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12 de dezembro de 2019

Quem viu Jesus Menino?





Anchieta Fernandes

            Há mais de 2000 anos um certo Galileu foi preso, torturado e executado na cruz, dando origem a uma religião que inequivocamente influenciou a cultura humana em termos de moral e fé, arte e hábitos litúrgicos e sociais. Ele foi Jesus Cristo, e a religião o Cristianismo, que embora ameaçada pela força que outras religiões vem adquirindo (islamismo, judaísmo, hinduísmo), ainda detém o maior número de seguidores, em suas diversas vertentes (católicos ocidentais ou ortodoxos, e as várias denominações nascidas com a reforma protestante empreendida por Martinho Lutero no século dezesseis – 16).
            O personagem Jesus Cristo tem fascinado milhões de pessoas. Algumas afirmam terem sido agraciadas com a visão dele (crucificado ou não), entregando-lhes uma missão de divulgação da fé e do seu mandamento maior: “amai-vos uns aos outros”. Historicamente, segundo registros desde os evangelhos, pode-se crer que, após a sua ressurreição no terceiro dia após a crucificação, ele apareceu primeiro a Maria Madalena e Maria mãe de Tiago. Depois, aos discípulos de Emaús, e por fim ao resto dos discípulos, reunidos em Jerusalém. O continuar da história do Cristianismo descreve outros aparecimentos.
            Alguns dos mais importantes foram direcionados a Santa Margarida Maria Alacoque, que numa sexta-feira de 1673 viu Jesus diante do Sacrário. Pelos dois anos a seguir, toda primeira sexta-feira do mês, ele lhe apareceu. Numa das vezes, mostrou-lhe o coração rodeado de espinhos, e uma chama sobre a ferida no peito, e disse: “Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes seu amor, e, em troca, recebe da maior parte senão ingratidões, irreverências, sacrilégios, friezas e desprezos”. Daí, ela passou a ter a iniciativa de criar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
            Não se tem certeza sobre a data de nascimento de Jesus Cristo. Mas muitos povos, em vários países, convencionaram que ele teria nascido na passagem de uma noite de 24 para o dia 25 de dezembro. E está aí, nas artes, nas comemorações folclóricas e nas celebrações litúrgicas das grandes catedrais e basílicas, ou humildes capelinhas, o nascimento desta criança, deste Menino Jesus levado a um destino ao mesmo tempo trágico e glorioso, objetivando ele ser assassinado pelos homens que ele “salvou”, segundo a religião, justamente por se submeter a esta morte violenta, quando, sendo Deus, teria capacidade de evitá-la.
            Quem foi que viu Jesus Menino, ao vivo, ou através de aparições espirituais? Quem primeiro o viu, recém-nascido, bebê, numa manjedoura, entre animais, foram seu pai adotivo José e sua mãe biológica Maria. Depois, foi a vez de uns pastores da região de Belém, que, avisados por um anjo sobre a boa notícia do nascimento do Messias prometido, foram e viram o menino, enfaixado e deitado na manjedoura. Magos do Oriente também visitaram o menino e ofereceram a ele presentes, ouro, incenso e mirra. Após oito dias do nascimento de Jesus, José e Maria o levaram ao templo, em Jerusalém, onde estava Simeão, homem justo e piedoso.
            O Espírito Santo tinha revelado a Simeão que ele não morreria sem primeiro ver o Messias prometido pelo Senhor. Simeão reconheceu no menino este Messias, tomou-o nos braços, louvou a Deus, e disse a Maria: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma”. Estava também no templo a velha profetisa Ana, que viu o menino, louvou a Deus e “falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”, como diz o evangelista Lucas, no capítulo 1, versículo 38 do seu texto, que é o 3º evangelho na ordem cronológica.
            Cumpridas as obrigações no templo, a Sagrada Família (José, Maria e Jesus) voltou para a sua cidade, Nazaré, na Galiléia. Ali, José voltou a exercer seu ofício de carpinteiro. E o menino Jesus talvez, ajudava o pai (e, portanto os clientes de José também viram o Menino Jesus) e, naturalmente, brincou com outros meninos, que o viram na sua etapa lúdica, infantil, pois, embora uma criança especial, deve ter brincado as brincadeiras sadias, rejeitando as que levavam para o lado malicioso do instinto humano. Talvez praticou algum milagre para os amiguinhos. Quando completou 12 anos, acompanhou pai e mãe à Festa da Páscoa, em Jerusalém.
            E ali, os Doutores da Lei viram-no e se admiraram com a inteligência e os conhecimentos dele, cujas perguntas e respostas eram precisas, incrivelmente incontestáveis. Alguns dos celebrantes e divulgadores da religião nascida a partir do nome deste menino sábio continuaram a vê-lo assim, como criança, em algumas aparições. Não se pode negar que o que ocorreu no convento das Irmãs de Caridade, em Chantillon, na França, a 18 de julho de 1830, foi uma clara presença do espírito deste Jesus Menino. A coisa ocorreu com a noviça Catarina Labouré, instrumento de uma novidade para a época. Durante a noite, ela acordou e ouviu chamarem-na.
            No quarto, ao lado dela, um menino louro, talvez de idade entre 4 ou 5 anos, disse-lhe: “Levante-se, minha irmã. Venha depressa á capela. A Virgem Santíssima a aguarda.” Temerosa, Catarina o seguiu, e à proporção que caminhavam, o menino cercado de raios de luz, as velas foram se acendendo , e a porta da capela abriu-se sozinha, e o pequeno templo estava todo iluminado, “como se para a missa da meia-noite.” E Catarina viu, sentada na cadeira do diretor, nos degraus do altar, uma bela senhora, que o menino confirmou: “Eis a Virgem Santíssima.” E a Virgem começou a falar para ela: “Minha filha, o bom Deus quer encarregá-la de uma missão.”
            Antes de dizer qual seria a tal missão, a Virgem fez algumas profecias de acontecimentos trágicos que iriam ocorrer brevemente, inclusive a queda do trono francês (o rei Carlos X foi derrubado oito dias após a profecia) e assassinatos de autoridades clericais (o Monsenhor Affre, e o Arcebispo de Paris, Darboy, vitimados pela revolução). Com lágrimas nos olhos, a mãe do menino louro exclamou: “Minha filha, a cruz será tratada com desprezo, eles a derrubarão por terra e a calcarão aos pés. O sangue correrá. As ruas ficarão cheias de sangue.” Mas a Virgem prometia: “Graças serão derramadas sobre todos, grandes ou pequenos, que as peçam com fervor.”
            Somente na segunda aparição, a 27 de novembro de 1830, é que a Virgem revelou qual seria a missão que Catarina deveria cumprir: mandar cunhar uma medalha, segundo o modelo que era encenado com a própria presença da Virgem, que disse: “Mande cunhar uma medalha com este modelo. Todos os que a usarem receberão grandes graças e devem trazê-la ao pescoço. As graças serão abundantes para os que a usarem com confiança.” Nascia ali o objeto religioso conhecido como Medalha Milagrosa, cujos primeiros dois mil exemplares foram cunhados pelo ourives Vachette, em maio de 1832, com o consentimento do padre Aladel, do convento, e que era o confessor de Catarina.
            No passado da cidadezinha de Mantara, no Líbano, tinham havido aparições de Santa Maria Madalena e da Santíssima Virgem em uma grande gruta, perto da igreja copta cristã. Santa Maria Madalena pediu na ocasião que ninguém falasse, houvesse “total silêncio”. A gruta ficou desde então conhecida como local de orações silenciosas. A 11 de junho de 1911, sete mulheres que haviam assistido a uma celebração para o vice-cônsul francês na referida igreja copta, entraram na gruta. De repente, uma grande explosão de luz ofuscou-lhes os olhos. A luz transformou-se em nuvens luminosas emitindo raios coloridos.
            Na parte central da imagem que estava sendo vista, estava a Virgem Santíssima com o Menino Jesus nos braços. Quando foi espalhada a notícia da aparição, um número grande de pessoas se dirigiu à gruta, e cerca de 60 pessoas foram privilegiadas com a visão da Virgem com o menino Jesus nos braços. Ambos silenciosos, mas estendendo as mãos e com um sorriso agradável, a “Sagrada Aparição do Silêncio Total” (como passou a ser conhecida) caracterizou então o fenômeno das aparições no século 20, como dentro da visualidade pura das comunicações do século, signo da força da imagem.
            Os mais famosos videntes da história da Igreja Católica foram os três pastorzinhos de Fátima, em Portugal, Lúcia, Francisco e Jacinta. Durante 6 meses, a partir de 13 de maio de 1917, eles tiveram por 6 vezes a visão da mãe de Jesus, sempre com o pedido que rezassem o terço todos os dias “pela paz no mundo e o fim da guerra” (estava ocorrendo desde 1914 a primeira guerra mundial, que iria acabar em 1918). Na última aparição, a 13 de outubro de 1917, se configurou ante os videntes não somente a imagem da Virgem Santíssima, mas também a de São José com o Menino Jesus, um verdadeiro quadro da Sagrada Família.
            Na hagiografia cristã, os relatos das vidas dos santos destacaram fatos reais, constatados por documentos ou testemunhos, e fatos apenas supostos, lendários, não tendo a sanção da autenticidade documental ou testemunhal. Assim é que se pode mencionar o aparecimento do Menino Jesus a pelo menos dois santos: Santo Antônio de Pádua, e São Cristóvão apenas como lendas; mas de qualquer maneira enriquecendo o imaginário literário, focado no importante encontro entre a criança que daria origem a uma religião e seres humanos que se fortaleceram no heroísmo de assumirem a difícil prática da santidade.
            Santo Antônio de Lisboa (porque nasceu na capital portuguesa a 15 de agosto de 1195) foi talvez mais conhecido como Santo Antônio de Pádua, porque passou a maior parte de sua vida religiosa na região italiana da cidade de Pádua, onde faleceu de hidropisia a 12 de junho de 1231. Conta-se muitos fatos extraordinários, verdadeiros milagres que se concretizaram por intervenção dele. E há os registros do seu encontro com o Menino Jesus, acontecimento tão importante que a sua imagem nos altares mostram-no como um frade com um menino nos braços. A aparição se deu na casa do Conde Tiso, um amigo de Frei Antônio em Pádua. O conde reservara na casa um aposento para o religioso.
            Naquele aposento, muitas vezes Frei Antônio passava horas em oração. Certo dia, o conde queria falar com o frade, mas, não querendo perturbá-lo repentinamente, olhou pelo orifício da fechadura para verificar se ele estava desocupado. Foi então que flagrou a belíssima cena: Frei Antônio estava conversando alegremente com o Menino Jesus. Os dois viram então o espírito da divina criança: o santo e o nobre bondoso. Um dos colaboradores do calendário anual conhecido como Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, o Frei Almir Ribeiro Guimarães, escreveu uma “Cantiga Para Santo Antônio”, que começa dizendo que “admiro tua ternura tão franciscana para com o Menino das Palhas.”
            Não se tem muita certeza sobre os fatos que se conta a respeito da vida de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas. A tradição os foi acrescentando, e assim fazendo crescer o seu culto desde tempos remotos. A sua popularidade se traduziu em muitas igrejas construídas e irmandades fundadas com o seu nome. Na Ásia, na Europa, no Brasil. No livro “O Santo do Dia”, de Dom Servílio Conti, há o registro de que ele “deve ter sido um homem de estatura extraordinariamente alta, de força hercúlea e, uma vez convertido a Cristo se fez apóstolo desta religião na Lícia, onde sofreu o martírio sob o imperador Décio, por volta do ano 250.”
            O biógrafo diz mais que antes ele “ambicionava colocar sua habilidade militar e sua força a serviço do Senhor mais potente: foi assim que mudou várias vezes de dono. Diz-se que até se colocou a serviço do demônio, quando notou que o seu general tinha um medo supersticioso do espírito das trevas. Percebendo, porém, que o próprio diabo tinha medo da cruz, indagou o porquê, foi então que ficou sabendo que Cristo, Filho de Deus, era o mais poderoso dos soberanos.” Procurou então a melhor maneira de servir a Cristo. Um eremita aconselhou-o a fazer jejuns, orar e meditar sobre a palavra de Deus. Ele retrucou que não agüentava jejuar e não tinha jeito para orar e meditar.
            O eremita então disse: “Vê, tu és robusto, alto e forte: aí perto há um rio sem ponte, que é perigo de morte para muita gente que o deseja atravessar. Oferece teus serviços àquela pobre gente: leva as pessoas, transportando-as de um lado para o outro. Terás a gratidão e as orações dos beneficiados e Deus te recompensará de tua caridade.” O quase gigante físico iniciou então os passos da caminhada em direção a se tornar também um gigante espiritual. Construiu uma cabana à beira do rio, onde passou a morar, se oferecendo a transportar gratuitamente todos que quisessem atravessar de um lado para o outro o rio perigoso, e não tinham capacidade física de o fazer.
            Certo dia chegou também, um menino, e pediu para transportá-lo a outra margem. O gigante botou o menino nos ombros, pensando que não ia pesar quase nada. Mas à proporção que atravessava, o menino começou a ser cada vez mais pesado, sentindo o gigante suas pernas tremerem. Depositando-o na outra margem, o gigante exclamou: “Parecia-me estar carregando o peso do mundo inteiro!” O menino sorriu e disse: “Muito mais do que o mundo inteiro, tu carregaste o Senhor do Mundo.” Assim, o gigante entendeu que carregara em seus ombros o próprio Menino Jesus. Desde então, o gigante adotou o nome Cristóvão, que conforme sua etimologia latina significa “o que leva Cristo”.
Referências bibliográficas:
CARDOSO, Maurício. Jesus 2000 Os desafios do cristianismo às portas do novo milênio. São Paulo, Veja, ano 32, nº 50, 15 de dezembro de 1999.
LUCAS, São. Bíblia Sagrada. Tradução, introdução e notas por Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancim. Edição Pastoral. São Paulo, Paulus, 1990.
CONTI, Dom Servílio. O Santo do Dia. 2ª edição, revista e melhorada. Petrópolis, Vozes, 1984.
SWANN, Ingo. As Grandes Aparições de Maria: relatos de vinte e duas aparições. Tradução: Bárbara Theoto Lambert. São Paulo, Paulinas, 2001.
História de Santo Antônio. Em quadrinhos. Coleção Série Sagrada. Sem indicação de autor. Rio de Janeiro, Editora Brasil-América. Sem indicação de data.
GUIMARÃES, Frei Almir Ribeiro. Cantiga Para Santo Antônio. Petrópolis, Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, 12 de junho de 1986, quinta-feira.
PAIVA, Con. Jorge O`Grady de. Dicionário de Nomes Próprios Pessoais. Natal, Departamento Estadual de Imprensa – DEI (impressão), 2006.

3 de dezembro de 2019

O Natal sempre Acontece...





Salete Pimenta Tavares

          O Natal está chegando... O Salvador está às portas... E como todo ano a preparação para comemorarmos o nascimento de Jesus se intensifica. Depois da celebração anual do Mistério Pascal, a Igreja tem outro grande acontecimento que é a celebração do nascimento do Salvador. A preparação para o Natal, também chamada Tempo do Advento, corresponde aos quatro domingos que antecedem o Natal, denominados 1º, 2º, 3º e 4º domingo do Advento. É, pois, um tempo de vigilância, de compromisso e de reflexão sobre a importância da vida cristã.
         Durante o Advento a comunidade se prepara para a chegada do Menino Deus, participando de encontros, reuniões, confraternizações e novenas em família, aperfeiçoando a espiritualidade. Nessa época os corações afloram para um sentimento maior, o amor, tornando-os mais sensíveis, mais generosos, mais solidários e mais fraternos, avivando a fé numa participação maior da vida na Igreja.
         A festa do Natal foi instituída oficialmente pelo bispo romano Libério no ano de 354. O Natal é a celebração cristã mais profundamente enraizada no sentimento popular, com rico material poético e folclórico. Além da riqueza dos hinos natalinos, podemos mencionar como indispensáveis, a Missa do Natal, mais conhecida como a Missa do Galo, ou seja, a Missa da Meia Noite, que se constitui a melhor e a mais adequada maneira de se prestar homenagem ao Menino Jesus, e também a famosa Ceia do Natal.                      Outras tradições como a Árvore de Natal difundida durante o século 19, os presentes, as saudações, as folhagens, os enfeites natalinos, os fogos de artifício, muitas luzes e cores, que brilham por toda parte, além da figura carismática e indispensável do Papai Noel, e ainda os cartões de Natal; segundo o livro “A Essência do Natal -A Arte de Viver”– Coleção Pensamentos de Sabedoria –, o primeiro cartão de Boas Festas teria surgido em Londres no ano de 1834, impresso com a seguinte mensagem: “A merry Christmas and a happy New Year to you”, que significa ( “Um alegre Natal e um feliz Ano-Novo para você.”) Só em 1880 o cartão foi lançado na América. Atualmente, ainda existem cartões de Natal, apesar das mensagens natalinas serem quase todas enviadas via internet. Um grupo de artistas, pintores com a boca e os pés ainda conserva essa tradição, pintando     lindos e maravilhosos cartões de Boas Festas e Feliz Ano Novo.
        O Presépio é uma reprodução do nascimento de Jesus, cujas figuras em torno dele, como todos nós sabemos, representam seu pai e sua mãe humanos, (a Vírgem Maria e São José), os Reis Magos, os pastores e os animais. Conta-se que São Francisco de Assis desejava ardentemente celebrar o Natal, representando a cena da gruta de Belém. Obtendo autorização da Igreja, realizou seu desejo, mas colocou na manjedoura, em lugar de uma imagem do Menino Deus, uma criança viva, para dar mais realidade à cena. Essa foi, portanto, a orígem do presépio natalino.
   Atualmente a celebração do Natal, para muita gente tem um grande valor comercial. As fábricas e indústrias investem em brinquedos, lâmpadas coloridas, ornamentos para decoração de casas, de prédios, de ruas, inúmeros modelos e tamanhos de bolas e enfeites para Árvore de Natal, com a certeza de que quanto maior for o investimento, maior é o lucro de suas empresas. Segundo alguns lojistas, um quarto das vendas anuais de muitas lojas ocorre durante o período natalino. Infelizmente para um grande número de pessoas o Natal degenerou em festa social e comercial. Mas, para os verdadeiros cristãos o Natal foi, é e sempre será uma festa com a essência da sabedoria da Palavra de Deus, com o poder de modificar corações, de iluminar caminhos que levam a Ele e de transmitir Paz e Justiça ao mundo.
      É do Beato João Paulo II a seguinte frase: “A alegria do nascimento de Deus está destinada a todos os corações humanos. É a alegria do gênero humano, alegria sobre-humana. O homem foi aceito por Deus para converter-se em filho, por meio deste Filho de Deus que se fez homem.”
       Chico Xavier, também falando de Natal disse o seguinte: “O Natal, em qualquer parte, une as criaturas na mesma faixa de compreensão e solidariedade.”
Outra frase belíssima foi a do Papa e doutor da Igreja Católica, Leão Magno: “Hoje nasceu o nosso Salvador. Não pode haver lugar para a tristeza, enquanto acaba de nascer, a própria Vida, a mesma que põe fim ao temor da imortalidade e nos infunde a alegria da eternidade.”
       Enfim, é nesse clima de alegria e de paz, de esperança e reflexão, de fraternidade e reencontro, de ternura e humildade, que devemos comemorar o Natal do Senhor, agradecendo a Ele por tudo que nos tem dado, principalmente pela VIDA, pois esta é o melhor e o maior presente de Deus para nós.


16 de outubro de 2017

Quem são e de onde vêm os ciganos?


Revista MUNDO ESTRANHO
HISTÓRIA

Ainda hoje, a origem desse povo continua envolta em mistério. Suas histórias sempre foram transmitidas de geração para geração pela tradição oral, o que cria muitas lendas e não deixa registros precisos. Alguns especialistas acreditam que eles surgiram na Índia, já que o idioma falado pelos ciganos tem muitas semelhanças com várias línguas do subcontinente indiano. Mas também existem indícios que apontam para outra região. "Nas antigas lendas ciganas, constatamos referências bíblicas que podem nos direcionar a uma origem na Caldéia (região que hoje pertence ao Iraque) e não na Índia. Outro ponto significativo é a crença em um único Deus criador, Devel, o que os aproxima da história de povos semitas, ao contrário do que seria esperado de uma origem indiana, com suas várias divindades", afirma a geógrafa Solange Lima Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), autora de uma tese de doutorado sobre os ciganos.
Caso eles possuam mesmo raízes no Oriente Médio, é provável que tenham surgido alguns milênios antes de Cristo. Qualquer que seja o ponto de partida, sabe-se que eles se deslocaram do Oriente para o Ocidente até chegarem à Europa no fim do século XIV. Nessa época, os ciganos foram perseguidos pela Inquisição, o tribunal da Igreja Católica que julgava crimes contra a fé. Como conviviam tanto com mouros quanto com cristãos, os ciganos oscilavam do paganismo ao cristianismo, o que bastava para serem acusados de heresia. O pior é que os preconceitos em relação à religiosidade, à cultura e ao modo de vida nômade desse povo não ficaram restritos à Idade Média. Séculos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães mataram cerca de 400 mil ciganos, vítimas da ideologia nazista que defendia uma raça supostamente pura, a ariana, na Europa.
Hoje, calcula-se que existam de 2 a 5 milhões de ciganos no mundo, concentrados principalmente na Europa Central, em países como as Repúblicas Checa e Eslovaca, Hungria, Iugoslávia, Bulgária e Romênia. Durante as andanças pelo mundo, eles influenciaram a cultura de várias regiões. Um bom exemplo vem da Espanha, onde a rica tradição da música e da dança ciganas deu origem ao flamenco.
Migração intercontinental Os ciganos só chegaram à Europa no século XIV
Não se sabe se os ciganos surgiram na Índia ou no atual Iraque, mas de um desses dois pontos eles rumaram para o Ocidente, chegando à Europa pela região da Armênia, por volta do século XIV. De lá, atravessaram o continente até alcançarem as ilhas britânicas e a península Ibérica. No século XVII, os ciganos já haviam se espalhado por todos os países da Europa e deles seguiram para colônias na América e na África. O documento mais antigo referente à presença dos ciganos no Brasil é de 1574.

DESCENDENTES DE CIGANOS FAMOSOS



Dedé Santana
Yul Brinner
Elvis Presley
JK
Wagner Tiso
Zé Rodrix




18 de abril de 2017

SENHOR, NÃO DEIXES QUE O MUNDO TE VENÇA!



Valério Mesquita*

As Sagradas Escrituras, desde Gênesis, registram a participação direta de Deus na condução do povo escolhido. Abraão, Elias, Jacó, Moisés, Josué, Davi, Salomão e os relatos dos profetas Samuel, Ezequiel, Daniel, Jeremias, Isaias, Zacarias, Malaquias, todos narram fatos: vários ouviram a voz de Deus e foram inspirados nos seus ensinamentos e procedimentos. Receberam mensagens divinas através dos anjos, foram guiados, sofreram e quantos não morreram até a chegada do Messias? Quantas batalhas vitoriosas não foram travadas pelo povo judeu que, depois, foi escravizado por inúmeras potências estrangeiras até a fase dominadora dos romanos, quando Jesus nasceu? Numa medida extrema para salvar o mundo apodrecido daquele tempo, Deus enviou o seu filho Jesus com a missão da boa nova a fim de tirar os pecados dos homens e remir a humanidade degenerada. Mas estava escrito que, cumprida a missão, o Cristo seria crucificado para depois ascender ao Pai. Ressuscitado, Ele ainda permaneceu na Terra ultimando junto aos apóstolos suas recomendações finais, cujo ponto alto foi a unção do Espírito Santo para todos eles enfrentarem o imenso mundo hostil e ímpio que estava deixando. Em verdade, não fosse o milagre da transferência do Espírito Santo, teria sido impossível aos apóstolos realizarem a ingente tarefa de pregação e de cristianização.
E Paulo de Tarso se destacou entre todos como o mais sábio e operoso obreiro. Hoje, a humanidade se repete no tempo. A imensa maioria do globo terrestre não é cristã. A obra evangelizadora não atingiu seus objetivos na Ásia e no Oriente, barrada pelo islamismo, o budismo, o bramanismo, além dos regimes políticos de exceção da era stalinista, hitlerista e maoísta, entre outros da mesma escória. Que razões poderiam ser elencadas? Teria sido a divisão das correntes do cristianismo no Século XVII? A ligação, à época, da Igreja Católica com os governos absolutistas e colonialistas da Europa que se dispuseram a impor coercitivamente o domínio político e religioso aos gentios da Ásia, África e Oriente? As igrejas cristãs teriam optado pelo regime de “cada um por si e Deus por todos”,  na presunção de que a divisão do rito, da obediência, da interpretação discrepante,  bíblica e dogmática da descentralização – a doutrina e a evangelização não se espalhariam mais pelo mundo?
O fato é que, do século XX para cá, o poder econômico tem se concentrado nas mãos dos maus em todas as esferas. Por maior que seja o esforço dos evangélicos e católicos de recriarem o universo, persiste a impressão de que a humanidade sucumbe ao poder do demônio. Na sua primeira vinda, Jesus redimiu o mundo dessa escravidão, comissionando aos discípulos anunciar as duas opções: crer para se salvar ou descrer para a condenação. Tudo está em Mateus 7.13 e Marcos 16.16. Todavia, para essa segunda e definitiva etapa, vejo, como leigo, que se torna imperativo que o Senhor amplie pelo Espírito Santo a tarefa dos seus discípulos no mundo de hoje. Daquele tempo de Jesus para a ultramodernidade dos nossos dias, o número da população global atingiu a casa dos bilhões; a máquina mortífera da comunicação de massa e o dinheiro permanecem com os ímpios e pecadores que destroem o trabalho “formiguinha” dos discípulos hodiernos; nos tempos bíblicos a intolerância cristã dos chefes de estado era o óbice; ao passo que na atualidade as ações da intolerância estão nas leis e nos códigos que se dobram, nos costumes, nos lares, nas ruas, de modo que somente o esforço do Espírito Santo, com maior intensidade e vigor, haverá de derrotar o Diabo novamente. Por isso, não deixo de orar: “Senhor, não deixes que o mundo te vença”.

(*) Escritor.

11 de abril de 2017

MOMENTO DE REFLEXÃO - O PERDÃO


Há anos que assisto triste e sorumbático, a malhação anual de Judas iscariotes, filho de Simão de cariotes, nascido na localidade de escariotes ou kerioh, judas havia prometido entregar a JESUS aos principais sacerdotes. E com um beijo assim o fez. Tendo JESUS sido preso, judas logo se arrependeu. Transtornado, correu e jogou as moedas no templo e em seguida enforcou-se as moedas foram recolhidas e posteriormente os sacerdotes construíram um cemitério perto do templo. Consideração á parte, Pedro o primeiro dos apóstolos e do papas, mártir de roma, no reinaldo de nero, ao dizer por três vezes que não conhecia JESUS, negou-o e se negou-o logo a traiu, inclusive predito por JESUS, judas não foi o primeiro e nem o último traidor da humanidade. Judas se ARREPENDEU antes de morrer, o que lhe garante o PERDÃO ABSOLUTO, o ato de judas, foi um ato político. Ele, assim como barrabás, assassino e salteador de estradas, tinham certas convicções politicas em relação aos romanos, ele estava certo que com aquele ato, JESUS se revoltaria e iria de encontro aos romanos.
Quando agonizante na cruz JESUS teria dito: PAI, PERDOAI-LHES POIS ‘ELES’ NÃO SABEM O QUE FAZEM’ evidentemente e judas está incluído neste ‘ELES’ logo ELE FOI PERDOADO. O próprio cristo ainda na cruz passou-lhe na mente um raio de dúvida no designio de DEUS, quando em êxtase, JESUS gritou: ELI, ELI, LAMMA SABACHTANI, frase hebraica que significa ‘MEU DEUS, MEU DEUS, POR QUE ME DESAMPARASTE?”
Em nosso tempo, mohanddas karamchand conhecido por mahatma Gandhi, ou simplesmente GANDDHI (1869 – 1984), Seu último ato foi perdoa seu assassino, o indú fanático nathuram godse.
O papa João Paulo II, perdoou seu agressor o turco mehmed ali agca que disparara vários tiros, tiros contra ele.
Então há quem diga que a doutrina espírita atesta, que há muito, o espírito de judas evoluiu, após o evidente perdão.
Portanto, por tudo isso que foi dito e pelo fato da igreja “lavar as mãos”, sua anuência e silêncio de luz, com minha humilde absolvição. E ele, certamente já teria dito: EU DEUS ALÁ ALFA E E ÕMEGA DE TUDO QUE EXISTE, TRIPLICE E UNO, INFINITAMENTE PERFEITO, CRIADOR E REGULADOR DO UNIVERSO, JUIZ SUPREMO E SECULAR DA CORTE UNIVERSAL, declaro o réu JUDAS ISCARIOTES; ABSOLVIDO.
Walter Marques
- Sociólogo -

27 de novembro de 2014

A Padroeira de Natal

                                                            





Salete Pimenta Tavares

          A história da Padroeira de Natal, Nossa Senhora da Apresentação, comove profundamente nossos corações, tendo em vista a maneira como ela chegou à nossa cidade. A história baseia-se na tradição oral, uma vez que não existe documento registrando a chegada de sua imagem no Rio Potengi.

Conta a tradição que na madrugada longínqua do dia 21 de novembro de 1753, pescadores humildes, nas suas costumeiras tarefas diárias à procura de peixes para a sua sobrevivência alimentar, avistaram às margens do Rio Potengi, na confrontação da Igreja do Rosário, um caixote encalhado numa pedra, hoje denominada Pedra do Rosário. Ao abrirem o caixote, dentro se encontrava uma imagem de Nossa Senhora, trazendo nos braços o menino Jesus, numa das mãos estendidas, alguma coisa, que logo deduziram ser um rosário e ainda uma faixa onde se lia: “No ponto onde der este caixão, não haverá nenhum perigo”. Segundo Palmyra Wanderley – 1942 – Revista Rosário do Potengi - Ano III - Número 03 – Novembro de 1999, “A tradição popular imaginosa, acrescentou à legenda subscrevendo as palavras presumíveis que se seguem: Aonde essa santa aportar, não aportará o perigo”. Hoje a frase é mais conhecida como: “Onde esta imagem parar, nenhuma desgraça acontecerá”. Entretanto como o dia 21 de novembro é, no calendário litúrgico, o dia em que se festeja a Apresentação da Mãe de Jesus no Templo, em observância à Lei de Moisés, deram à imagem que apareceu às margens do Rio Potengi o nome de Nossa Senhora da Apresentação. Essa festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, foi instituída pela Igreja Católica no ano de 1571, dois anos antes da sua aparição aqui em Natal. Então, a partir do ano de 1573, o povo começou a celebrar a festa de Nossa Senhora da Apresentação, uma tradição que ainda hoje leva uma multidão de fiéis à Catedral para o novenário da festa e, principalmente às as ruas de Natal, no último dia das comemorações, onde passa a procissão de Nossa Senhora. Outra atividade que aglomera milhares de fiéis é a “Missa da Pedra do Rosário”, celebrada às 5 horas da manhã, à beira do Rio Potengi, local onde a imagem apareceu.

A figura de Nossa Senhora da Apresentação na vida de nossa cidade é uma fonte de esperança nos momentos mais difíceis de nossa vida, e um significado de fé, que é o alicerce da vida religiosa dos cristãos dessa cidade do Natal.

Assim como Jesus escolheu entre humildes pescadores os apóstolos para darem continuidade a evangelização, quis ele enviar sua Mãe Maria para reinar em nossa terra, também através da simplicidade de pescadores que, ali se encontravam nas margens do Rio Potengi.

A festa de Nossa Senhora da Apresentação acontece anualmente, no período de 11 a 21 de novembro. As celebrações religiosas são realizadas na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral) e na Catedral Metropolitana, Catedral esta, inaugurada no dia 21 de novembro de 1988, pelo então Arcebispo de Natal, Dom Alair Vilar Fernandes de Melo, conforme consta na Revista Rosário do Potengi – Ano VII – Número 07 – Novembro de 2007. A programação sócio cultural também acontece e é realizada todas as noites, após as novenas, no pátio da Catedral Metropolitana.

Natal é nascimento no próprio nome; é pois uma cidade abençoada por ter nascido no dia 25 de dezembro, dia em que se comemora o nascimento do Menino Jesus. É pois uma cidade presépio, uma terra de belezas e encantos mil, uma terra em que a Mãe de Jesus, a Santíssima Mãe de Deus e nossa Mãe Celestial escolheu para aqui vir morar. Sendo assim, nossa terra está protegida pelo seu manto imaculado, e, com seu amor tem dado proteção à nossa cidade, desde a sua aparição, trazida que foi pelas ondas do mar. O Hino da Padroeira tem como refrão os seguintes versos: “Escolheste por amor / Nossa terra pra aqui vir morar / Virgem Mãe do Senhor / Aos teus pés nós viemos rezar”.

25 de novembro de 2014

A corda e a fé



Esta  é a história de um alpinista que sempre buscava superar mais e mais desafios.

         Um dia o alpinista, depois de muitos anos de preparação, escalar a Anconcágua. Resolveu então escalar sozinho sem nenhum companheiro. Começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde. Ávido de glória., sequer percebia a proximidade da noite. Escureceu, e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha. Não era possível enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada.
            Subindo por uma parede, apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu... Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as manchas que passavam cada vez mais rápidas na escuridão.
            Sentia apenas  um terrível sensação de estar sendo sugado pela força da gravidade. Ele continuava caindo e, nesses angustiantes momentos, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que já haviam vividos em sua vida.
            Derepente ele sentiu um puxão forte que quase partiu pela metade...shack!. Como todo alpinista experimentado, havia cravado  estacas de segurança com grampos a uma corda cumprida que fixou em sua cintura. Nesses momentos de silêncio, suspenso pelo ares na completa escuridão, não sobrou para ele nada além de gritar:
E daí uma voz surgiu:
 - O que você quer de Mim, meu filho?
-  Você acredita que Eu posso te salvar?
 -Eu tenho certeza, disse o alpinista.
-Então corte a corda que tem pendurado, ...
            Houve um momento de silêncio e reflexão. O Alpinista se agarrou mais ainda a corda e pensou que se largasse a corda morreria....
            Conta o pessoal do resgate que no dia seguinte encontraram um alpinista congelado, morto, agarrado com duas mãos a uma corda... a não mais dois metros no chão.
E você...?
Ainda está segurando a  corda?

24 de outubro de 2014

Conto: Loja de CD



           Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tem cura.  Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento.  Sempre viveu na casa  de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.
            Um dia  decidiu sair sozinho e caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines. Ao passar por uma loja de discos, notou  a presença de uma garota, mais ou menos de sua idade,  que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor a primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada.
            Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava. Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudar em alguma coisa.  Era o sorriso mais lindo que ele já tinha visto e a emoção foi tão forte que mal ele conseguiu dizer que queria  comprar um CD.
             Pegou o primeiro que encontrou na sua frente, sem olhar de quem era  e disse:  “É esse aqui”.  Quer que  embrulhe pra presente? , perguntou a garota, sorrindo cada vez mais.  Ele balançou a cabeça pra dizer que sim  e disse:  “ É pra mim mesmo, mas gostaria que você embrulhasse”.  Ele saiu do balcão e depois voltou com o CD muito bem embrulhado.
            Ele pegou o pacote e saiu louco de vontade de ficar por ali admirando aquela figura divina.   Daquele dia em diante todas as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer.  Todas às vezes a garota deixava o balcão e voltava com o embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava em sua gaveta sem siquer abri.
            Ele estava apaixonado e tinha medo da reação dela e assim por mais que ela sempre recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar.  Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair. Um dia ele encheu de coragem e foi para a loja.
            Como todos os dias,  comprou um CD e como sempre ela foi embrulhá-lo. Quando não estava vendo escondeu um papel com o seu nome e telefone deixou no balcão e saiu da loja correndo.  Alguns dias depois o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe desconsolada nem perguntou quem era e disse “Então, você não sabe, faleceu ontem? ”
            Passado alguns dias mais, a mãe entrou no quarto do filho para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com quantidade de CD todos embrulhados e guardados em sua gaveta. Ficou curiosa e  decidiu abri um deles.  Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito “Você é muito simpático, não quer me convidar pra sair? Eu adoraria.”.
             Emocionada a mãe abriu outro CD e caiu um papel que diz o mesmo, e assim todos que ela abria traziam a mesma mensagem de carinho e de esperança de conhecer aquele rapaz
Assim é  a vida:
  Nunca espere demais  pra dizer alguém especial aquilo que você sente.
Ainda dá tempo....
( Autor desconhecido)

5 de setembro de 2014

As duas jóias

       Narra antiga lenda árabe, que um rabino, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família, esposa admirável e dois filhos queridos.         Certa vez, o rabino empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias. Durante sua ausência, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. A mãe sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, sustentada pela fé e confiança em Deus, suportou o choque com bravura.
         Mas uma preocupação lhe vinha a mente: como dar ao esposo a triste noticia?. Sabendo-o portador de cardiopatia grave, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxilio para refazer a difícil questão. Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar.
       Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos... Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse seu banho, e logo depois ela falaria dos moços. Alguns minutos depois estavam ambos sentados a mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.
A esposa numa atitude tanto embaraçada respondeu ao marido:
         Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave. O marido, já um pouco preocupado perguntou:
O que aconteceu? Notei você abatida! Fale!
Resolveremos juntos, com ajuda de Deus.
-         Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas!. Jamais vi algo tão belo!. O problema é esse. Ele vem busca-las e eu não estou disposta a devolve-las, pois jamais afeiçoei a elas. O que você me diz?
-         - Ora mulher. Não estou entendo o seu comportamento. Você nunca cultivou vaidades!... por que isso agora?
-         É que nunca havia visto jóias assim! Tão maravilhosa!
-         Podem até ser mais não te pertencem. Terá que devolvê-las.
-         Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!
E o rabino respondeu com firmeza; ninguém perde o que não possui. Retê-las, equivaleria a roubo!
-         Vamos devolvê-las, eu ajudarei. Faremos isso juntos,  hoje mesmo.
-          Pois bem querido seja feito a tua vontade.  O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito As jóias preciosas eram nossos filhos.
-         Deus os confiou a nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram.
-         O rabino compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.

-          Do livro “ Quem tem medo da morte “ – Richard Simonnet

12 de agosto de 2014

Prece de Cáritas

Psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873 pela médium Madame W. Krill, num círculo espírita de Bordeux, França.

Prece de Cáritas

Deus nosso pai, vós que sois poder e bondade
Daí a força áquele que passa pela aprovação
Daí a luz áquele que procura a verdade
Ponde no coração do homem a compaixão e caridade.
DEUS
Daí ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade,
 a criança o guia ao órfão o pai.
SENHOR
Que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criaste.
Piedade Senhor para aqueles que não vos conhecem.
A esperança para aqueles que sofrem
Que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores
derramem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.
DEUS
Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra
Deixar-nos beber nas fontes esta bondade fecunda e infinita
e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão.
uma só oração, um só pensamento subirá até vós.
Como Moisés sobre a montanha nos lhe esperamos
com os braços abertos.
Oh bondade!
Oh Beleza!
Oh perfeição!
e queremos de alguma sorte alcançar vossa misericórdia.
DEUS,
Daí-nos força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós
Daí nos  a caridade pura.
Daí-nos a fé e a razão.
Daí-nos a simplicidade, que fará de nossas almas...

um espelho onde se refletirá a vossa santa misericordiosa imagem

15 de julho de 2014

Centro Espirita Paz

Em Qualquer Circunstância


Nem sempre conseguirás o brilho pessoal a que aspiras. Raramente chegarás a realizar todos os ideais superiores que te animam. Muitas vezes, a harmonia em família parecer-te-á muito longe. Não te sustentarás sem problemas. Quase impraticável andar na Terra sem que esse ou aquele   companheiro se nos erija  em teste de paciência e humanidade. Esquecer o mal e fazer o bem.
Francisco Xavier  do livro Antologia de Criança


Irmãos Difíceis


Amor e paciência, tolerância e amparo fraterno são os recursos adequados para o embaraço desse jaez. Se algum  irmão difícil se te constitui provação no caminho, esteja onde estiveres, põe especial atenção no serviço que lhe possas prestar. Extingue o foco de antipatia com  o antisséptico da oração e do entendimento, da paz e da colaboração desinteressada.
Francisco Xavier, do livro no Portal da Luz

 

Petição de Paz

Senhor Jesus!


 Auxilia-nos a construir a paz onde estivermos

Faze-nos extinguir a discórdia pela prática do amor que nos ensinaste.
Senhor, inspira-nos a palavra, a fim de desculparmos aos nossos semelhantes, para que sejamos desculpados e a compreende-los para que sejamos compreendidos.
 Ajuda-nos a entender que não estaremos tranqüilos, sem servir-nos espontaneamente uns aos outros.
Guia-nos para aceitação de tuas diretrizes, de modo a reconhecermos que todos somos irmãos e filho do mesmo pai: ampara-nos o coração a fim de sabermos que é possível usufruir, a felicidade de estarmos contigo desde de hoje, tanto quanto estás conosco agora e sempre.

Assim seja pelo espirito de Emmanuel


Caridade

Caridade é um sorriso uma visita amiga...
Uma conversa boa, um abraço fraterno...
Uma prece de paz, um gesto de otimismo...
 Caridade de fato não se restringe ao bolso
O dinheiro não seca as lágrimas da alma
O que dás de ti mesmo é dádiva sem preço

(Carlos Alberto A. Bacelli – Irmão José )

9 de julho de 2014

SAUDAÇÃO AO POETA


LuísCarlos Guimarães

Sanderson Negreiros

Santayana, certa vez, ao assumir sua cátedra de filosofia, exclamou para os alunos: “Hoje, não tem aula. A Primavera chegou”.
Ora, direis, ver e ouvir primaveras em plenos trópicos tristes. De certo perdeste o senso, na avaliação bilaquiana. Mas a verdade é que aportou, nesta noite, nesta Casa, um grande poeta e um personagem denso e rico de aventura humana.
O poeta Luís Carlos Guimarães ocupa a cadeira de Newton Navarro e Jorge Fernandes, segundo ostrâmiteschamados legais. Mas, sobretudo, obriga-nos a lembrar da definição de Augusto de Campos sobre outro poeta americano, Wallace Stevens: “Ele é um inclassificável construtor de sonhos reais”.
Desvestido das vestes talares que a regra acadêmica preceitua, recordo o jovem estudante de Direito na cidade deJoão Pessoa, apresentado a mim por Dorian Gray Caldas, já o acompanhava a maneira de ser quase única: uma certa bondade instintiva para ser aberto à empatia diante da vida. Éramos os três, amigos moicanos. Dorian, ele e eu. Ainda há pouco, Dorian encontrou uma fotografia do começo dos anos 50 – em disponibilidade total, passeando pela Praça Pedro Velho, estávamos a descobrir na literatura um caminho de alumbramento e realização interior. Éramos livres e não sabíamos.
De repente, Dorian encontra o que talvez tenha sidoo primeiro poema de Luís Carlos, que ele escondeu duranteanos inteiros. E dizia:
“Aqui jaz um menino azul/tragicamente desaparecido num desastre de velocípede”.
Para mim, foi uma revelação. Era possível tratar a poesia com fatos, acontecimentos e palavras do cotidiano. Antes, ainda sem saber como se vive fora das centenas de paredes de um seminário, eu encontrara Dorian Gray numa livraria, no centro de Natal, que se chamava “Boi Tatá”. Olhei para Dorian e, à queima-roupa, sem saber quem era ele, perguntei: “Você acredita em Deus?”.
E, pela vez inicial, eu via diante de mim, um livro de poesia moderna: “O Narciso Cego”, de Thiago de Mello. No seminário não havia bibliotecas. A conversa deve ter trazido susto positivo a Dorian, que logo me levou a conhecer Newton Navarro, hospedado na casa de Moacir de Góes, na Avenida Rio Branco. Eram cinco horas da tarde – e Newton estava selevantando de uma noite mal dormida.
Em meus treze anos se modificaram. De poesia, só conhecia o “Navio Negreiro”, de Castro Alves. Dorian, Newton, Zila e Luís começaram a me ensinar Poesia.
Agora, lendo e relendo os poemas de Luís Carlos, sinto o quanto de vida passada, como arcabouço perfeito, tem não só de sua infância vivida nos altiplanos de Currais Novos, provendo com olhar profuso asserras azuis da Borborema, como, igualmente sua poesia é doação de amizade, de ternura fraterna, emtorno de amigos, parentes e instantes que o empolgaram. Na sua humanidade mais radical. Seu lirismo, que se contém nos limites perseverantes de amplo conhecimento do fazer poético: ele não só traduz, mas é capaz de retirar poesia de qualquer prosa ou pedra. Foi ele quem salvou do esquecimento os poemas de José Bezerra Gomes, organizou a antologia dessa figura estranha, dedons às vezes geniais, que só o Rio Grande do Norte tem, exemplar na sua figuração única com outro poeta revelador: João Lins Caldas, também salvo do naufrágio do tempo por Celso da Silveira.
Hoje, experiente domador da surpresa da vida, com o coração que já recebeu safenas – que, nele se tornaram em verbenas – na sua humilde caminhada despretensiosa pelas ruas e solidões dasobrevivência, éo emissário de um rei desconhecido, como lembrava Fernando Pessoa; e tem saudades de uma paisagem que não há segundo ainda a versão do poeta português. Mas essa paisagem está dentro dele, e começou com a visão mais bela de sua infância currais-novense, ao lado de Neto Guimarães, o pai guerreiro libertário; e dona Titila que era só suavidade, silêncio e doçura. E cresceu com Leda nos passeios de mãos dada na Lagoa de João Pessoa, Bezerra Gomes me dizia que o maior símbolo do Seridó era um pé de algodão e um galo-de-campina pousando em cima do capucho branco. Quem já viu isto, terá de ser poeta, para revelar o inexprimível, contemplar o que está por trás da beleza exposta e memorizar os dons e sons que o vento canta, assobiando em atropelo, quando sobe a serra do doutor, para chegar ao Seridó.
Poeta Luís Carlos Guimarães: você sucede a Newton, a quem tanto devemos, nós todos que formávamos uma geração: Zila Mamede, Celso da Silveira, Myriam Coeli, Woden Madruga, Diógenes da Cunha Lima, Berilo Wanderley, Ney Leandro de Castro, o que lhe devíamos?Simplesmente, pelos momentos, às vezes raros, em que falava de suas experiências de leitura, de pintura, de artistas que conhecera e dialogara, transitando em julgado nossa falta de vivência literária numa Natal sonolenta, que nos sonegava, muitas vezes, os grandes autores.Nisso, lembro uma vez, Navarro falando para Paulo de Tarso Correia de Melo, este ainda um menino e seu vizinho sobre William Faulkner. Pouco tempo depois, Paulo lia Faulkner no original.
Nossa amizade, tão antiga, e tão acrescentada, de Diógenes da Cunha Lima, que nasceu com a ciência infusa, e para quem, muitas vezes, e tantas empurrávamos de graça um carro seu,Ford e antiquíssimo e preto, nas ladeiras da Rua José de Alencar. Parece que estou a ouvir Navarro, afirmando para mim, acerca de Ney Leandro: “Este será um grande poeta”. Ney era um adolescente de 15 anos; e estávamos em um jantar no restaurante que ficava nos altos do Natal Clube. E de onde se via a cidade,das Quintas profundas às Rocas melancólicas.
Tanta vida, meu Poeta, e ainda tanta esperança! Voltaica visão do passado, hoje você ministro da simplicidade sensível de viver e contemplar – contemplarialiistradere – como está no dístico dos monges trapistas, que você, de vez em quando, telefona-me com vontade de conhecê-los em um monastério. Por eles, o maior deles, pelo menos em nosso século, que foi Thomas Merton, escreveu em seu diário: “Vivo sob o signo de Jonas. Viajo para meu destino no ventre de um paradoxo”. Não é paradoxo, é Deus, ó Thomas Merton!
Nesta noite, no hiper-espaço, comprovado pela física quântica, aqui se ocupa com personagens, para todos nós inesquecíveis; Jorge Fernandes, Antônio Pinto de Medeiros, Zila Mamede, Berilo Wanderley, Veríssimo de Melo (ali, de pé no estrado e na estrada) Luís Rabelo, Walflan de Queiroz, Myriam Coeli, Américo de Oliveira Costa, o mestre querido, e tantos e quantos já se foram para a Outra Margem. Quando de repente, entra Cascudo, cabeleira leonina, olhos trespassados de azul, caminhando como verdadeiro protonatário apostólico, de casemira inglesa e colete branco. Como o vi numa tarde sedenta da Ribeira, e passando diante desta mesa, exclama: “Digo que todos os poetas estão abençoados”. Que quer você mais do que isso, querido irmãos? Só se for Berilo Wanderley solfejando para nós, como fez tantas vezes, o “Carinhoso”, de Pixinguinha.

PS. Discurso de saudação proferido na posse de L.C.G. na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Transcrito do Jornal ‘O GALO’ – Julho/2001.

A santa do Natal



                Anchieta Fernandes

                                Embora uma santa nascida no Equador tenha Jesus no seu nome, Santa Mariana de Jesus Paredes y Flores, no entanto a santa mais ligada simbolicamente ao Natal, é Santa Terezinha. Que ao nascer a 02 de janeiro de 1873, em Alençon, na França, recebeu o nome Maria Francisca Teresa Martin, mas que, ao pronunciar os Santos Votos no Carmelo de Lisieux, a 8 de setembro de 1890, assumiu seu nome religioso: Terezinha do Menino Jesus da Santa Face.
                                   Voltava-se assim, primeiro para o Jesus criança, nascido segundo a tradição em um 24 de dezembro. Em toda a vida e obra (foi escritora abundante, escrevendo um famoso livro auto-biográfico – “História de Uma Alma” -, além de poesias, peças dramáticas, orações, muitas cartas; e também foi pintora)Jesus Menino é personagem sempre presente. Aliás, ela desenvolveu uma tese que chamou “infância espiritual”, para explicar sua tendência à ascese.
                                      Escreveu: “Eu me havia oferecido a Jesus Menino como um brinquedo, e lhe havia dito que não se servisse de mim como uma coisa de luxo, que as crianças se contentam em guardar, mas como uma pequena bola sem valor, que ele pudesse jogar na terra, empurrar com os pés, deixar em um canto, ou também apertar contra o coração, quando isso lhe agradasse. Numa palavra, queria divertir o Menino Jesus, abandonar-me aos seus caprichos infantis.”
                                        A decisão de tomar o hábito de carmelita lhe adveio não somente de uma “santa” inveja de algumas suas irmãs que já o haviam feito, mas também porque o que ela chamou de “conversão” aconteceu numa missa de Natal, em 1886: “Nesta noite de luz, começou o terceiro período de minha vida, o mais belo de todos, o mais cheio das graças do céu. (...) senti o grande desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que jamais tinha sentido tão vivamente.”
                                           O incrível é que este trabalho pela conversão dos pecadores acontecia no recolhimento da cela do convento, ela orando, meditando, e não indo às práticas sociais, de ajuda aos necessitados na rua. Mas eram orações de tal intensidade, que, por caminhos não observados materialmente, convertiam criminosos e davam consolo aos doentes. Em 1927, dois anos após sua canonização pelo papa Pio XI, diante de 60 mil peregrinos, ela foi declarada padroeira principal das Missões.
                                              A pedido de sua irmã Paulina, que como religiosa adotou o nome Madre Inês de Jesus, Terezinha redigiu em 1895 o Manuscrito A, primeira parte de sua auto-biografia “História de Uma Alma” (a primeira edição desta obra sairia por uma editora paulina, em Bar-le-duc, França, em 1898). Mas a 2 de fevereiro de 1893, já havia escrito seu primeiro poema, “O orvalho divino”, onde emprega expressões de grande ternura sobre o Menino Jesus: “Meu doce Jesus, no regaço de tua mãe.”
                                                  Em 2002, a editora católica paulista Paulus publicou uma antologia com as “Obras completas” de Santa Terezinha. Em cada uma das partes da antologia, representando cada uma um gênero literário em que a flor do Carmelo se exercitou, não faltam estas referências ternas ao Menino Jesus, talvez mais do que as referências a Jesus Cristo adulto. Que, é claro, se fazem presentes também, pois não seria o caso de a “esposa” Terezinha menosprezá-lo preconceituosamente.
                                                     A antologia é constituída pelos manuscritos auto-biográficos, desde o Manuscrito A (primeira parte da “História de uma Alma”), onde em dado momento ela escreve: “Nesta noite luminosa, que iluminou as delícias da Trindade Santa, Jesus, a doce criancinha de uma hora, mudou a noite de minha alma em torrentes de luz.” Tem também a parte das cartas, das poesias, das Recreações Piedosas, das orações, dos “Últimos Colóquios”, dos escritos vários, além das Notas.
                                                               As Recreações Piedosas são as peças de teatro que Santa Terezinha escreveu, das quais 3 são com temas natalinos: “Os Anjos no Presépio de Jesus”, “O Divino Pequeno Mendigo do Natal” e “A Fuga para o Egito”. Santa Terezinha faleceu no Carmelo de Lisieux a 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos de idade. A sua irmã, Irmã Maria do Sagrado Coração, recolheu desde 8 de julho as palavras da santa em seu leito de doente (acometida pela tuberculose), nas conversas com as outras freiras.
                                                                  Pelas 19:20hs, ela olhou para o crucifixo, e pronunciou suas últimas palavras: “Oh! Eu o amo...Meu Deus...Eu vos amo!” A partir da publicação da “História de Uma Alma”, um ano após a morte da autora, começou uma inesperada popularidade da carmelita. O livro se tornou um best-seller. Vem a necessidade de republicá-lo logo, várias edições em diversas línguas, inclusive em japonês. Milhares de cartas chegam a Lisieux, relatando as curas obtidas por intermédio de Terezinha.
                                                                     Vem a beatificação (1923), a canonização (1925). E o culto a Santa Terezinha se multiplica pelo mundo, construindo-se igrejas e basílicas dedicadas a ela. Biografias dela em vários meios de comunicação e gêneros artísticos (livros, filmes, quadrinizações). Aqui no Rio Grande do Norte ela é homenageada de diversas maneiras. De 24 de dezembro (justamente numa Noite de Natal) de 1930 a 1 de janeiro de 1931, ocorrem as festas de inauguração do seu templo, no Tirol.
                                                                          Em 1937, é fundado em Mossoró o Seminário Santa Terezinha, onde os futuros sacerdotes obtém a primeira etapa de sua formação. As associações religiosas organizadas sob o patrocínio do seu nome existem em várias paróquias do Estado. Aliás, além da paróquia de Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças, criada na capital, por Dom Marcolino Dantas, pelo Decreto nº 25, de 01 de agosto de 1950, ela é também padroeira das paróquias de Janduis e Tangará, no interior.
                                                                              Um indicativo do seu prestígio no contexto da cultura popular, é que o poeta e professor natalense Thomas Heidegger Saldanha escreveu um folheto de cordel com o título “A Vida de Santa Terezinha”, em 12 páginas, apresentado pelo Cônego José Mário de Medeiros. Na capa, foi reproduzido o retrato em um quadro, pintado em 1925 pela irmã dela Celina, que foi também carmelita em Lisieux desde 14 de setembro de 1894, com o nome Irmã Genoveva da Santa Face.
                                                                                Os recursos de criatividade nordestina voltaram-se também para a captação da vida da santa através da câmera cinematográfica.. Em 1925, a Companhia Vera Cruz realizou a adaptação fílmica do livro “História de uma Alma”, com direção, adaptação e roteiro por Eustórgio Wanderley. A atriz pernambucana Noemi Gomes de Matos interpretou Terezinha. O filme foi mais um a ser incluído no acervo do chamado Ciclo do Recife.
                                                                                    Em termos nacionais, mencionável foi a quadrinização da vida da florzinha de Lisieux, publicada nos anos 60 pela editora carioca Editora Brasil-América, como volume 14 da coleção Série Sagrada. Os belos desenhos de Mário José de Lima estiveram à altura do inteligente texto de Augusto de Andrade. Foram 34 páginas de uma agradável leitura visual da vida de uma pessoa que esteve sempre no centro das tecnologias visuais, pois foi bastante fotografada.
                                                                                      Quanto à fertilidade imaginativa (que se concretizou, por exemplo, nas peças de teatro que ela escreveu a partir dos 20 anos de idade, começando com “A Missão de Joana D’Arc”), Terezinha demonstrou desde a infância, quando no colégio do Carmelo inventou uma nova brincadeira: “Gostava, também, de contar histórias que inventava à medida que me vinham ao espírito.” Terezinha era uma menina especial,uma leitora que gostava de ler, e não de ler por obrigação escolar.
                                                                                         Como quase todas as crianças, teve um animalzinho de estimação, o cachorro Tom.Também gostava de dar presentes de animaizinhos, principalmente pássaros. Era alegre, inteligente, vivaz; brincava de pular de corda. Mas também de fazer orações, de beijar o crucifixo, e sempre, desde pequena tendo a vontade de ser carmelita. Gostava dos campos, das flores (*), e de olhar as estampas piedosas que suas irmãs lhe mostravam. Seu pai, o relojoeiro Luis Martin a chamava de “rainhazinha” e ela o chamava de rei.
                                                                                           No Natal, o rei é um menino nascido em uma manjedoura, e a rainha é a mãe desse menino. Por sua nobreza a partir da pobreza. Em sua homenagem, é errado levar crianças à escolha de presentes caros nas lojas, tirar fotos de privilégio nos colos dos papais noéis. Toda menina deveria, na Noite de Natal, rezar a oração composta por Terezinha em 1896, endereçada ao Menino Jesus, após ter também composta uma outra oração, dedicada ao “Pai Eterno”:
                                                                                               “Eu sou o Jesus de Teresa. Oh, pequeno menino, meu único Tesouro! Abandono-me aos teus divinos caprichos. Não quero outra alegria, senão a de te fazer sorrir. Imprime em mim tuas graças e virtudes infantis, a fim de que, no dia de meu nascimento para o Céu, os Anjos e os Santos reconheçam em tua pequena esposa Teresa do Menino Jesus.” A menina que rezar poderá substituir o nome Teresa do Menino Jesus pelo próprio, acrescentando o “de Jesus”.
                                                    
*A 09 de junho de 1897, já bem doente Terezinha, uma de suas irmãs, a chamada religiosamente Irmã Maria do Sagrado Coração, disse-lhe o quanto iriam ficar tristes se ela, Terezinha, morresse. A futura santa replicou: “Oh, não! Vereis: será como uma chuva de rosas”.
Trecho da peça “Os Anjos no Presépio de Jesus”, escrita por Santa           Terezinha na primeira quinzena de outubro de 1894, e representada no Carmelo de Lisieux a 25 de dezembro:
“O Anjo do Menino Jesus

Divino Jesus, como é doce e encantador o som de tua voz infantil. Toda melodia dos céus não pode ser comparada a uma só de tuas palavras! Oh, formoso menino! Escuta minha oração! Tira da terra de exílio um grande número de almas inocentes que se assemelham a ti. Digna-te colher, antes que desabrochem, as flores que murchariam se permanecessem aqui na terra. Assim que o orvalho do Batismo tiver depositado em seus corações um germe de imortalidade, Jesus, que tua mãozinha se apresse a transplantá-las para os jardins dos Céus.”