória-vida da idéia do materialista-marxista Miranda Sá. O suplemento continuou.

O suplemento continua. Filho dileto do velho jornal pedrovelhista A República, cujo título ainda estava no coruchéu da fachada do prédio do DEI, e em cimento encimando o portão de entrada do jardim da área frontal do mesmo prédio, como foi fotografado para a bela capa do referido número zero, o suplemento Nós do RN é definitivamente um marco na história do jornalismo cultural na terra de Câmara Cascudo. No início, era contada a história das várias vertentes da nossa produção cultural, em cada número monotemático. Dentre outras, as estórias em quadrinhos (Nº 07, junho de 2005), o cinema (Nº 13, dezembro de 2005), a música (Nº 14, janeiro de 2006). Muito bonita a capa do número (o 04, de março de 2005) dedicado à arte da poesia, uma alegoria onde se vê Euterpe, a deusa da poesia, surgindo da sua concha aquática, observada por seres e flores voadoras tentando acompanha-la. Aliás, muitas outras capas bonitas e significativas puderam ser apreciadas pelos leitores do suplemento, ao longo destes 10 anos, podendo-se mencionar: a do Nº 8 (julho de 2005), sobre as artes plásticas no estado, e a do Nº 21 (de agosto de 2006), um belíssimo desenho modernista de Emanoel Amaral, mostrando dois violeiros no 12º Congresso Brasileiro do Folclore, que estava se realizando em Natal. Aliás, este suplemento de Nº 21 já estava sob orientação de um novo Editor-Geral, o jornalista Edilson Braga, ex repórter do jornal A República.

E Braga trouxe uma inovação à sala de redação do suplemento: uma reunião de pauta, pelo menos uma vez por mês, para definir qual seria o tema do próximo número do suplemento, e quais dos colaboradores repórteres ou articulistas iriam escrever as matérias com variações do tema geral. Estas reuniões de pauta, embora sérias e produtivas, decorriam num clima de descontração, com Emanoel Amaral brincando com o perfil fisionômico do pessoal, fazendo suas caricaturas. É preciso explicar que desde o número inicial, aquele nº ZERO (fora publicada assim a indicação do número – por extenso, e os quatro fonemas, duas consoantes e duas vogais, digitados em formato maiúsculo), o suplemento publicou autores que não participavam do corpo redacional ou de reportagem, mas que eram figuras importantes dojornalismo ou da literatura norte-riograndense. Neste nº ZERO, por exemplo, foi publicado (aliás, republicado em transcrição do jornal A República, de 16 de maio de 1943) o artigo “Amor e Islamismo”, de Eloy de Souza, o grande jornalista que deu nome ao Museu da Imprensa Oficial. Embora focalizando principalmente assuntos norte-riograndenses, o suplemento nunca foi porta-voz de chauvinismos ou regionalismos exagerados. O número dedicado ao Carnaval(Nº 03, de fevereiro de 2005), começou mergulhando fundo na pesquisa histórica, em maravilhoso ensaio de Moura Neto, revelando que “para alguns estudiosos, a comemoração do carnaval advém de costumes das comunidades agrárias, onde homens e mulheres, por volta de 10 mil anos a.C., usavam máscaras, pintavam os corpos, bebiam bastante e dançavam até cair para espantar os demônios da má colheita.” Personalidades diversas da espécie humana, mereceram e foi aceito o destaque delas inspirando o tema de alguns números do suplemento. Sejam escritores (Raimundo Nonato, no Nº 32, de agosto de 2007) ou governadores do estado (Juvenal Lamartine, no Nº 38, de janeiro de 2008; e Dix-Sept Rosado, no Nº 66, de julho de 2011). Houve também, a partir do segundo ano de existência do suplemento, a presença de duas personalidades dividindo o conteúdo de um mesmo número (no caso, deixando de ser monotemático, e passando a ser bitemático, a exemplo do Nº 12, de novembro de2005, apresentando matérias sobre o padre João Maria e Alberto Maranhão).

Reforçando a presença feminina na colaboração escrita com o suplemento, que pode ser rastreada desde o Nº 09(de agosto de 2005), onde a repórter cultural Carla Xavier publicou matéria sobre o poeta assuense Paulo Varela, o editor Edilson Braga lançou no Nº 29 (de maio de 2007), a cronista da última página, a talentosa Yasmine Catarina. O seu primeiro trabalhado publicado neste suplemento recebeu o título “O Preço de Um Tempo”, encaixado na temática deste número de maio de 2007, contando a história do comércio no Rio Grande do Norte, e Yasmine descrevendo detalhes preciosos do comércio do Centro de Natal (Praça Padre João Maria, Café São Luiz). A partir do Nº 48 (abril de 2009), Yasmine passou a se assinar Yasmine Lemos. Com essa assinatura, manteve a coluna até ao Nº 56 (de janeiro de 2010), onde sua crônica recebeu o título “Exercício Para Alma”, um belíssimo texto, ao mesmo tempo filosófico, poético, e revelando um sofrimento humanitário pelas vítimas do terremoto do Haiti. Sua mensagem, quase ao final do texto, é inegavelmente cristã: “Ser solidário é exercitar o que de melhor a nossa alma possui: amar ao próximo.” Depois da saída de Yasmine do suplemento, após esta crônica, passou um certo período (do Nº 57, de fevereiro de 2010 ao Nº 64, de maio de 2011) sem a última página ser assinada continuamente pelo mesmo autor.

Com o Nº 65 (de junho de 2011) voltou a última página a ser enriquecida com a voz feminina. Salete Pimenta passou a escrever a crônica da última página, iniciando sua colaboração com a crônica “Quadrilha Junina”, demonstrando bastante conhecimento sobre esta dança festiva típica do Nordeste. Desde então, a caraubense autora dos livros “Acordes da Alvorada” (Sebo Vermelho, 1999) e “Fragmentos da Alma” (Editorial A República, 2013) tem escrito a coluna, com ausência do seu nome na coluna do Nº 81 (dezembro de 2012), por falha redacional, e na do Nº 91 (novembro de 2013), pelo motivo da última página ter sido escrita por Rosane Macêdo, supervisora do Museu de Imprensa Oficial.

O suplemento Nós do RN...foi lançado em formato tablóide, papel jornal, 12 páginas, capa e contracapa coloridas. Até o presente momento somente foi feita uma edição (especial) em formato revista, em papel couchê brilhante: foi a do Nº 63, de dezembro de 2010, edição natalina onde cada colaborador (articulistas, repórteres, e até fotógrafos que fizeram a cobertura da visita do papa João Paulo II – o João de Deus – a Natal, em outubro de 1991) escolheram para publicar nesta edição especial as melhores matérias que produziram e já publicadas em edições anteriores. A revista trouxe um suplemento do suplemento: um caderno colorido contando a história do Museu da Imprensa Oficial Eloy de Souza. Após a circulação da revista, o Nós do RN...entrou por um período parado, devido a enxugamento do quadro de colaboradores, e também por alterações no perfil de um novo governo. Foram quatro meses de ausência no contexto do jornalismo cultural do Rio Grande do Norte.

Mas em maio de 2011, foi a volta à circulação, com apenas oito páginas, e Edson Benigno, experiente jornalista, fundador de outros jornais (inclusive o vitorioso “Jornal Zona Sul”, fundado em 1991, e ainda em circulação), como o Editor-Geral. No número da volta, o 64, prestou-se uma homenagem à memória dos ex-diretores da Imprensa Oficial do RN, em matéria assinada pelo próprio Edson Benigno. Com Edson, embora mantendo o foco nos viezes artísticos e literários, o suplemento também foi a câmera e a voz de testemunhos voltados para assuntos econômicos, ambientais etc. O Nº 67, de agosto de 2011, faz um levantamento histórico e opinativo sobre a presença de secas, ou, o oposto, cheias, na paisagem climática de nossa região, e do Nordeste como um todo. E se Natal tem o maior cajueiro do mundo, foi bem sacada a idéiade se fazer um número como homenagem ao elemento vegetal.

Foi o Nº 69 (de outubro de 2011), com matérias curiosas, como uma sobre espaços públicos natalenses com nomes de árvores. Atendendo uma sugestão minha, o editor Edson Benigno resolveu publicar, a partir do Nº 73(março de 2012),algumas matérias transcritas de outro veículo cultural oficial, o jornal O Galo (1988 – 2002), iniciando pela reportagem “Imprensa Feminina no RN, uma história a ser contada”, escrita em parceria pelas escritoras Constância Lima Duarte e Diva Cunha Pereira de Macedo, e publicada em O Galo, no Nº 06 do Ano IX, referente a junho de 1997. A transcrição destas matérias tem funcionado como um resgate, um testemunho do valor da imprensa oficial em seu viés de divulgação cultural, pois suas gráficas são também editoras de livros, como o nosso DEI. Dentro destes 10 anos, a existência deste suplemento, como mostrei ao longo desta matéria, foi uma existência vitoriosa e profícua, resistente e não desistente. O atual Diretor Geral deste Departamento, Marcos de Souza Sobrinho, e seu Coordenador de Administração e Editoração, Josenilton Batista de Oliveira, acertaram em cheio na decisão de manterem o suplemento. A iniciativa de Miranda Sá deve permanecer. Porque, como escreveu o leitor João Vianey de Araújo, em carta enviada ao suplemento e publicada no Nº 59 (de agosto de 2010), o que fazemos aqui, desde novembro de 2004, “justifica plenamente a missão” (do DEI). Vianey refere-se a “artigos bem escritos, informações sobre nossa história” etc.

28 de novembro de 2014

Alecrim tem Circuito Histórico, sim senhor!




Luciano Capistrano - luciano.capistrano@natal.rn.gov.br
Historiador/Comissão Municipal da Verdade Luiz Maranhão Filho

            “Alecrim, com suas avenidas retangulares, sua extensão em claridade, sua possibilidades de desdobração,  aparece como um milagre de previsão dos velhos e acusados administradores antigos. O crime, cruel e tenebroso crime da displicência administrativa, é sujar todo esse cenário luminoso entregando a terra da gente morar a quem quer apenas vender”. (Luís da Câmara Cascudo)
            Caro leitor (a) na década de 1940, Câmara Cascudo, alertava a sociedade natalense, em sua História da Cidade do Natal, sobre os perigos da especulação imobiliária. Já naquele tempo, a força do capital utilizava, conforme Cascudo, terras de morada para especular, para vender. Defendia o mestre da cultura popular, o sentido social da terra.
            Bem, fato é que o Alecrim se desenvolveu, cresceu e deixou de ser uma terra de sítios e casebres. Hoje faz parte dos 100 maiores bairros do Brasil em arrecadação de tributos. Este é um dado importante, um dado relevante, quando pensamos na geração de emprego e renda, resultado da pujança de uma economia viva, de um bairro centenário. Alecrim, onde tudo se acha, é o nosso campeão em repasse para os cofres públicos de ISS e ICMS.
            Permita-me dizer, caro leitor, o Alecrim é a nossa galinha dos ovos de ouro.       Há muito tempo, merecedor de uma atenção especial por parte de nossos gestores. Ordenamento do comercio de rua, mobilidade, segurança, iluminação, placas informativas, são alguns dos itens que devem fazer parte da agenda de qualquer gestor, preocupado com o desenvolvimento de nossa cidade. O crescimento de Natal, passa pelo Alecrim.
            Cenário de intensa atividade econômica, andar por suas ruas é caminhar por um fervilhar de camelôs, vendedores, clientes, lojistas, enfim, uma profusão de pessoas vendendo ou comprando. Fazendo jus ao lema Alecrim, bairro completo.
            Lojistas e camelôs, numa relação, às vezes opostas, com um objetivo comum: fazer do Alecrim, cada vez mais, o lugar de seu “ganha pão”.
            Em tempos de Copa do Mundo, quando a palavra de ordem é “legado”, faço um convite em forma de provocação, vamos andar pela história do Alecrim. Sim, o bairro do Alecrim tem História. Uma história que se confunde com a história da cidade de Natal. Neste sentido, façamos, então, um Circuito Histórico do Alecrim, atenção agencias de turismo, professores, gestores culturais, empreendedores, este é o momento de apresentarmos o antigo Cais do Sertão, como mais uma atração do turismo histórico/cultural, este pode ser o legado da copa para o bairro. Façamos o Circuito Histórico do Alecrim.
            Iniciemos pela Praça D. Pedro II, onde encontra-se, o busto do Imperador, obra do escultor Francisco de Andrade; a igreja São Pedro, construção católica datada de 1919; o Cemitério do Alecrim lugar de repouso, lugar de muita história sobre o ser potiguar, construção de 1856; Escola Estadual Padre Miguelinho, local da sede do primeiro grupo de escoteiro de nossa cidade, guarda um memorial do escotismo Norteriograndense; o Centro de Saúde, lugar do antigo Lazareto da Piedade; Base Naval de Natal, unidade militar, testemunha do período em que Natal transformou-se em Trampolim da Vitória; Templo Central da Assembleia de Deus, erguido no mesmo local, que no ano de 1937, era construído a primeira Assembleia de Deus no Alecrim; Praça Gentil Ferreira, lugar de memória da cidade, palco das grandes manifestações políticas e culturais ocorridas no “palco’ palco do antigo Quitandinha; o Relógio do Alecrim, presente dos Rotaryanos, instalado próximo a Praça, desde 1965 testemunha do tempo, lugar de referencia a quem vai ao Alecrim.
            Alecrim e suas ruas com nomes de tribos indígenas, homenagem aos antigos habitantes de nossas terras potiguares, ruas que teimam, apesar dos tempos, a serem chamadas por números, avenida 1, avenida 2, avenida 3, ... Alecrim dos sábados e sua feira, lugar de sociabilidade, lugar de ouvir, sentir e degustar os sabores da terra.

            Alecrim tem Circuito Histórico, sim senhor!

27 de novembro de 2014

O PRAZEROSO MUNDO DA FAMÍLIA E SEU PORTO SEGURO

Por Flávio Rezende*

                É fato que a valorização das coisas que tem relação com a vida de cada um de nós encontra momentos de pico elevado ou de baixa relevância, de acordo com acontecimentos variados e interesses igualmente múltiplos.
                Quando estamos passando por problemas financeiros, de saúde ou nos sentindo deprimidos, geralmente encontramos na família o melhor porto seguro para jogar nossas âncoras e buscar amparo para suprir essas necessidades.
                Muitos tem a benção de poder contar com irmãos, pais, tios e primos quando a barra fica pesada, enquanto outros, infelizmente, não tem esse maravilhoso oceano amoroso, muitas vezes por culpa própria, já que é comum o alheamento de alguns do seio familiar, buscando guarita neste meio, apenas nos momentos de dificuldade pessoal.
                A obviedade desta introdução termina aqui e, passo a partir deste momento, a compartilhar minha experiência pessoal, no sentido de relatar o meu crescente amor por meus familiares, de uma maneira geral.
                Com nossos pais já chegando a idades avançadas e a necessidade de comunicações constantes para tomada de decisões, vou me aproximando cada vez dos manos, sentindo a cada troca de mensagens pelo WhatsApp um amor brotando e as lembranças da infância retornando, todas permeadas de carinho e com reminiscências maravilhosas de um tempo que lançamos esplendoroso olhar.
                Começo por Júlio, o mais velho, que influenciou meu destino. Lembro dele morando num pequeno apartamento na descida da Ladeira do Sol, sob o de Henfil, curtindo Led Zeppelin, Pink Floyd, Santana, Janis Joplin e me levando para curtir a Redinha, Mãe Luiza e os jogos do ABC, o que fez com que virasse casaca pois torcia pelo América. Até hoje meu gosto musical e minha identificação com o lado mais alternativo da vida, devo a Júlio, sem esquecer a paixão pelo Flamengo, que ele plantou em meu coração.
                Já Leila, tendo ido morar muito jovem em Brasília, guardo a forma sempre carinhosa de tratar todos os assuntos, sua meiguice, uma espécie de mãe, de pessoa confiável e de agradável companhia.
                Fernandinho era o empreendedor de minha infância. Mantinha uma boutique em seu quarto e sempre me tratou como um filho. Temos afinidades espirituais e lembro dele envolvido com o estudo dos extraterrestres, assunto que também me influenciou bastante. É de uma generosidade incrível, estando imediatamente pronto para dar sua colaboração quando necessário.
                Lila era a estudiosa, quieta e, hoje, um vulcão de energia no sentido de curtir a vida. Explora todas as possibilidades de diversão e de alegria, compartilhando largos sorrisos e dando renovado exemplo de maternidade, estando com as crias sempre sob as asas e conduzindo as princesas Marinna e Marianna para os quatro cantos da vida. Temos graciosa amizade, sempre pontuada por risadas e troca de informações.
                Jorge, o mais novo, é um ser que gosto muito. Quando menino era uma pilha, agora mais velho e pai amoroso, é um elogiado profissional da odontologia, travando com ele constantes diálogos sob questões metafísicas e, tendo a oportunidade de tê-lo a meu lado em ações da Casa do Bem, seja como colaborador, seja como eventual voluntário. Gosto muito dele também.
                Esse amor que sinto por todos os meus irmãos, aprofundado, renovado e amplificado cada vez mais, encontra parentesco no mesmo que sinto por minha esposa, filhos e pais. É na família que devemos cultivar os valores humanitários, éticos e religiosos que aprendemos na universidade da vida.
                Lendo com atenção os ensinamentos do educador e mestre espiritual indiano Sathya Sai Baba encontro constantes referências a importância da família para o equilíbrio pessoal e planetário. Sou feliz por ter em todos os quadrantes da minha, o amparo, o carinho, a mão amiga e a palavra amorosa.
                E pela acolhida e companhia constante, agradeço aqui publicamente aos manos, filhos, esposa, pais e demais familiares, toda essa emanação que me fortalece e proporciona as bases para que possa desenvolver dentro do meu ser, o amor necessário para poder fazer parte do mundo, como um ser produtivo e positivo.

 * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)