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4 de agosto de 2017

DA SUPERPOPULAÇÃO NASCE O CAOS



Valério Mesquita

O agravamento dos problemas de saúde, segurança e desemprego no mundo e, particularmente, no Brasil, tem a sua raiz na explosão populacional. Não precisa ser cientista social, sociólogo, socialista ou qualquer profissional especializado para chegar às conclusões. Há cinquenta anos as entidades de planejamento familiar no Brasil não foram bem recebidas pela igreja, partidos políticos, governos estaduais e sociedade civil. Velhos tabus se interpuseram e malograram os propósitos da diminuição da natalidade que poderia ter atenuado hoje o crescimento geométrico da população e da demanda de saúde, de alimento, de emprego, de violência e tantas outras mazelas. O homem continua predador do globo terrestre e da sua própria vida quando, a cada dia, gera competitividade a si mesmo.
Observem o continente africano, com uma gama imensa de pobreza e de carências de todo o tipo. Ali a raça humana se acha em processo de extermínio mesmo, pela fome e pela doença. E os países ainda promovem guerras brutais numa verdadeira e escandalosa carnificina. E qual o divertimento dessa superpopulação oprimida e atrasada: o sexo, a procriação, que substituem ilusoriamente a falta de sustento, de assistência, de remédio, todos subjugados ao talante político de golpistas e demagogos corruptos. Mas, as nações do Novo Mundo, de idiomas espanhol e português, enfrentam as mesmas sobrecargas, migrando para a Europa que já fechou, por sua vez, as porteiras alfandegárias e diplomáticas. Para africanos e asiáticos, idem. As razões defensórias são as mesmas: os estrangeiros solapam e rivalizam o acesso à saúde, ao emprego e ao alimento com os nacionais, além de promoverem tumultos pela conquista de direitos sociais iguais.
O Brasil já supera os duzentos milhões de habitantes. É uma população que já ultrapassa a grandeza da sua dimensão territorial. Isso, por conta dos bolsões de pobreza, de desemprego, criminalidade e saúde pública (federal e estadual) sucateadas. Outro ponto concorrente reside na migração do homem do campo para as áreas metropolitanas. Aí se instala a desordem social, onde tudo que é excesso se transforma em coisa demasiadamente ruim. Quer um exemplo: a quantidade de veículos motorizados, o número crescente de assaltos, rios poluídos, água potável contaminada, escassez de moradias, e por aí vai. Tudo por quê? Porque existe gente demais. O país ignorante e analfabeto não elegeu uma política educacional de controle da natalidade para um desenvolvimento sustentável.
E daí? Tome improvisação e choque de gestão! Medidas oficiais somente paliativas e projetos megalomaníacos. O brasileiro espera sempre pelo milagre da terra, sem prepará-la, contudo, adequadamente, para produzir alimentos. No Rio Grande do Norte, quem está no campo produzindo? Quem deseja mais manter propriedade rural para ser tomada por bandos organizados e oficializados? A economia mundial sofre a pior crise da sua história, face à concentração de riquezas dos que aplicam dinheiro no arriscado mercado de capitais, em detrimento de bilhões de indivíduos marginalizados. Com efeito, levam os governos ao “salvamento” de bancos e empresas gigantescas, tirando das populações empobrecidas o direito ao pão, à saúde e ao teto. O “crescei e multiplicai-vos” foi levado muito ao pé da letra. Como diria um padre amigo meu, “isso aí é uma alegoria...”. Sou a favor da vida, mas é preciso ensinar o povo que botar gente no mundo sem condições de criar, hoje, é burrice e dor.


(*) Escritor.

19 de abril de 2017

Milton Ribeiro Dantas: da tisiologia à observação astral





                                                                                                      Milton Ribeiro Dantas

O médico Milton Ribeiro Dantas nasceu na cidade de Mossoró, em 22 de novembro de 1914, e faleceu em Natal a 8 de novembro de 1992.  Era o primeiro filho - de uma prole de quatro - do casal José Ribeiro Dantas(1889-1950) e Helena Villar Ribeiro Dantas(1891-1987).
Depois de concluir o curso secundário – iniciado em Mossoró –transferiu-se para Recife, onde formou-se em medicina na turma que colou grau no ano de 1936. Dois anos depois, consorciou-se com a sua prima Mirtes Ribeiro Dantas, tendo nascido três filhos: José Ribeiro Dantas, Maurício e Paulo Eduardo.
Especialista em tisiologia ocupou vários cargos relevantes na sua profissão: Diretor do Hospital São João de Deus, no período de 1938 a 1944, e do Sanatório Getúlio Vargas, durante quinze anos (1944-1959). Foi diretor do Instituto de Medicina Legal e Criminalística do Estado e professor fundador da cadeira de Medicina Legal na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Além da sua atuação como médico revelou-se um influente deputado estadual (1951-1954), tendo sido um dos fundadores da União Democrática Nacional-UDN, no Rio Grande do Norte, sendo secretário geral do Diretório Regional, de 1950 até janeiro de 1961, quando renunciou, abandonando as atividades políticas. Dentre os projetos apresentados destacam-se a criação do Departamento Médico Legal, na Secretaria de Segurança Pública, criação do Serviço de Assistência Psiquiátrica, na Secretaria da Saúde e Assistência Social; e, a criação do Departamento Estadual da Criança.
Foi membro de diversas entidades assistenciais e científicas, destacando-se a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio Grande do Norte, da qual foi presidente no biênio 1942-1943; fundador da Liga Norte-Rio-Grandense contra o câncer; membro correspondente desde 1937, da Sociedade Brasileira de Tuberculose; Fellow doAmerican College of Physicians, diploma de março de 1949; Membership do American Trudeau Society –Medical Section of National Tuberculose Association, título de maio de 1953; membro titular da Union International contre la Tuberculose; correspondente da Sociedade de Medicina e Criminologia de São Paulo e membro titular da Sociedade Brasileira de Medicina Legal e Criminologia.
 Atento conhecedor da condição humana era, também, “observadorespacial” como mostra os versos de sua autoria, impressos na antologia Uns Fesceninos, organizada por Oswaldo Lamartine de Faria, editada no Rio de Janeiro em 1970.

O sol e a lua fornicam
No leito azul do infinito.
Se há coisas que bem se explicam,
Outras não, nunca, jamais:
Como muitos animais,
O sol e a lua fornicam.
A posição que praticam?
- Pode até ser esquisito –
Mas todo mundo, tem dito
Que é um fato indiscutível,
Perfeitamente possível,
No leito azul do infinito.

 Revelando-se, também, um arguto observador da “fauna”, sentenciou:
 Há quem pareça sem ser
E quem é, não parecendo.
Quero dar meu parecer
Com absoluta isenção,
Tenho até convicção,
Há quem pareça sem ser
Só quem poderá dizer
O que pareça, não sendo,
Distinguir o que está vendo,
Pois nunca, jamais, se engana,
É o verdadeiro sacana
E quem é, não parecendo.

                                                      João Gothardo Dantas Emerenciano

Referências
CARDOSO, Rejane.(Coord.) 400 nomes de Natal. Natal: Prefeitura Municipal de Natal, 2000.
FARIA, Oswaldo Lamartine de. Uns Fesceninos.Rio de Janeiro: Artenova, 1970.
LIMA, Manoel Jácome de. O Poder Legislativo do Rio Grande do Norte no Regime Republicano. Revista do IHGRN, vol.LVI-LVII-LVIII, anos 1964-1965-1966.
MOURA, Carlos Alberto Dantas. Família Ribeiro Dantas, de São José de Mipibu. Brasília: Cegraf, Senado Federal, (19??).







15 de março de 2017

HOSPITAL SAMARITANO



Valério Mesquita

O Hospital Infantil foi criado em 1917 pelo dr. Manoel Varela Santiago, com atendimento ambulatorial às crianças do Rio Grande do Norte, principalmente de baixo poder aquisitivo. Antes da sua morte, o dr. Sílvio Lamartine assumiu a direção do hospital, permanecendo nessa função por mais de 30 anos. Nos últimos anos o “Varela Santiago” ganhou significativo impulso, diversificando e ampliando o seu atendimento, através de mais de dezesseis especialidades, assistindo uma média de oito mil e quinhentas crianças por mês. A sua UTI, encontra-se permanentemente lotada. Sobrevive com a contribuição de algumas empresas, convênios com o governo do estado e com a ajuda financeira de pessoas que conhecem e acreditam na seriedade do trabalho desenvolvido pelo dr. Paulo Xavier, seu atual diretor.
Trata-se do único hospital pediátrico do Rio Grande do Norte que atende exclusivamente através do programa SUS. Ou seja, o SUS é porta única para se ter acesso ao mesmo. Caso raro, que merece não só o aplauso do povo norte-riograndense, mas, de igual forma, a plena aprovação ao trabalho do grande profissional e magnífico ser humano – dr. Paulo Xavier – que ali tem transformado os seus dias, em exercício de doação e permanente lição de amor.
A saúde do Rio Grande do Norte vive um quadro difícil de sua existência. O exemplo impactante é a situação do Walfredo Gurgel, mais conhecido como o “hospital dos mártires”, onde os doentes continuam jogados nos corredores. O Walfredo Gurgel não estaria sendo vítima da “ambulancioterapia” dos municípios interioranos? Por que não equipar e ampliar a estrutura de atendimento dos hospitais públicos da grande Natal para absorver essa clientela e livrar o Walfredo Gurgel desse fluxo de interminável agonia?
Cito o caso do Walfredo Gurgel porque me parece que os problemas de saúde não estão sendo tratados com racionalidade e disciplina. Digo, melhor: falta uma política descentralizada e investimentos maciços na área da saúde. Como um único hospital pediátrico, que atende somente pelo SUS, da rede privada, consegue equalizar, sistematizar e manter a sua qualidade de atendimento, como vem procedendo o Varela Santiago? Acrescente-se aí um dado importante: a demanda de pacientes que recebe do interior e da capital é geometricamente crescente, porquanto a população infantil desassistida tornou-se incalculável. Você conhece, por dentro, a ala das crianças que padecem de câncer? Eu vi e não pude controlar a emoção e um quase desespero. Foi aí que me lembrei dos que moram em mansões e palacetes de luxo, que vivem uma vida de dissipações com gastos supérfluos achando que nunca adoecerão.
Veio-me à cabeça um evento como o Carnatal, onde os promotores ganham rios de dinheiro e não se sensibilizam em ajudar a criança cancerosa. Antes, as damas da sociedade e dos clubes de serviço promoviam chás e festas em benefício do hospital infantil. Hoje, pagam caro a crônica social para exibir as suas futilidades e esquecem os inocentes pacientes portadores de tumores malignos.
Por isso, louvo e aplaudo o trabalho do dr. Paulo Xavier e toda a sua equipe de auxiliares que mantêm acesa a chama votiva do ideal hipocrático de Manoel Varela Santiago e seu sucessor Silvio Lamartine. Não significa dizer, com efeito, que o Hospital Infantil é autosuficiente e já dispensa ajudas. Absolutamente. O condão do meu reconhecimento tem o objetivo de registrar e agradecer as vidas salvas de milhares de crianças ao longo do tempo. E que a sociedade pode e deve ampliar esse apoio, esse auxílio, porque o Hospital Infantil Varela Santiago é um patrimônio de Natal e do Rio Grande do Norte. Meu Deus, o que seria das crianças pobres se ele não existisse!!


(*) Escritor

23 de outubro de 2014

Micropigmentando a pele



Técnica de pigmentação artificial da pele permite corrigir imperfeições e embelezar não só o público feminino quanto o masculino.

A micropigmentação é técnica mais moderna existente no segmento estético. Ela permite redesenhar e retocar  não só sobrancelhas, mas também olhos, lábios e até reconstruir as mamas. Se  os cabelos são a moldura do rosto, certamente as sobrancelhas são responsáveis pela harmonia entre cada detalhe. Uma sobrancelha bem definida é sinônimo de um olhar  mais leve  e iluminado, valorizando ainda amais a beleza da mulher.
Neste  sentido, cresce a procura pela micropigmentação fio a fio  das sobrancelhas , antes conhecida por maquiagem definitiva. Na técnica da pigmentação artificial, o profissional desenha fios  finíssimos em tamanhos, cores e formas seguindo a linha natural do cliente, criando um efeito tridimensional. O detalhe importante é que as pessoas voltam a ter seus pelos de volta, devido ao processo que consiste na aplicação dos produtos inorgânicos e a renovação das células.
                A Aplicação de pigmentos inorgânicos e hipoalérgicos visa a melhor definição dos traços e contornos de olhos, substituindo o lápis, o delineador e ainda o contorno de boca. Também podem ser corrigidas falhas e cicatrizes, através da pigmentação de cabeça, estrias etc. 
Após a  primeira aplicação, a cliente precisa retornar após um período de 30 a 45 dias. “Depois é só sair esbanjando charme como novo visual e não se preocupar em retocar tão cedo. Dependendo dos cuidados são exigidos, a volta é em média de 12 a 24 meses, pois a micropigmentação só sai com a renovação das células da pele”., explica a micropigmentadora Suely França.
De acordo com a especialista, apesar do efeito permanente da técnica, não se trata de tatuagem. “O objetivo  é recuperar ou restaurar áreas da pele que  por várias motivos perderam a sua coloração ou estética original” destaca.
A técnica da micropigmentação é feita com  demógrafo , pigmentos, agulhas. A aplicação é feita sobre a epiderme, camada superficial da pele.  O procedimento é feito com anestésico  e é praticamente indolor. A técnica costuma demorar em média  1 hora e 30 minutos, dependendo do local do corpo que a recebe.  No caso de pigmentação capilar, para disfarçar a calvície, o procedimento chega a durar  6 horas.         

                

5 de maio de 2014

Pilates – Forte Aliado da Saúde



                                                                 Salete Pimenta

          Pilates, este método de exercícios, ou seja, esta técnica de condicionamento físico foi criada na década de 20 pelo alemão Joseph Hubertus Pilates. Pilates nasceu no século 19 e morreu no século 20, no ano de 1967. No período da Primeira Guerra Mundial em 1914, ele foi exilado e mandado para uma ilha inglesa, onde trabalhou num hospital com exilados e mutilados. Nesse hospital, para atender as necessidades dos pacientes, ele iniciou o uso de molas no tratamento médico, o que seria a base para mais tarde o ajudar no desenvolvimento de um sistema de exercícios e equipamentos. Em 1923, Pilates mudou-se para Nova York e com sua experiência e resultados positivos nos pacientes, desenvolvendo esse sistema de exercícios, abriu seu primeiro Studio de Pilates. É importante ressaltar que o Método Pilates não se centrava em exercícios padronizados; tinha um cunho irrefutável de individualidade, alterando radicalmente os planos comuns de exercícios perante determinado indivíduo
         O método chegou ao Brasil através de Alice Becker Denovaro, primeira brasileira a se certificar para instrução técnica desse método, criando em 1991 o primeiro Studio brasileiro de Pilates. Professora do “Balé Teatro Castro Alves” introduziu o Pilates na área clínica em Salvador-BA, através do Ambulatório de Dor do Hospital das Clínicas - HUPES – UFBA.
         A partir daí, o Pilates expandiu-se pelo país, mas só em 1999 é que surgiu o primeiro fabricante de equipamentos de Pilates, a “Physio Pilates”, com sede em Salvador-BA. Esse método vem ao longo de todo esse tempo, por ser um exercício de equilíbrio, tonificação e alongamento, melhorando consideravelmente a capacidade de locomoção e a capacidade respiratória, recuperando a disposição de quem o pratica, aprimorando a coordenação muscular e o equilíbrio corporal, aumentando também a resistência física e mental. O Pilates não é só indicado para todas as idades, como também se tornou quase uma obrigação para grupos de idosos e gestantes que desejam manter a saúde em dia. Segundo a revista “Guia de Pilates” – editora Online, publicação do IBC – Instituto Brasileiro de Cultura Ltda. São Paulo–SP, o Pilates também pode ser praticado por crianças a partir de 07 anos de idade, promovendo o ganho de força muscular, alongamento, alinhamento, correção e percepção postural, coordenação motora e ainda tem o poder, inclusive, de controlar a hiperatividade. Inúmeros são os exercícios, e os equipamentos apresentam movimentos e graduações que podem ser adequados de acordo com o nível de cada aluno e suas limitações.
       A portuguesa Maria Aguiar Mendes Larsen, professora de Pilates, escreveu o seguinte: “Pilates é uma paixão: controle, equilíbrio e graciosidade de movimento, são qualidades, aliadas a uma forte componente corretiva do corpo, que o torna mais alinhado, equilibrado, forte, flexível e bonito.” Maria Aguiar é sócia-fundadora da Pilates Alliance Portugal.
       A fisioteraupeuta Juliana Medina, instrutora de Pilates, diz: “um dos princípios desse método é o centro que consiste na ativação do “Power House” (centro de força), de onde partem toda a centralização e a estabilidade para realizar os exercícios, presentes em todos os movimentos do Pilates. A ativação do “Power house” potencializa a prática, evita lesões e protege a coluna”.
      Fernanda Medeiros Morozini, graduada em Fisioterapia e especialista em Fisiologia, acrescenta que todos os exercícios do Pilates devem ser obrigatoriamente realizados com o tipo correto de respiração, o qual se concentra no fechamento das costelas, na contração abdominal (umbigo para dentro) e na contração da musculatura de assoalho pélvico. Isso requer prática, mas é um elemento indispensável do método.
Entretanto, vale ressaltar que a segurança e os resultados do Pilates são melhores quando contamos com Stúdios bem equipados e com o auxílio e supervisão de profissionais capacitados. A cada dia, ele é conhecido por mais e mais gente conquistando novos praticantes e admiradores.

       Enfim, não é a toa que o Pilates virou uma febre nacional, pois promove saúde no corpo e na mente; daí a frase: “Corpo são, mente sã”.

25 de março de 2014

A educação no Brasil sob a ótica das necessidades e possibilidades.

          Nos últimos anos, o debate público brasileiro está submetido à comparação do "Brasil do passado" versus o "Brasil do presente". Olhando pelo retrovisor, o país de fato caminhou a passos largos. Há 60 anos, o que é muito pouco em termos históricos, o Brasil era um país eminentemente agrícola, com baixíssimos índices de acesso à educação e à cultura. 

         Chegando mais perto, por volta da década de 1980, os períodos de super e hiperinflação, somados às crises de empregabilidade, prejudicaram e sobretaxaram os mais pobres, intensificando ainda mais as gritantes desigualdades socioeconômicas e civis brasileiras. Diante do passado próximo, não há dúvida de que o Brasil mudou... e mudou para melhor. 

            Por característica de formação (em Ciência Política), ainda que reconheça o mérito dos governos como atores políticos determinantes, considero que o motor dos avanços nacionais é o aparato institucional estabelecido e desencadeado pela Constituição Federal de 1988, fruto de um dos mais interessantes capítulos de negociação da história brasileira. Mais que qualquer outro fator, foram o processo político de construção da                    Carta Magna e seu próprio conteúdo os elementos determinantes para demarcação das regras e objetivos do jogo democrático no Brasil, dando a régua e o compasso a todos os agentes públicos (sociedade civil, partidos, Estado).

          No entanto, o país convive com uma contradição fundamental: o flagrante descumprimento dos ditames constitucionais. Restringindo a análise às políticas educacionais, o Brasil ainda não foi capaz de consagrar qualquer um dos princípios sob os quais deve ser universalizado o direito à educação. Para citar apenas alguns, não garantimos a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, a valorização dos profissionais da educação ainda é uma quimera distante e a gestão democrática parece ser algo irrealizável. Consequentemente, estamos muito distantes de consagrar um padrão (mínimo) de qualidade educacional. 

             Embora a alfabetização, que por determinação constitucional, devesse ter sido universalizada em 1998, ainda hoje, mais de dez anos depois, não foi garantido o direito elementar à educação a cerca de 14 milhões de brasileiros analfabetos. Igualmente grave quanto é o fato de que os estudantes brasileiros aprendem pouco, sejam eles alunos de escolas públicas ou privadas.

E, se mesmo na educação, o olhar pelo retrovisor também nos anima diante de um passado extremamente desolador, o olhar sincero e cuidadoso para a situação presente de nossas escolas públicas é gravemente desanimador. Diante desse dilema, o debate educacional brasileiro não pode se restringir à comparação do "Brasil do passado" com o "Brasil do presente". Esse exercício comparativo não é capaz de fazer avançar a consagração de um direito humano há anos desrespeitado no país. Com efeito, ele não é suficiente para engendrar um futuro melhor. 

         Diferentemente, é preciso analisar quais são nossas necessidades em termos de direitos educacionais e quais são nossas possibilidades (orçamentárias, institucionais, políticas). Apenas sob esse prisma é que se pode buscar meios de melhorar o ritmo (lento!) de melhoria dos indicadores educacionais brasileiros, ainda tão vergonhosos. 

          No final de dezembro, a revista britânica "The Economist" publicou uma matéria sobre a situação da educação no Brasil. Embora com alguns erros, o texto analisa o estudo sobre os indicadores educacionais brasileiros empreendido pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Organização das Nações Unidas). Para os britânicos, saímos de uma situação "desastrosa" para "muito ruim" e teremos muita dificuldade para alcançar uma situação mediana.


(Daniel Cara- Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), é coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação)





20 de março de 2014

INSS x recolhimento contribuição



Os contribuintes individuais, empregadores domésticos, tem até o dia 15 de cada mês para recolher a contribuição previdenciária. Quando a referida data cair em um feriado, sábado ou domingo, será prorrogada para o dia seguinte.
Com a vigência do novo salário mínimo de CR 724,00 (setecentos e vinte e quatro reais), para 2014, tanto o contribuinte individual quanto só empregadores domésticos passam a recolher uma contribuição de R$ 144,80, equivalente a alíquota de 20% do salário mínimo.
O contribuinte individual que exerce uma atividade autônoma pode optar pelo Plano Simplificado. Neste caso, a alíquota de contribuição cai de 20% para 11%, o que significa o recolhimento mensal de R$ 79,64. Esta alíquota permite ao contribuinte usufruir de todos os benefícios da Previdência /Social, com exceção da aposentadoria por tempo de contribuição.
Perícia médica (I)
A perícia médica é a avaliação necessária para conceder ou não o auxílio-doença (previdenciário ou acidentário), o auxílio-acidente e a aposentadoria por invalidez.
A avaliação médico pericial é realizada pelo perito médico, que pode basear-se, também, em exames complementares e pareceres especializados que o segurado possuir. Por isso é recomendável que o segurado, sempre que comparecer à perícia, leve seus exames e documentos médicos.
Perícia médica (II)
No dia da realização da perícia o segurado pode levar informações detalhadas sobre as causas da incapacidade para o trabalho e o tratamento indicado, fornecidas pelo seu médico. As informações serão analisadas pelo perito médico, mas não determinarão, por si só, o resultado da perícia.
O perito médico avalia caso a caso. Muitas vezes, o problema de saúde que incapacita uma pessoa para o trabalho não incapacita outra. O perito médico avalia a situação, levando em consideração a doença e o tipo da atividade exercida pelo segurado.
Perícia médica (III)
A conclusão da perícia médica do benefício solicitado será feita com base na lei, na análise dos exames apresentados e no resultado da avaliação médico pericial, e levará a um destes três caminhos:
1. O segurado está incapaz para o trabalho e teve decisão pericial favorável para receber o auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez, nos casos mais graves, se atendidos os demais requisitos para a concessão do benefício;
2. O segurado está apto para realizar outro tipo de trabalho que não o seu e será encaminhado para a reabilitação profissional;
3. O segurado está capaz de realizar o seu trabalho e o parecer será contrário à concessão do benefício, ou seja, terá o pedido negado.
Perícia médica (IV)
Caso o segurado não concorde com a conclusão da perícia médica, pode solicitar um Pedido de Reconsideração – PR. Um novo exame será realizado por outro perito médico do INSS.
No caso de auxílio-doença, a perícia determina a duração do benefício. O segurado que não se considerar em condições de retornar ao trabalho ao final da data determinada para tal poderá requerer um Pedido de Prorrogação – PP. Isso deve ser feito no prazo fixado pela Previdência Social. Nesse caso, os segurado será submetido à nova perícia médica.


16 de outubro de 2013

Envelhescência, preparação para a Velhice

 


Salete Pimenta Tavares

Sempre se ouviu dizer que a vida do homem se divide em quatro períodos: Infância, Adolescência, Maturidade e Velhice. A primeira etapa da vida humana é a infância; é o período que vai do nascimento à puberdade. Um período lúdico, de brincadeiras e divertimentos. A adolescência é o período entre a infância e a maturidade. É a fase da mocidade, da juventude; um período de sonhos, de devaneios, de paixões, de criatividade, de desejos de liberdade, onde tudo se apresenta com mais força e com mais coragem para a realização dos sonhos.
Muitos poetas e escritores enaltecem a juventude, através de poesias, de crônicas, etc.; dentre elas podemos citar trechos do poema de Olavo Bilac, “A Mocidade”.
A mocidade é como a primavera / A alma cheia de flores resplandece. / Crê no bem, ama a vida, sonha, espera / e a desventura facilmente esquece”. E no finalzinho desse poema ele ainda ressalta: “a mocidade não dá frutos como o outono / pois só dá flores como a primavera”.
Já a maturidade é uma fase mais calma, mais real, onde se busca o equilíbrio para resolução de problemas e de situações difíceis. A atriz Letícia Sabatela, no auge de sua maturidade, falando dos atuais interesses, de suas crenças, de suas aspirações, diz que vive um momento diferente, buscando mais o equilíbrio entre a sobrevivência e a transcendência. E ainda acrescenta: “Aprendi a seguir no meu tempo, no meu passo, no meu ritmo”. (vê revista Cláudia – agosto de 2013).
O escritor, dramaturgo e jornalista Mário Alberto Campos de Morais Prata, conhecido como Mário Prata, considerado um dos mais importantes escritores brasileiros, além de livros, novelas, roteiros de cinema e de teatro, iniciou o tema crônicas, convidado, que foi, pelo Diretor de redação do jornal “O Estado de São Paulo” (Estadão), na época (1993), o senhor Aluísio Maranhão, para escrever crônicas naquele jornal. Começou com uma crônica chamada “Envelhescência”, cujo sucesso assustou o próprio escritor. A Envelhescência é, pois, o período entre a maturidade e a velhice. É uma fase bastante complicada, pois o homem já passou da adolescência, atingiu a maturidade, mas ainda não chegou à velhice. Sabemos que o homem não fica velho de repente, assim da noite para o dia; vai envelhecendo aos poucos, enquanto seus cabelos vão embranquecendo, suas faces ficando flácidas e enrugadas e o seu corpo perdendo vigor e a coragem de viver uma vida ativa.
Li certa vez, um livro que falava sobre Lei Mental (infelizmente não lembro o nome), apesar de ter anotado essa frase do Artigo 25º, da referida lei: “Não tenha medo da velhice. A idade não é o passar dos anos, mas o acúmulo de sabedoria.” O certo é que o passar dos anos é mesmo inevitável. Mas ninguém envelhece pelo simples fato de viver um determinado número de anos. As pessoas só envelhecem quando abandonam seus ideais; as pessoas só envelhecem quando deixam de acreditar nos seus sonhos. Há um ditado que diz: “Os anos enrugam a pele, mas a desistência do entusiasmo é que enruga a alma.” A idade está na mente e no espírito de cada pessoa.
Madre Tereza de Calcutá, numa de suas inúmeras frases escreveu: “Tenha sempre em mente que a pele fica enrugada, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda: tua força interior e tuas convicções não tem idade.”
A Envelhescência, segundo Mário Prata é o período que vai dos 45 anos aos 65 anos, o que nada mais é do que a maturidade do envelhescente. Depois sim, vem a velhice.
A atriz global Débora Bloch, nos seus cinqüenta e poucos anos de idade, numa entrevista a revista “Cláudia” do mês de setembro de 2013, disse o seguinte: “Aos 50 anos a gente sabe quem é e o que quer ou não quer para a vida. É bem difícil envelhecer. Mas devemos aceitar esse processo e descobrir como vivê-lo da melhor maneira possível.” É na “Terceira Idade”, ou seja, na maturidade do envelhescente, que descobrimos o valor do carinho, do sorriso, de um gesto limpo de caráter, enfim, descobrimos como é fácil ser feliz. A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía, quando se era menino. Quanto à velhice, ela não existe, é uma questão de opção. A velhice é quando se perde as funções, a vitalidade e a plenitude da vida. E isso só deve acontecer próximo da morte.
O Brasil sempre foi considerado um país de jovens. Mas hoje esse conceito mudou, pois segundo pesquisas realizadas atualmente, o número de idosos cresceu bastante e o Brasil está envelhecendo. A sociedade, então, começou a descobrir a importância de saber envelhecer levando o idoso a uma vida ativa e saudável. E para isso, para conquistar a longevidade, é necessário realizar atividades físicas, ter uma boa alimentação e cuidados médicos, compartilhar conhecimentos e experiências, participar de grupos da chamada Terceira Idade, proporcionando ganhos em saúde mental e física, resultando em melhoria de qualidade de vida. A velhice é, pois, um problema social dos mais relevantes e delicados, que está a exigir uma tomada de consciência das novas gerações e da sociedade como um todo para amenizá-lo.
É fundamental olhar a velhice como mais uma importante fase da vida, pois segundo Fernanda Parolari Novello, no seu livro “Idade da Sabedoria” “quem passou pela Envelhescência e alcançou a velhice é porque pôde ou porque sonha viver, ou ainda mais explicitamente, porque não foi colhido na estrada da vida por uma morte prematura.”

16 de setembro de 2013

Necessário falar do nosso lixo

 
Salete Pimenta Tavares

O lixo é um dos grandes assuntos em debate no mundo de hoje, e que vem se presentificando consideravelmente, a cada dia, tendo em vista o crescimento populacional em todo o planeta. Esse crescimento começou a criar sérios problemas, uma vez que não existia saneamento básico, nem sequer coleta de lixo, e os habitantes jogavam seu lixo na rua. Em conseqüência, inúmeras doenças foram sendo cada vez mais freqüentes e a taxa de mortalidade provocada por elas sendo altíssimas. 
 
Os historiadores contam que antigamente a população jogava os seus dejetos nas ruas e que o cheiro das cidades e das pessoas era horrível. Nos castelos o sistema de latrinas era acoplado em paredes largas e ocas. As pessoas faziam suas necessidades nas latrinas e despejavam todo o dejeto nas paredes dos castelos. Só bem mais tarde é que começou o trabalho de procurar locais, fora dos castelos para despejar os dejetos. (v.pesquisa Internet). Os povos mais comprometidos com a limpeza das cidades eram os “gregos”. Eles contratavam pessoas que levassem o lixo da cidade para fora da muralha das cidades, dando origem aos primeiros lixões do mundo. Os “hindus” fazem até hoje a cremação dos mortos para evitar a poluição do solo. Outros povos da Europa Oriental, quando as pessoas morriam, jogavam seus corpos no oceano, amarrados em pedra para descerem até o fundo do mar e assim não poluir o solo.

Ano após ano a quantidade de resíduos e produtos que se tornam lixo aumenta. Apenas o Japão e a Alemanha diminuem a relação lixo habitante. Mas a produção de resíduos sólidos no mundo chega a milhões de toneladas por dia, somando mais ou menos 30 bilhões de toneladas ao ano. A preocupação com a destinação final do lixo foi percebida, mas infelizmente, até hoje, não vem sendo encarada com a urgência necessária. O aumento populacional nas cidades, aliado a uma sociedade extremamente consumista, faz gerar vários problemas ambientais. O lixo urbano é um deles, principalmente os de origem domiciliar: sobras de alimentos, papéis plásticos, vidros, papelão, etc. Os de origem industrial como o hospitalar com milhões de seringas, agulhas, curativos, gazes, ataduras, peças atômicas, etc. sendo jogados no lixo, e ainda os de origem tecnológica, o chamado lixo do século, como pilhas e aparelhos eletrônicos em geral, resíduos de diferentes origens, como já foi citado acima: residenciais, hospitalares, industriais e ainda os de construção civil, os quais são recebidos juntamente, pelos aterros e lixões, sem nenhuma separação dos mesmos. No Brasil, cerca de 100 milhões de pneus estão espalhados em aterros, em terrenos baldios, ou mesmo entulhados nas oficinas de consertos. A toda hora jogamos fora alguma coisa que não queremos. Muita comida é descartada. E o que chamamos de lixo geralmente é entendido como “resíduo sólido”, aquilo que sobra e não é líquido ou gasoso. Ainda não existe, regularmente, o costume de separar o “lixo, lixo”, do material reciclável.

Segundo o Ministério da Agricultura os resíduos orgânicos representam 69% do total descartado no país. São mais ou menos 14 milhões de alimentos, cujas sobras desperdiçadas poderiam alimentar 19 milhões de pessoas diariamente. Com o crescimento da população, estão se acabando as áreas desses aterros, e já não se tem mais espaço para a destinação do lixo. A solução eficiente realmente está na redução do consumo e reciclagem de materiais, além da técnica de cremação para pessoas mortas, tendo em vista os cemitérios se tornarem poluentes para o meio ambiente. O buraco na camada de ozônio e o aquecimento global da terra despertaram a população mundial para o que estava acontecendo com o meio ambiente. É, portanto, necessário trabalhar essa consciência ambiental, especialmente com as novas gerações. O livro “Seis Razões para Diminuir o Lixo no Mundo”, de Nilson José Machado e Silmara Rascalha Casadei e ilustração de Vera Andrade, da Escrituras Editoras, propõe o gerenciamento do próprio lixo, acompanhando tendência internacional de conscientização ambiental. Os autores do livro dizem que “o lixo”, às vezes, é alguém sem sorte que não achou o dono certo. E se todo mundo concorda que precisamos diminuir o lixo do mundo e reaproveitar os sólidos, este pode ser o caminho. Segundo eles 40% do que nós compramos vira lixo.

O lixo brasileiro é considerado um dos mais ricos do mundo e sua reciclagem, é, fortemente sustentada pela catação informal ou os chamados garimpeiros do lixo. Mas, infelizmente, ainda não está sendo dada a devida importância às questões relativas ao saneamento ambiental, em especial à coleta e destinação adequada dos resíduos. No entanto, há muitos exemplos de cidades, em que já foram, ou estão sendo implantados programas de reciclagem do lixo. Em Curitiba, PR, existe um programa chamado “Lixo que não é lixo”, implantado há mais ou menos dez anos, em que a reciclagem já atingiu um estado avançado.

Há poucos dias, mais precisamente no dia 25 de julho de 2013, a Rede TV Rio, apresentou uma reportagem em que a televisiva Sabrina Boing Boing declarou ser de uma família de origem super-humilde vivendo perto de um lixão, onde o cheiro era insuportável. Quando criança chegou a catar roupa, brinquedo e até mesmo comida, Já morou na rua e quando conseguiu chegar à televisão, com o primeiro dinheiro que ganhou comprou um ursinho de pelúcia, talvez pela falta de brinquedos na sua infância.




O Jornal Tudo – Ano 02 – Nº 54 – 14 a 20-04-2012- BH, afirmou: Nos próximos anos, cada vez mais as pessoas e empresas precisarão se envolver com a reciclagem e com o destino dos resíduos urbanos. As tecnologias já existem, mas o que falta é encorajar as pessoas a participarem. Solução para o lixo exige leis, mercado e novos hábitos. Existe no Brasil um programa desenvolvido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), criado pelas empresas produtoras de agro-químicos, o qual é considerado um dos mais eficazes do mundo. Só no ano passado os agricultores brasileiros devolveram 95% das embalagens de agrotóxicos usadas por eles. Exemplo como este mostra que há solução para o lixo e o que não é reciclável pode ser usado para a geração de energia, entre outros usos. 
 
Enfim, como afirmou Lavoisier (1743 - 1794): “Na natureza nada se perde, nada se cria; tudo se transforma”.

12 de agosto de 2013

Pilates – Forte Aliado da Saúde



Salete Pimenta

          Pilates, este método de exercícios, ou seja, esta técnica de condicionamento físico foi criada na década de 20 pelo alemão Joseph Hubertus Pilates. Pilates nasceu no século 19 e morreu no século 20, no ano de 1967. No período da Primeira Guerra Mundial em 1914, ele foi exilado e mandado para uma ilha inglesa, onde trabalhou num hospital com exilados e mutilados. Nesse hospital, para atender as necessidades dos pacientes, ele iniciou o uso de molas no tratamento médico, o que seria a base para mais tarde o ajudar no desenvolvimento de um sistema de exercícios e equipamentos. Em 1923, Pilates mudou-se para Nova York e com sua experiência e resultados positivos nos pacientes, desenvolvendo esse sistema de exercícios, abriu seu primeiro Studio de Pilates. É importante ressaltar que o Método Pilates não se centrava em exercícios padronizados; tinha um cunho irrefutável de individualidade, alterando radicalmente os planos comuns de exercícios perante determinado indivíduo
O método chegou ao Brasil através de Alice Becker Denovaro, primeira brasileira a se certificar para instrução técnica desse método, criando em 1991 o primeiro Studio brasileiro de Pilates. Professora do “Balé Teatro Castro Alves” introduziu o Pilates na área clínica em Salvador-BA, através do Ambulatório de Dor do Hospital das Clínicas - HUPES – UFBA.
A partir daí, o Pilates expandiu-se pelo país, mas só em 1999 é que surgiu o primeiro fabricante de equipamentos de Pilates, a “Physio Pilates”, com sede em Salvador-BA. Esse método vem ao longo de todo esse tempo, por ser um exercício de equilíbrio, tonificação e alongamento, melhorando consideravelmente a capacidade de locomoção e a capacidade respiratória, recuperando a disposição de quem o pratica, aprimorando a coordenação muscular e o equilíbrio corporal, aumentando também a resistência física e mental. O Pilates não é só indicado para todas as idades, como também se tornou quase uma obrigação para grupos de idosos e gestantes que desejam manter a saúde em dia. Segundo a revista “Guia de Pilates” – editora Online, publicação do IBC – Instituto Brasileiro de Cultura Ltda. São Paulo–SP, o Pilates também pode ser praticado por crianças a partir de 07 anos de idade, promovendo o ganho de força muscular, alongamento, alinhamento, correção e percepção postural, coordenação motora e ainda tem o poder, inclusive, de controlar a hiperatividade. Inúmeros são os exercícios, e os equipamentos apresentam movimentos e graduações que podem ser adequados de acordo com o nível de cada aluno e suas limitações.
A portuguesa Maria Aguiar Mendes Larsen, professora de Pilates, escreveu o seguinte: “Pilates é uma paixão: controle, equilíbrio e graciosidade de movimento, são qualidades, aliadas a uma forte componente corretiva do corpo, que o torna mais alinhado, equilibrado, forte, flexível e bonito.” Maria Aguiar é sócia-fundadora da Pilates Alliance Portugal.
A fisioteraupeuta Juliana Medina, instrutora de Pilates, diz: “um dos princípios desse método é o centro que consiste na ativação do “Power House” (centro de força), de onde partem toda a centralização e a estabilidade para realizar os exercícios, presentes em todos os movimentos do Pilates. A ativação do “Power house” potencializa a prática, evita lesões e protege a coluna”.
Fernanda Medeiros Morozini, graduada em Fisioterapia e especialista em Fisiologia, acrescenta que todos os exercícios do Pilates devem ser obrigatoriamente realizados com o tipo correto de respiração, o qual se concentra no fechamento das costelas, na contração abdominal (umbigo para dentro) e na contração da musculatura de assoalho pélvico. Isso requer prática, mas é um elemento indispensável do método.
Entretanto, vale ressaltar que a segurança e os resultados do Pilates são melhores quando contamos com Stúdios bem equipados e com o auxílio e supervisão de profissionais capacitados. A cada dia, ele é conhecido por mais e mais gente conquistando novos praticantes e admiradores.
Enfim, não é a toa que o Pilates virou uma febre nacional, pois promove saúde no corpo e na mente; daí a frase: “Corpo são, mente sã”.