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25 de fevereiro de 2019

Bloco Cores de Krishna sai sábado no Polo Ponta Negra com mantracatus e afoxés




O sábado de carnaval em Ponta Negra vai ser ainda mais animado com a saída do Cores de Krishna. A concentração será a partir das 15h, na Samosaria Hare (restaurante vegetariano - Av. Praia de Búzios, 9128 – Conjunto Ponta Negra), onde os foliões pintam suas faces e realizam as produções da indumentária indiana, lembrando porém não ser exigido nada neste sentido, sendo o bloco aberto a todas as cores, roupas, fantasias e pessoas.
Após a concentração o Cores de Krishna sairá em cortejo Ratha-Yatra às 16h, em direção a Praça dos Gringos, onde faz performance até 19h.
O Cores de Krishna é composto por devotos de Krishna, simpatizantes e foliões em geral, com presenças confirmadas vindas de: Campina Grande, João Pessoa, Recife, Índia, Caruaru e Fortaleza. Os puxadores são: Vrindavana Dasa (MantraCatu/PE) e Yamunacarya Das Goswami (Natal), além da Banda de Percussão de Pium, com maestro Nathan Medeiros.
O bloco foi fundado pelo escritor e jornalista Flávio Rezende e pelos devotos Nitay Chand e Radha Gopali, 
não tendo venda de camisetas e nem de produtos, bastando aos foliões comparecer e se fantasiar da maneira que gostar, existindo uma predominância pelo uso da cor azul no rosto, temática indiana na indumentária e muita alegria e criatividade.
Algumas alegorias de Krishna, Radha e deidades acompanham o bloco.

Mais informações:
Flávio Rezende – (84) 99902-0092
Nitay Chand – (84) 99637-6680
Radha Gopali - (84) - 99677-5032


21 de fevereiro de 2019

Bloco Bode Expiatório fará sua última prévia carnavalesca








Neste sábado, dia 23, o Bloco Bode Expiatório realiza sua 3ª prévia e última para o Carnaval 2019.
A folia vai ocorrer no Bar de Zé Reeira, na Cidade Alta, reduto tradicional da boêmia e cultura potiguar. Concentração a partir das 16 horas, com a Orquestra de Frevo Banda do Negão, que tem o comando do maestro Willame Medeiros.
A partir das 18h a animação ficará por conta da talentosa cantora Laryssa Costa e Banda com participação especial do cantor Júnior Santhos, que prometem não deixar ninguém ficar parado com um repertório de muito frevo, marchinhas carnavalescas e axé.
Carnaval
A saída oficial do Bloco Bode Expiatório é na sexta-feira de carnaval, dia 1º de março, abrindo a festa em 2019 no Polo Ponta Negra. A concentração é ao lado do Praia Shopping, a partir das 17h, com atração musical. Às 20h começa o percurso pelo corredor da folia, com orquestra de frevo finalizando na Praça Ecológica de Ponta Negra.
É possível adquiri a camiseta do Bloco Bode Expiatório com os organizadores. Informações: 99937-0440 (Henrique) ou
 (84) 99980-3072 (Jaime)

Quem: Bloco Bode Expiatório
O quê: Prévia de carnaval
Onde: Bar do Zé Reeira
Quando: Sábado, 23 de fevereiro
Horário: 16h ás 22h



4 de dezembro de 2017

Tico da Costa, um areiabranquense nos palcos do mundo


Entrevista publicada no Suplemento Cultural "Nós, do RN" com o músico Tico da Costa ( In memoriam ) dezembro de 2008
       
Edson Benigno

          Foi nos palcos da Europa e Estados Unidos que Tico da Costa intensificou e consolidou a sua carreira desde seus 19 anos. Ele compõe suas próprias músicas e é considerado um excelente violonista. Nasceu em Areia Branca, litoral do Rio Grande do Norte. Em Natal, Recife e Roma estudou música. São 16 CDs gravados entre o Brasil, Estados Unidos, Itália e Paraguai. No Brasil, gravou “América Latente”, “Anjo das Selvas” e “Ideal 1”. No ano de 2007 lançou “Choro Suíte” (instrumental) gravado em Nova Iorque e também o seu mais recente CD “Mar”, gravado e produzido na Itália. Fez uma tournée de lançamento na Europa e Estados Unidos, com seu grupo de cordas “Alla Italiana”.
Esse ano ele esteve se apresentando em Brasília, no projeto de 50 anos da Bossa Nova. Mas o seu trabalho é realizado e mais divulgado no exterior.  Em outra ocasião, juntamente com John Patitucci, Paquito D’Rivera, Artur Maia e Toninho Horta, abriu show para João Bosco no Town Hall em Nova Iorque.
Fez vários concertos dividindo palco com Pete Seeger (Guantanamera), e o compositor minimalista Philip Glass. Sua forte presença no palco induz espontaneamente a platéia a participar cantando suas canções. E isto ocorre em Berlim, Colônia, Roma, Paris, Natal, São Paulo, Buenos Aires, Nova Iorque - Blue Note,  Kniting Factory e nos festivais de renome como o New Port Festival, New York Jazz, Celebrate Brooklyn Festival.
NÓS DO RN - Como surgiu o apelido Tico da Costa e sua descoberta musical?
Tico da Costa - Meu nome é Francisco das Chagas da Costa. Nasci em Areia Branca e lá em casa todos me chamavam de Titico. E quando comecei a tocar e que tive a certeza que seguiria a carreira musical, tive várias dúvidas sobre o meu nome artístico, pensando em Francisco da Costa, Chico da Costa, mas só na Itália resolvi optar definitivamente por  Tico da Costa. A descoberta musical aconteceu quando uma irmã minha  ganhou um violão de presente. Ao todo tenho 15 irmãos. E a gente fazia literalmente uma fila pra tocar. Meus primeiros acordes aprendi com o meu pai Dijesu Paula e com Mirabô Dantas, que vivia pelas ruas de Areia Branca. Eu olhando, perguntando, enquanto Mirabô fazia aqueles acordes de dissonância.  Eu e meus irmãos só olhando já aprendíamos. Era a maior briga em nossa família, mas a gente trocava figurinha e ensinava um a outro. Desde que aprendi os primeiros acordes, comecei a compor. Eu tinha 13 anos de idade e já fazia letra e música .
NÓS DO RN – Depois de aprender a tocar violão você veio para Natal?
Tico da Costa – Sim. Quando saí de Areia Branca eu vim para Natal com 15 anos de idade.  A minha intenção era estudar, começando por me matricular na Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte-ETFRN. Comecei a participar de festivais e me envolver mais ainda com a música. Eu tinha até algumas canções com algum valor estético. Eu ouvia naquela época muito Edu Lobo, cantando nos festivais e eu tentava fazer parecido, mas muitas das letras que eu escrevia, nem eu mesmo entendia o significado. Também naquela época eu cantava música de Roberto Carlos, Jerry Adriani e muito iê-iê-iê. Eu chegava aos clubes e me oferecia pra cantar.  Além do repertório conhecido eu incluía uma ou duas das minhas músicas também. Lembro de uma ocasião em que me apresentei na Lagoa Manoel Felipe, em um programa de rádio, produzido por Jota Belmont, o qual era transmitido para todo o RN.
NÓS DO RN - Você passou quanto tempo em Natal?
Tico da Costa - Fiquei dos 15 aos 19 de idade. Neste período conheci a professora de artes da ETFRN Lourdes Guilherme. Depois que ela ouviu umas de minhas composições, se ofereceu para conseguir uma bolsa na Escola de Música. E conseguiu.  Como não tinha uma vaga para violão, passei a estudar contrabaixo. Depois consegui transferência para Recife e lá estudei violão clássico. Também em Recife fiz parte de um grupo ligado á igreja católica e fazíamos shows pelo Nordeste todo, tanto nas capitais como nos municípios do interior. O grupo chamava-se Gen Cântico Novo, pertencia ao chamado Movimento Focolares.
NÓS DO RN- Depois de Recife você foi para Itália; como foi este salto para Europa?
Tico da Costa - Certo dia um pintor italiano foi expor em Recife. A exposição tinha 21 quadros. Olhei todos eles e propus para nós dois fazermos uma mistura de show com exposição.  Falei que comporia uma música para cada quadro. Ele fotografaria cada uma das telas e projetaria na parede através de slides, enquanto eu cantava.  Sugeri a ele que assim seria mais fácil para vender as suas obras. Na mesma hora um amigo meu me disse que eu só sairia dali depois que compusesse todas as músicas. Consegui e poucos dias depois eu estava cantando na exposição. Foi um sucesso. O pintor disse que quando eu fosse à Itália o avisasse que fazia o mesmo em Milão, Gênova e Turim. E assim aconteceu. Fui a Roma com 21 anos de idade participar de um Congresso Internacional de Jovens. A idéia era passar um mês. Comecei a tocar e cantar e aí insistiram para que eu permanecesse mais tempo. Fiquei cinco meses e gravei três compactos. Isso foi em 1972.
NÓS DO RN - Como foi sua vida musical  na Itália?
Tico da Costa - Lá gravei esses compactos. Não de forma independente, foi através de uma editora chamada Cittá Nuova. Eles até publicaram uma revista que incluía uma reportagem de várias páginas comigo, com direito a foto na capa e tudo mais. O texto contava minha trajetória, desde o primeiro show em Grossos. Ainda nesta viagem fui ao encontro do pintor que tinha conhecido em Recife e fizemos vários concertos misturados com exposição. Outra coisa importante na Itália foi eu ter descoberto, sem querer, como é ser um showman.  Não é fácil chegar como cheguei diante de 700 pessoas, por exemplo, só com um violão e um microfone.  E as pessoas cantando minhas músicas em português.
NÓS DO RN - Fale da sua relação com contatos importantes que teve na Europa?
Tico da Costa - Um contato importante foi com a Lina Wertmuller. Ela é a felina feminina. É muito estimada nos Estados Unidos, chega a ser idolatrada. O fato de eu ter composto música com ela me rendeu muita credibilidade nos Estados Unidos.  Em determinada ocasião, surgiu a oportunidade de fazer na Itália a trilha sonora para um filme que ela dirigiria.Era o filme Tieta do Agreste, com Sophia Loren e grande elenco. Eu também estava escalado para fazer uma cena, como ator, tocando uma música. O problema é que quem estava financiando era Roberto Calvi, do Banco Ambrosiano. Só que antes dos contratos assinados ele apareceu enforcado e o filme foi para o espaço. Na mesma época Sara (hoje minha esposa, naquele período minha noiva) tinha decidido fazer faculdade no Rio de Janeiro. Com o fracasso do filme, antecipei minha volta ao Brasil. Com residência fixa no Rio, passei a viajar pela Europa para fazer meus shows.  Gravei um CD nos Estados Unidos, chamado Brasil Encanto. Nessa mesma época conheci uma pessoa que representou muito para minha carreira: Philip Glass, um músico que é considerado um pop star e autor de trilhas sonoras na história do cinema.
NÓS DO RN -  Você também se apresentou no programa Jô Soares?
Tico da Costa. Sim, quando ele ainda estava no SBT.  Fui eu quem apresentou Philip Glass ao diretor de teatro Gerard  Thomas, quando morava no Rio de Janeiro. Eles ficaram amigos. Gerard foi quem sugeriu meu nome a produção do programa do Jô. Nessa época eu morava no Paraguai. Pagaram passagens e tudo, foi muito bom.  Cantei quatro músicas no Jô e ele embasbacou de rir com as minhas canções. Isso foi em 1996.
NÓS DO RN – E sua discografia, o que ela inclui?
Tico da Costa – Minha discografia enriqueceu muito depois que gravei nos Estados Unidos o meu primeiro CD Brasil Encanto.  O salto foi maior ainda depois de setembro de 2005, quando lancei nos Estados Unidos e na Europa os discos Lagartixa e Choro Suíte. Fiz muitos shows pela Europa divulgando esses dois trabalhos.  Tenho 16 discos gravados, incluindo elepês, compactos e CDs. Mais relevante do que gravar é conseguir uma boa distribuição para seu trabalho.


11 de setembro de 2017

MÚSICA POPULAR BRASILEIRA



Severino Vicente

Para compreendermos a riqueza de ritmos e melodias contidos na música popular brasileira, num país de proporções continentais, é necessário um olhar que remonte há duzentos anos atrás, onde estão fincadas suas raízes. As cidades de Salvador e Rio de Janeiro, os centros mais adiantados do Brasil à época, são responsáveis pelo surgimento dos primeiros gêneros musicais brasileiros. A modinha e o lundu.
A modinha é um gênero musical de origem ibérica que ganhou prestígio no final do século XVIII nos salões da nobreza portuguesa, sofrendo influência da valsa, saiu do popular para o erudito. Entre os seus mais importantes compositores destacamos o Padre José Maurício e Carlos Gomes, autores das famosas modinhas “Tão longe de mim distante” e “Suspiros d’Alma”.
O lundu, uma dança de negros, marcada pela ironia e umbigada. Conseguiu se afirmar com o compositor Domingos Caldas Barbosa, alcançando os salões da fidalguia da metrópole. Este ritmo saltitante foi sucesso e proporcionou fortuna a compositores como Francisco Manuel da Silva, autor do Hino Nacional, com o “Lundu da Marrequinha”.
Do lundu originou-se o choro no Rio de Janeiro, com músicos que se reuniam para alegrar festas em casas de família. Davam arranjos às melodias à sua maneira, tocando em estilo chorado que eram denominados de “chorões” pela população. Um dos mais importantes compositores de “chorinhos” foi Vila-Lobos, participante assíduo dessa confraria.
Estávamos no final do século XIX quando surge a consagrada Chiquinha Gonzaga, a “Vovó da música popular brasileira”, primeira mulher no Brasil a participar de um grupo de chorões com sua famosa marcha “Ó abre alas”, inspirado nos ritmos da musicalidade negra que deu ao carnaval carioca algo de inconfundível.
O objetivo do grupo dos chorões era adaptar esses ritmos a uma tendência puramente brasileira, começando com o maxixe na década de 1920, substituído pelo samba, espalhando-se pelos centros urbanos como música típica dos brasileiros com Ernesto dos Santos (Donga) através do sucesso “Pelo telefone”. A partir daí o país é invadido por este contagiante ritmo musical originado do batuque dos negros e que tem no compositor mineiro Ary Barroso um dos principais protagonistas na década de 1940: “No tabuleiro da baiana” e “Aquarela do Brasil”, sucesso absoluto na voz inconfundível de Carmem Miranda. O samba chegou ao morro carioca, conquistou as avenidas iluminadas e, através das escolas de samba, tornou-se a maior atração do carnaval carioca e contagiou o Brasil.
Derivada de ritmos negros do carnaval carioca surge a marcha, “Ó abre alas”, de Chiquinha Gonzaga. Samba e marcha no século passado ganharam prestígio e sucesso com aparecimento do rádio e das gravadoras de discos, com músicos e compositores oriundos da classe média que se apossaram desses ritmos para encher o Brasil de alegria, ginga e boemia. Eram marchinhas, marcha-rancho, samba-canção, samba de breque, samba-choro, tendo Pixinguinha como um dos seus mais autênticos representantes. “Carinhoso”, quem não canta? Um clássico: “Meu coração/ não sei por que/ Bate feliz/ quando te vê (...)”.
Outros valores sacodem o Brasil, vou citar apenas alguns: Noel Rosa, “O orvalho vem caindo”, “Estrela d’alva”; Zequinha de Abreu, “Tico-tico no fubá”; Lamartine Babo, “O teu cabelo não nega” e “Juju balangandans”; Ataulfo Alves, “Saudades da Amélia”; Joubert de Carvalho, “Maringá”. Apesar de existir outros grandes nomes vou ficando por aqui com o Zé Kéti e sua “Mascara Negra”, Dorival Caymi e suas melodias inesquecíveis: “Marina, Morena você se pintou”.
Depois vem a Bossa Nova, o Tropicalismo, os ritmos afro-americanos e, nos dias atuais
o brega popularesco. “Você não vale nada/ Mas eu gosto de você”. “O Garçom tá doido/ Botou água na cachaça/ Garçom baitola, garçom baitola (...)”.



23 de fevereiro de 2017

MARCHINHAS

 

MIRANDA SÁ
 
“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho”. (Carlos Drummond De Andrade)

Acho que foi o diabo quem inventou essa história do “politicamente correto”. No carnaval é que se vê que esta barbaridade está na contramão da alegre confraternização social. Lembrando que é a inversão de valores que domina os temas carnavalescos.
Essa desgraça que se abateu sobre o mundo é a razão do fim das marchinhas políticas, caricaturais, denunciantes e de protesto. Na minha juventude cantei e gravei marchinhas do desabafo popular, começando por “DAQUI NÃO SAIO” de Paquito e Romeu Gentil.
Lembrando a agonia de despejo forçado pela modernização urbana do Rio de Janeiro, cantamos “Daqui ninguém me tira/ Onde é que eu vou morar/ O senhor tem paciência de esperar/ Inda mais com quatro filhos/ Onde é que vou parar? ”
Os protestos da época induziram uma nostalgia pelo governo de Getúlio Vargas e os compositores Haroldo Lobo e Marino Pinto “estouraram” no carnaval de 50 com “RETRATO DO VELHO” fazendo o povo cantar: “Bota o retrato do velho, outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho/ Faz a gente trabalhar”.
Eleito Getúlio, o Rio de Janeiro sem autonomia política, sofria problemas estruturais, o que levou Vitor Simon e Fernando Martins a comporem “VAGALUME”, o protesto uníssono dos cariocas: “Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz. ” Sobre o mesmo tema, apareceu em 1954 “TOMARA QUE CHOVA”, de Romeu Gentil e Paquito: Tomara que chova/  Três dias sem parar (bis)/ A minha grande mágoa/ É lá em casa não ter água/ E eu preciso me lavar”…
Na minha velha cabeça sempre achei que as marchinhas traduziam o contentamento coletivo do reinado de Momo… E são insuperáveis. Há pelo menos umas 100 que se tornaram clássicas, e hoje mais fortes do que nunca pela bestialidade das proibições.
A mais antiga, e ainda cantada, é a “ABRE ALAS” da inolvidável Chiquinha Gonzaga. E vieram depois com a força da tempestade “LINDA MORENA” (Lamartine Babo), PIERROT APAIXONADO (Noel Rosa E Heitor Dos Prazeres) e “MAMÃE EU QUERO” (Jararaca e Vicente Paiva).
Me perdoem os “politiqueiros corretos” que não passam de uma tomografia computadorizada da imbecilidade reinante entre os que se autodenominam de “vanguarda”. Adoro “O TEU CABELO NÃO NEGA”, de Lamartine Babo; a MULATA É A TAL” (Braguinha-Antônio Almeida) e “NEGA MALUCA” (Fernando Lobo-Evaldo Rui). Procuro e não acho racismo nas letras destas canções.
Tampouco encontro misoginia e preconceitos em “ALLAH-LÁ-Ô” (Haroldo Lobo-Nássara), “AURORA” (Joel e Gaúcho), “NÓS OS CARECAS”, “MARA ESCANDALOSA”, “SASSARICANDO”, “BALZAQUEANA”, (Wilson Batista) e “CABELEIRA DO ZEZÉ”.
Ainda lembrando os protestos, tivemos “PRAÇA ONZE”, “ZÉ MARMITA”, “ACENDE A VELA”, “TOMARA QUE CHOVA”. Mas quando o romantismo aflorava, entoávamos “TAÍ” (Joubert de Carvalho) e “QUEM SABE, SABE” (Jota Sandoval-Carvalhinho).
Sob o domínio da alegria pura, dançávamos com a CHIQUITA BACANA” (Haroldo Lobo e David Nasser), “TOURADAS EM MADRI” e “YES, NÓS TEMOS BANANA” (Braguinha e Alberto Ribeiro). “SACA-ROLHA” (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ” (Ivan, Homero e Glauco Ferreira) e “CACHAÇA”(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato).
Dito isto, vê-se que abomino o “politicamente correto”, que não passa de uma “PIADA DE SALÃO” (Klecius Caldas e Armando) …

2 de dezembro de 2016

Bloco Bode Expiatório

 
   Associação Recreativa, Cultural e Carnavalesca Bloco Bode Expiatório nasceu em 2015 para expurgar todos os males durante o carnaval. Da junção de um grupo de amigos e amigas foliões de diversos blocos carnavalescos da Zona Sul de Natal.
    O objetivo principal é fomentar a cultura local, lembrando que o Carnaval é uma das poucas manifestações populares que agrega o turista durante o período do festejo de Momo.
    O Bloco Bode Expiatório não recebe ajuda de nenhum ente público, isso inclui a prefeitura da Cidade do Natal. Sobrevive com a realização de eventos durante o ano todo, como festa de São João, luau, rifas e doações dos associados. Assim, “colocar o bloco na rua” tem um custo e cobrir essas despesas só é possível com a ajuda dos simpatizantes do carnaval de rua.
    Enfatizamos que todos os recursos são revertidos em prol das atividades culturais do bloco, sendo o carnaval seu evento principal. Todos os associados são voluntários e nosso intuito é promover a cultura, incentivando a arte e o comércio local.
   Natal já deteve o título de “terceiro maior carnaval do país”. O mesmo entrou em declínio com a tragédia do Baldo em 1984, o que contribuiu para que o evento fosse excluído do calendário e da “memória” da população local. No entanto, a partir de 2006 a prefeitura iniciou um projeto para revigorar o carnaval de Natal, importando a ideia de Recife. Foram criados polos de carnaval em alguns pontos da cidade (Redinha, Ribeira, Centro Histórico e Ponta Negra), nos quais a Prefeitura cede apoio à instalação de palcos e a contratação de cantores e bandas locais.
   Os blocos da Zona Sul começaram a desfilar, por acaso, há uma década atrás. O objetivo era o de animar o bairro, carente de movimentação festiva nesses dias. A ideia foi tomando corpo e agregando cada vez mais pessoas, até ser incorporada no calendário oficial do período festivo da cidade. Há assim, um mercado a ser explorado, uma vez que o movimento de Blocos Carnavalesco vem crescendo em todo o país.
   O Carnaval da Cidade do Natal/RN, cresceu nesses últimos anos, e tem nos Blocos Carnavalescos de Rua um dos seus principais aliados. Fenômeno esse que não é exclusivo da Cidade do Natal, mais de várias outras, que encontrou nos blocos, o combustível para o renascimento de seus carnavais.
São os blocos de rua que todos os anos arrastam milhares de pessoas, sejam moradores locais ou turistas que visitam a cidade nesse período de Folia de Momo.
   O Bloco Bode Expiatório no seu Segundo ano, vem com uma proposta ousada para o Carnaval 2017, escolheu como tema o ¨Mundo Maravilhoso do Circo¨. O desafio é resgatar o lado lúdico dos foliões, uma mistura mágica entre o universo de encantos e descobertas do circo com a alegria do carnaval.
   Todos são convidados a mergulhar nesse mundo, onde Carnaval e Circo se fundem, e o resultado dessa mistura não poderia ser outro, senão a Alegria.
  “O BODE FAZ PEGAR FOGO NO CIRCO DA FOLIA”
O Carnaval 2017 do Bloco Bode Expiatório é realizado em várias etapas. Começamos com as Prévias Carnavalescas:
   JANEIRO/2017 
- Dias 14 e 28: (BAR)ATONA DO BODE -  os foliões percorrem bares próximos uns dos outros, daí a expressão “baratona”. Este evento consiste numa parceria do Bloco com diversos Bares Locais, onde toda comunidade é convidada a participar dessas prévias carnavalescas regadas a muito frevo e marchinhas,
   FEVEREIRO/2017
- Dias 04,11 e 18: ENSAIOS DO BLOCO -  Ensaio da folia, com a música temática, conduzida pela Orquestra de Frevo contratada, em local público a ser definido, com a presença dos foliões e púbico em geral para aquecer os ânimos para grande apresentação.
- Dia 24: DESFILE DO BLOCO –A partir das 18 horas, com concentração em frente ao Estacionamento do Praia Shopping, já dentro do corredor da folia, onde seus foliões se aglomeram, para iniciarem os Festejos de Momo e abrir o carnaval de blocos no Polo de Ponta Negra. Teremos a recepção dos foliões com a Orquestra e ballet de Frevo, onde terão a oportunidade de aplicar pinturas e adereços relativos ao tema, para às 20 horas, seguirem em direção ao Palco Principal do Carnaval da Zona Sul (Praça Ecológica de Ponta Negra ou Praça dos Gringos). O corredor da folia é o momento de apresentação do Bloco, animados pela musicalidade de Orquestra de Frevo de 15 músicos, que durante todo o percurso executam frevos e marchinhas alusivas ao carnaval, promovendo uma grande confraternização por todo o trajeto.

23 de novembro de 2016

MÚSICA POPULAR BRASILEIRA


 Severino Vicente

Para compreendermos a riqueza de ritmos e melodias contidos na música popular brasileira, num país de proporções continentais, é necessário um olhar que remonte há duzentos anos atrás, onde estão fincadas suas raízes. As cidades de Salvador e Rio de Janeiro, os centros mais adiantados do Brasil à época, são responsáveis pelo surgimento dos primeiros gêneros musicais brasileiros. A modinha e o lundu.
A modinha é um gênero musical de origem ibérica que ganhou prestígio no final do século XVIII nos salões da nobreza portuguesa, sofrendo influência da valsa, saiu do popular para o erudito. Entre os seus mais importantes compositores destacamos o Padre José Maurício e Carlos Gomes, autores das famosas modinhas “Tão longe de mim distante” e “Suspiros d’Alma”.
O lundu, uma dança de negros, marcada pela ironia e umbigada. Conseguiu se afirmar com o compositor Domingos Caldas Barbosa, alcançando os salões da fidalguia da metrópole. Este ritmo saltitante foi sucesso e proporcionou fortuna a compositores como Francisco Manuel da Silva, autor do Hino Nacional, com o “Lundu da Marrequinha”.
Do lundu originou-se o choro no Rio de Janeiro, com músicos que se reuniam para alegrar festas em casas de família. Davam arranjos às melodias à sua maneira, tocando em estilo chorado que eram denominados de “chorões” pela população. Um dos mais importantes compositores de “chorinhos” foi Vila-Lobos, participante assíduo dessa confraria.
Estávamos no final do século XIX quando surge a consagrada Chiquinha Gonzaga, a “Vovó da música popular brasileira”, primeira mulher no Brasil a participar de um grupo de chorões com sua famosa marcha “Ó abre alas”, inspirado nos ritmos da musicalidade negra que deu ao carnaval carioca algo de inconfundível.
O objetivo do grupo dos chorões era adaptar esses ritmos a uma tendência puramente brasileira, começando com o maxixe na década de 1920, substituído pelo samba, espalhando-se pelos centros urbanos como música típica dos brasileiros com Ernesto dos Santos (Donga) através do sucesso “Pelo telefone”. A partir daí o país é invadido por este contagiante ritmo musical originado do batuque dos negros e que tem no compositor mineiro Ary Barroso um dos principais protagonistas na década de 1940: “No tabuleiro da baiana” e “Aquarela do Brasil”, sucesso absoluto na voz inconfundível de Carmem Miranda. O samba chegou ao morro carioca, conquistou as avenidas iluminadas e, através das escolas de samba, tornou-se a maior atração do carnaval carioca e contagiou o Brasil.
Derivada de ritmos negros do carnaval carioca surge a marcha, “Ó abre alas”, de Chiquinha Gonzaga. Samba e marcha no século passado ganharam prestígio e sucesso com aparecimento do rádio e das gravadoras de discos, com músicos e compositores oriundos da classe média que se apossaram desses ritmos para encher o Brasil de alegria, ginga e boemia. Eram marchinhas, marcha-rancho, samba-canção, samba de breque, samba-choro, tendo Pixinguinha como um dos seus mais autênticos representantes. “Carinhoso”, quem não canta? Um clássico: “Meu coração/ não sei por que/ Bate feliz/ quando te vê (...)”.
Outros valores sacodem o Brasil, vou citar apenas alguns: Noel Rosa, “O orvalho vem caindo”, “Estrela d’alva”; Zequinha de Abreu, “Tico-tico no fubá”; Lamartine Babo, “O teu cabelo não nega” e “Juju balangandans”; Ataulfo Alves, “Saudades da Amélia”; Joubert de Carvalho, “Maringá”. Apesar de existir outros grandes nomes vou ficando por aqui com o Zé Kéti e sua “Mascara Negra”, Dorival Caymi e suas melodias inesquecíveis: “Marina, Morena você se pintou”.
Depois vem a Bossa Nova, o Tropicalismo, os ritmos afro-americanos e, nos dias atuais, o brega popularesco. “Você não vale nada/ Mas eu gosto de você”. “O Garçom tá doido/ Botou água na cachaça/ Garçom baitola, garçom baitola (...)”.



4 de novembro de 2014

O primeiro dvd de Dudé


                             Anchieta Fernandes

Em uma próxima vaga na Academia Norte-riograndense de Letras, bem que poderia ser eleito por unanimidade – mesmo sem ele próprio ter se candidatado – o compositor, cantor, humorista e tão poeta nas letras de suas músicas Dudé Viana (José Viana Ramalho ou JoséFilho). Vocalista e instrumentista talentoso, este caraubense já fez shows em nosso Estado, em João Pessoa, Recife, Fortaleza, no Rio de Janeiro, no norte do país e, internacionalmente, no Chile. Antes da era dos cds, gravou o compacto duplo “Seca no Sertão” (1980) e o lp “Embaixo das Estrelas” (1987). O seu primeiro cd foi “Violas e Cantigas” , gravado em 1997. Depois, gravou o cd “Acredito em Você”.
Em 2013, lançou o seu primeirodvd, uma obra primorosa, linda pelas letras e músicas, com alguns toques informativos sobre a vida do músico/poeta, e sobre a terra norte-riograndense, e com o título “O andarilho das canções Dudé Viana & amigos”. É bom ressaltar que as imagens do dvd destacam a beleza da paisagem norte-riograndense (praias, o Morro do Careca, a Serra do Lima, a vegetação atual do sítio Poço Redondo, do município de Caraúbas, onde ele nasceu), fixando  também certos aspectos dos costumes tradicionais do povo, como a procissão dos vaqueiros na Festa de São Sebastião, padroeiro da paróquia de Caraúbas.

Mas é bom lembrar também que este é um dvd não exageradamente regional, pois, gravado no Rio Grande do Norte, em Amapá, no Rio de Janeiro e em Brasília, tem títulos como “Morena de Macapá” (parceria com Paulo Gurgel) e “Brasília, a Menina” (parceria com Roberto Homem). É um dvd brasileiro, acima de tudo. Consequentemente, é bom ouvi-lo e vê-lo, prestar atenção às letras (para apreciá-las como puros poemas, sejam as do próprio Dudé, como por exemplo “Olhos de Cristal”; ou as das parcerias com bons poetas, como “Ah! Se eu fosse um poeta”, com Salete Pimenta Tavares, ou “O Pilão Sertanejo”, com o poeta e folclorista Deífilo Gurgel.

Podemos apreciar na obra musical de Dudé o ecletismo. Ele é cósmico em “O Brilho das Estrelas” (“se todo mundo olhasse as estrelas/não perderia a fé no criador”)e romântico em “Olhos de Cristal”(“moça bonita/dos olhos de cristal/menina do Leblon/te levo pra Natal/nas dunas coloridas/da praia de Tibau/a gente faz amor/no imenso coqueiral”); mas também é erótico em “O andarilho e Clarisse”(“ela me provocava/tirando a roupa e deixando no chão/passei a beijá-la num ritmo frenético”), além de apresentar a filosofia de auto-ajuda em “Toque a Vida” (“Toque a vida, viva/viva o amor e saiba porque/viver é se soltar e sair na chuva”).

Uma coisa a ressaltar também neste primeiro disco/imagem e som na tecnologia dvd (sigla de digital vídeo disc, tecnologia de comunicação em imagem e som inventada nos Estados Unidos, no começo do século 21)de Dudé é a homenagem a certos profissionais da sociedade nordestina: vaqueiros (“Nas rédeas do vaqueiro”), a catadora de mangaba (“Xote da Mangaba”), a piladora de pilão (“O pilão sertanejo”), o jangadeiro (“Canção do jangadeiro”), o violeiro (“Cantoria na Mata”). Aliás,como disse Roberto Homem, Dudé vem de uma linhagem de cantores inspirados em violeiros e cantadores, como Elomar, Vital Farias , Xangai e outros.

Não por acaso, o cenário da faixa “O poeta do povo” aproveita as telas ilustradas como cenário de fundo (por trás dos músicos), utilizando desenhos calcados em capas de folhetos de cordel. Aliás, os cinegrafistas filmadores das imagens exteriores são gente que sabe captar muito bem a beleza do meio ambiente que os cantadores de cordel também vivem e cantam. O trabalho de câmera de Cruzeiro Vídeo é muito bom. Como também o é o trabalho de edição a cargo de Vlademir Almeida (um exemplo claro de sua inteligência e criatividade: o movimento de sobreposições alternativas de planos na apresentação da música “Seca no Sertão”).

Em contraste, o que dizer do jeito de cantar de Dudé? Ele tem uma voz muito boa, harmônica, melodiosa (sai-se até muito bem no vocalizo de antes e depois de cantar a letra de “A Ponte”, que é um poema de Zila Mamede); sabe encadear a harmonia estendendo-a à procura do encaixe modal à letra de “Ah!se eu fosse um poeta”, que é um poema de Salete Pimenta Tavares não feito originalmente para ser musicado. Mas, justamente por se inspirar no cantador de cordel, Dudé não desenvolvemuito o cromatismo da escala tonal, fica muito na fronteira do meio tom, entre o som agudo e o grave. Também não tem muita versatilidade no que diz respeito ao comportamento corporal de palco.

Ele é muito diferente de Jair Rodrigues, que deixava os câmera-men dos shows de televisão doidos, tontos, sem saber como acompanharem a figura do cantor para captar a sua imagem, ele correndo, deslisando de um lado para o outro do palco, balançando a cabeça, saltando, mexendo os braços, fazendo ginástica, plantando bananeira. Dudé é muito parado. Talvez seja o estilo imutável dele. Mas, por exemplo, na apresentação da música “Festa na casa dos Carneiros”, ele poderia ter aproveitado todas aquelas pessoas que se banhavam na piscina do Olho D’Água Park Hotel, e puxado uma verdadeira ciranda festiva, todos cantando e pulando, com alegria no rosto, acompanhando o cantor.
Mas, afinal o dvd é uma antologia de shows, e vale a pena destacar o melhor destes shows. É emocionante, por exemplo, a “Canção para Tico da Costa”, homenagem de Dudé e Nildo Santos ao cantor areia-branquense falecido em 2009. Na canção, a belíssima voz de Camila Salinas faz parceria, cheia de ternura, com o cantor,que ao final deixa no ar um belíssimo improviso com o seu violão. Emocionante também é, na faixa 18, uma parte falada, não cantada: antes de Dudé cantar a “Canção do Jangadeiro”, conversa com o pescador Cássio Carlos de Lima, que narra a triste história do seu pai, que morrera à deriva, em cima de uma jangada.

.No dvd, a característica de ser aquilo, ter aquela simpática alcunha que Tarcísio Gurgel lhe botou (“o andarilho das canções”), fez Dudé ser um ótimo documentarista visual de peculiaridades de diversas regiões brasileiras, seja, por exemplo, nos estilos arquitetônicos de templos religiosos (v. a propósito a fachada quase barroca da Igreja Matriz de Caraúbas, e a fachada modernista, niemayeriana da Catedral de Brasília), ou nas tipicidades do vestuário (o vestuário do vaqueiro nordestino, marcado pela utilização da indústria do couro; ou os trajes de cores fortes das apresentações do Grupo de Marabaixo Tia Sinhá, de Macapá, Amapá).

Além destes aspectos arquitetônicos e de vestuário, tem a ilustração dramática de uma lenda indígena nordestina, a partir de um poema de Aucides Sales: “Cantofa e Jandi”. É uma peça artística no gênero romance de cordel,de que fala Câmara Cascudo no “Dicionário do Folclore Brasileiro”. “Foram poemas feitos para o canto nas cortes e saraus aristocráticos, e não a poesia democrática e vulgar, feita para o povo. No século XVI, a recriação foi um processo de acomodação ao gênio popular.”Interessante observar como temos verdadeiras vocações para a interpretação. Lúcia Tavares no papel da índia Cantofa, e LadjaLaysla no papel de sua neta, a mocinha índia Jandi, trabalharam muito bem.

A equipe de produção dos shows e do dvd não trabalhou muito efeitos especiais. Apenas mostrou ser muito eficiente o efeito da fumaça em “Nas asas daTam”, construindo imagens que lembram nuvens desgarradas, em formatos que os aviões da empresa aérea atravessam, transportando passageiros do Nordeste para o Norte, ou para o Sul, e vice-versa na viagem de volta. Dentre eles, alguns que esperaram Dudé para fazerem acompanhamento ao cantor e instrumentista; alguns, aliás, excelentes músicos, como o sanfoneiro caraubense Caçula Benevides, o conjunto jovem Meirinhos do Forró, outro violonista que é Raimundo Amoedo, acompanhando Dudé no show em Mar. Hermes.

O dvd “O andarilho das canções Dudé Viana & amigos” é um objeto de arte enriquecido por diversos fatores de valoração. As letras das músicas divulgama poética do humano, desde o preâmbulo, antes mesmo do filme começar a se desenvolver faixa por faixa. Com a imagem do cantor parada, sobre palavras indicativas do roteiro do filme (principalmente as cidades de Natal, Macapá, Rio de Janeiro e Brasília), se ouve a voz do cantor (que foi vítima de um infeliz erro judiciário, passando mais de um ano preso sem culpa), cantando um hino alegre à sua vitória na liberdade: “Voa minha liberdade/não existe mais prisão/depois do bem da vida/o bem maior é a liberdade.”

É um dvd muito detalhista, inclusive na densidade da identidade familiar, aparecendo fotograficamente familiares de Dudé, contando-se o seu pai vaqueiro José Daniel Carneiro, mãe, irmãos, sobrinhos, primos, tios, toda uma constelação familiar. Não é algo negativo não. É até uma espécie de colaboração informativa. Afinal, Dudé já enobrece o nome familiar com sua arte, ao lado da Condessa Laly Carneiro, do padre Benevides (que foi superior dos jesuítas na região), do vereador Antonino etc. Me lembrou o dvd que o astro da música country americano Willye Nelson gravou, em 2001, justamente com familiares na capa.

Muitos outros elementos valorativos podem se encontrar neste bonito dvd tão potiguar, tão criativamente potiguar. No passar das imagens, o exílio do nosso olhar, de filhos do sertão obrigados a contemplar a seca e dura paisagem de prédios, pontes altas e passarelas cheias de gente agoniada e preocupada com os problemas urbanos, se reconcilia com a também seca mas suave ao nosso coração paisagem do sertão, da galharia da caatinga, e dos grandes pátios das fazendas onde se realizavam as vaquejadas.No comunicar das letras, a força das mensagens (“Por que não paras, motosserras/e as queimadas nas florestas”).E a poesia pura (“passarinhos construtores, castores”).


Finalmente, uma última coisa a elogiar no dvd é a apresentação dos créditos, ao final, quando os nomes vão subindo na tela bem devagarinho, dando tempo ao espectador ler tudo, e não como ocorre em certos dvds ou até em filmes hollywoodianos, num total desrespeito à mostragem dos nomes. Aqui ficamos sabendo que as tão bonitas imagens deste dvd foram devidas à competência de gente como Thiago Praxedes Amorim, Josiene Santos, Roque de Sá etc. Felicidade aqui no sertão tem nomes e nomes, mas é principalmente Dudé Viana. O andarilho das canções. Mostrando poesia por diversos cantos do país, sob o olhar atento de Cruzeiro Vídeo.