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26 de dezembro de 2019

Praia da Redinha


        
                                                                  Praia da Redinha - Foto divulgação
            A praia da Redinha é mais uma das praias urbanas de Natal e fica na saída para o litoral norte. É um lugar bastante pitoresco. Tendo sido uma vila de pescadores, ela ainda guarda alguns recantos que não podem deixar de ser visitados pelos turistas. O Mercado Público é um destes atrativos, que tem a famosa Ginga com Tapioca, uma tradição do lugar. Tem a igreja Nossa Senhora dos Navegantes, outro ponto muito visitado, que foi construída com pedras retiradas dos arrecifes. Sua história mostra que a praia da Redinha não é apenas sol e mar.
            Os quiosques também são uma atração à parte, com seus pratos tradicionais como,  peixe frito, camarão, macaxeira, carne-de-sol, caldos e ginga, é uma gastronomia tipicamente local. Os pescadores da praia da Redinha oferecerem peixe frito diretamente para os turistas. Mas uma das suas maiores atrações é mesmo o  Aquário Natal, que é um lugar fascinante, que conta com aproximadamente 60 espécies de animais como tubarões, peixes de corais, cavalos marinhos, jacarés, pingüins, entre outros.
            Para chegar à Praia da Redinha, pode ser pelo acesso da ponte nova Forte-Redinha Newton Navarro ou então pela velha  Ponte de Igapó, passando por sobre o rio Pontegi. Ela fica distante do centro de Natal cerca de 20 quilômetros. È frequentada atualmente não só por moradores da região da Zona Norte, como por muitos turistas que vistam a cidade nesta época do ano. Sua fama é por possuir casas e bares simples e rústicos, além dos bons  peixes  e a famosa ginga com tapioca.
            É também a última praia do litoral urbano e nela que está localizada a Ponte Newton Navarro que atravessa o  Rio Potengi. Após a construção da nova ponte, uma parte da Redinha foi revitalizada, a área compreendida entre o Mercado Público da Redinha a Igreja de Pedra passou a se chamar Largo João Alfredo. A Redinha possui duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora dos Navegantes e de pedra  e a mais antiga. Ela é divida em duas praias, ou seja,  Redinha Velha pertence a capital, enquanto que Redinha Nova pertence ao município  de Extremoz.


4 de dezembro de 2018

Sinfonia inacabada


              Maior cajueiro do mundo na praia de Pirangi RN  - Foto: divulgação

Verailton Alves
          
         Ele é do tamanho de um campo de futebol, encanta milhares de turistas e provoca discussões até na Justiça. É o cajueiro de Pirangi, considerado o maior do mundo. A árvore está localizada na praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim, a doze quilômetros ao sul de Natal. Os números são gigantescos como a árvore. A área de cobertura é de aproximadamente 8.500 metros quadrados, com um perímetro de aproximadamente 500 metros. Na safra, chega a produzir até 80 mil cajus. Equivale a duas toneladas e meia. Tem o tamanho equivalente a 70 cajueiros.
          E quando tudo isso começou? O cajueiro teria sido plantado em 1888 por um pescador chamado Luís Inácio de Oliveira. Ele morreu aos 93 anos de idade, sob as sombras do cajueiro. E qual a explicação para o crescimento da árvore? Segundo os botânicos, trata-se de uma conjunção de duas anomalias genéticas. De acordo com a teoria, os galhos, que Vista panorâmica da árvore, cobrindo 8.500 m². Sinfonia inacabada deveriam crescer para cima, crescem para os lados.
          E com o passar do tempo, por causa do próprio peso, eles tendem a se curvar para baixo, até alcançar o solo. Essa seria a primeira anomalia. Na segunda anomalia, ao tocar o solo os galhos começam a criar raízes, e daí passam a crescer novamente. É como se fossem troncos de uma outra árvore. Esse processo, repetido, dá a impressão de que existem vários cajueiros. Na verdade, são dois cajueiros.
      O maior, que sofre da mencionada anomalia, cobre aproximadamente 95% da área do parque; existe também um outro cajueiro, plantado alguns poucos anos antes, que não sofreu tal anomalia. “SALÁRIO MÍNIMO” - O tronco principal está dividido em cinco galhos; quatro deles sofreram a alteração genética, e criaram raízes e troncos que deram origem ao gigantismo da árvore. Apenas um dos galhos teve comportamento normal, e parou de crescer após alcançar o solo; os habitantes do local então apelidaram esse galho de “Salário Mínimo”.
        As raízes do cajueiro podem chegar a 10m de profundidade. “O POLVO” – O cajueiro ganhou projeção nacional e internacional. A histórica revista O Cruzeiro, em uma de suas publicações de 1955, batizou a árvore de “O Polvo”. Segundo a reportagem, o fenômeno foi denifido como uma “sinfonia inacabada” de “galhos lançados em progressão geométrica”. Nessa época, a planta tinha dois mil metros quadrados.
        Em 1994, o cajueiro entrou para o Guiness Book, o livro dos recordes. Existe um mirante no próprio cajueiro que é muito frequentado por turistas. Dele, se tem uma visão panorâmica do cajueiro e da praia de Pirangi do Norte. Ao mesmo tempo em que encanta os turistas, o cajueiro também provoca polêmica. Tudo por causa da poda. Quem mora próximo é a favor dela. O argumento? Se for feita a poda o trânsito na Rota do Sol, um dos acessos ao litoral sul, vai melhorar.
      Os galhos do cajueiro estão invadindo a pista, causando congestionamento em horário de maior movimento. Quem tem casa próxima à árvore tem medo que os galhos avancem em direção às residências. Quem é contra a poda, como os comerciantes, defende que o cajueiro poderá ter comportamento inesperado com o corte dos galhos e até morrer, causando prejuízos à natureza e ao turismo do Rio Grande do Norte. Uma discussão que sempre acaba na Justiça.
      A beleza é tanta que ganhou até letra na música O Cajueiro de Pirangi, na voz do saudoso Elino Julião: “Mamãe eu quero ir Mamãe eu quero ir Passar o dia inteiro No cajueiro de Pirangi Não tem outro cajueiro No mundo só tem esse aqui O maior cajueiro Do mundo é o de Pirangi”.

1 de agosto de 2018

Espaços públicos: vegetais pelo nome



No livro “Solo e Água no polígono das secas”, o escritor botânico José Guimarães Duque explica o xerofilismo como a ótima adequação ambiental à vegetação nordestina

Quando, em 1928, visitou Natal, Mário de Andrade, um dos criadores do modernismo na literatura brasileira, guardou boas impressões sobre a arborização da cidade, dizendo depois, em seu livro “O Turista Aprendiz”, a seguinte constatação entusiasmada: “Gosto de Natal demais. Com os seus 35 mil habitantes, é um encanto de cidadinha clara, moderna, cheia de ruas conhecidas encostadas na sombra de árvores formidáveis”.
Citando a frase de Mário em seu livro “Breviário da Cidade do Natal” (Edições Clima, 1979), o escritor Manoel Onofre Júnior lamenta que, “os ´espigões`começam a emparedar a paisagem”, e que das “árvores formidáveis” a que se referiu Mário de Andrade “restam apenas algumas na rua Jundiaí e na praça André de Albuquerque.” Teve contudo épocas, mesmo depois da visita de Mário, em que Natal foi bastante arborizada, inclusive contando com o maior cajueiro do mundo.
 Os cronistas mais antigos lembram de como era agradável sentar-se nos bancos de madeira da Praça Padre João Maria, onde à gostosa sombra da gameleira e dos pés de fícus-benjamin chegava-se até a armar redes nos galhos, dormindo-se uma boa sesta após o almoço. Alguns tipos de árvores caracterizavam algumas ruas e avenidas, como as mungubeiras da Avenida Rio Branco, as carnaubeiras da Rua Potengi etc. Ou caracterizavam os quintais das casas dos ricos (fruteiras).
Hoje, os canteiros de algumas avenidas são arborizados (jambeiros, acácias, castanholas etc.). Mas, se atualmente existe o perigo dos “espigões” emparedarem a paisagem – como alertou o escritor Manoel Onofre Júnior -, tirando o oxigênio tão necessário aos nossos pulmões hoje tão encharcados de etanol e hidrocarbonetos, existe contudo uma vocação arbórea a denominar ruas, avenidas, praças, travessas e alamedas de Natal com nomes de árvores. Exemplos:
 Rua das Tílias (no Alecrim), Rua Babaçulândia e Rua Buriti (no Conjunto Amarante), Rua Cajarana (Conjunto Boa Vista), Rua das Laranjeiras (no centro da cidade), Rua Bananeira, Rua Cajazeira e Rua Timbaúba (na Cidade da Esperança), Rua Algaroba, Rua das Carnaúbas, Rua Ciprestes, Rua Rio Curuá, Rua do Loureiro e Rua do Marmeleiro (na Cidade Satélite), Rua da Tamarineira (no bairro Felipe Camarão), Alameda das Acácias e Alameda dos Eucaliptos (Neópolis).
De outros conjuntos natalenses, os campeões em nomes de árvores denominando seus espaços públicos são o Panorama e o Potengi, ambos com dez árvores homenageadas, respectivamente: Rua do Sapotizeiro, Rua Umbuzeiro, Rua Castanhola, Rua Jaboticabeira, Rua Casuarina, Rua Cerejeira, Avenida das Oliveiras, Rua Mangabeira, Rua Maracujazeiro (que são as dez do Conjunto Panorama). Do Conjunto Potengi são as seguintes:
Rua do Cajueiro, Rua Jurema, Rua das Pitombeiras, Rua do Limoeiro, Rua do Coqueiro, Rua do Abacateiro, Rua Pau Brasil, Rua Oiticica, Rua da Jaqueira e Rua da Goiabeira. De todas as árvores mencionadas, algumas são mais vulgares e outras são árvores nobres, ricas de tradição na vida urbana e econômica de determinado país.
 Compare-se, por exemplo, a casuarina com o pau brasil. A primeira é apenas ornamental, a segunda é presença marcante, dando nome ao nosso país. Mas cada árvore, até mesmo a mais aparentemente desimportante, tem a sua importância para a vida como representante do reino vegetal. As árvores entrelaçam dois objetivos: o de nos levar à comunhão com as raízes da vida, e o de nos deliciar com o sabor dos seus frutos juntamente com as magias da beleza ao exporem suas flores perfumadas, nos jardins, nos vasos caseiros, nas mesas de reuniões e seminários, e no nosso coração a cada primavera.
Por isso que elas motivam tantos artistas. Da mesma maneira que as tensões psicológicas de Van Gogh levaram-no a pincelar nervosamente os ciprestes, como chamas expressivas de sua febre interior, o natalense Vatenor pinta seus cajueiros, ou apenas detalhes dos seus frutos e folhas. Contudo, ao contrário do pintor holandês, que apresenta nas suas telas imagens angustiadas, Vatenor traz aos nossos olhos uma memória de infância vivida na Redinha. Aliás, os artistas plásticos têm amor pelas árvores desde o próprio material com que trabalham, que usam para produzirem suas imagens e formas recriadas.
 O pincel com que Maria do Santíssimo desenhava seus galos e flores e folhas era feito de palito de coqueiro. Quanto aos artesãos, utilizam bastante madeiras, principalmente a umburana, para criarem seus objetos, seus carros de bois, seus cangaceiros, seus santos, seus vaqueiros, suas bandinhas de música.
Os cronistas desenham com as palavras, para expressarem seus sentimentos em relação às árvores. O saudoso Berilo Wanderley fixou assim um momento inesquecível visto da janela do seu quarto: “Às vezes, quando não acordo tarde, ainda descubro lágrimas de orvalho escorrendo pelas folhas espalmadas das bananeiras que, vistas da janela, parecem diamantes, cintilando no sol” (trecho de uma das crônicas de Berilo Wanderley no livro “B.W. Revista da Cidade”, organizado por Maria Emília Wanderley, e publicado em 1994 pela Editora da UFRN).
O conjunto de todas as árvores inclusas na toponímia de espaços públicos de Natal pode ser dividido em várias espécies, conforme sua serventia prática ou apenas simbólica pelos seres humanos. Por exemplo: fruteiras (Rua do Abacateiro, Rua Bananeira, Rua do Coqueiro, Rua da Goiabeira, Rua Jaboticabeira, Rua das Laranjeiras, Rua Lagoa da Mangueira – no conjunto Soledade II; Rua do Sapotizeiro, Rua da Tamarineira, Rua Umbuzeiro). Outras espécies são ornamentais, medicinais etc.
Dentro do conjunto de todas as árvores com presença, pelo nome, nos espaços urbanos de Natal, existe a lacuna de algumas importantes em sua origem ou adaptação a solos nordestinos. Eu lembraria a canafístula, a cuitezeira, o licurizeiro, o pequizeiro, a quixabeira e o trapiazeiro. Veja-se a descrição científica delas: a canafístula é uma espécie do gênero Cássia, ornamental, apresentando-se com belas flores, ora vermelhas ora amarelas, nascendo em grandes cachos.
Também é chamada tapira-caiena. A cuitezeira, que tem também o nome cabaceiro amargoso, é uma árvore da família das cucurbitáceas (Lagenaria vulgaris), apresentando flores brancas e um fruto cuja polpa é amarga, prestando-se a tratamentos purgativos. O licurizeiro, ou aricuri, é da família das palmáceas (cocos coronata), com frutos comestíveis, dos coquilhos extraindo-se óleo, e das folhas cera (como a gloriosa carnaubeira, ambas resistentes às secas). Falarei agora do forte pequizeiro:
É da família das cariocaráceas (caryoca brasiliense), vem do cerrado mas muitas mudas foram plantadas no Nordeste, onde se adaptou bem. Com folhas trifoliáceas e grandes flores com muitos estames. Os frutos, aromáticos, podem servir de tempero e para se fabricar licor. A quixabeira – não vi este nome em qualquer espaço urbano de Natal. É uma árvore de cor leitosa, da família das sapotáceas (Brumelia sartorum), proliferando bastante na caatinga.
Por fim, o trapiazeiro, também chamado catauari, vindo da Amazônia, mas também adaptado ao Nordeste. É da família das caparidáceas (cratalia benthami), com flores de pétalas lanceoladas e com frutos de bagas globosas. Tem propriedades medicinais. Esta árvore e as outras já mencionadas como vindas de outras regiões (originais do Nordeste é o juazeiro, a mangabeira e plantas cactáceas como o xique-xique ou a macambira), são adaptadas ou elas próprias sobrevivem através do xerofilismo.
O mestre José Guimarães Duque (o mesmo que deu nome à fundação mossoroense que, durante algum tempo se tornou responsável pela publicação da enciclopédia “Coleção Mossoroense”) explicou, em seu livro “Solo e Água no Polígono das Secas” (1949), que “no Nordeste seco, o clima de estabilização é o xerofilismo, é a caatinga, ou cerrado ou sertão, vegetação xerófila, baixa, retorcida, unida, espinhenta e agressiva, em solo raso, pedregoso, seco, quase sem húmus.” Esta vegetação natural possibilita restaurar o solo.
 Outro botânico, F. von Luetzelburg, explicou sobre a resistência da vegetação xerófila às secas, principalmente quando a flora arbórea apresenta raízes tuberculadas, “verdadeiro sistema xilêmico ou tecido lignoso com os característicos particulares de zonas geratrizes ou de câmbio, gerando novas camadas de madeira ou lenho.” Ter estas árvores fornecedoras de madeira é de grande utilidade ao habitante da região, que assim pode ter com que construir o madeiramento de suas casas e saber porque uma árvore dá nome a uma rua.


9 de julho de 2018

Proteção arbórea, ação oficial e privada




                 As árvores são elementos essenciais não somente à vida em si, mas a vários simbolismos culturais. Em seu livro “Dicionário do Folclore Brasileira”, Luis da Câmara Cascudo afirmou que “europeus, africanos e ameríndios têm pelas árvores o mesmo sentimento religioso. Todos os cultos possuem bosques sagrados, árvores dedicadas aos deuses, entes sobrenaturais vivendo dentro das árvores, ritual para homenagens e súplicas a esses deuses que presidem a vida da semente, fecundação, germinação, conservação, reprodução.”
                 Na história contemporânea, esta veneração religiosa se transformou em ação prática. Por exemplo: para proteger ecologicamente as cidades, preservando árvores e favorecendo o plantio de novas mudas de árvores, já existe no Rio Grande do Norte uma consciência ambiental, tanto do ponto de vista de setores governamentais como de setores privados. Precisamente no dia 02 de março de 1991, o professor universitário José Ramos Coelho criou no conjunto Cidade Satélite o Horto Florestal Parque das Serras.
                No livro dedicado ao referido conjunto, publicado  como integrante do projeto “Memória Minha Comunidade”, da Prefeitura de Natal,  organizado por Carmen Margarida Oliveira Alveal, Henrique Alonso de Albuquerque Pereira e Luciano Fábio Dantas Capistrano, é explicado que o Horto Florestal doa mudas de árvores para serem plantadas no quintal, na frente da casa e nos terrenos baldios. O Unibanco aprovou o projeto, deu verbas e usou o horto como referência para todo o Nordeste.
             Outro professor interessado no incentivo ao plantio de árvores é Rogério Câmara, da rede estadual de ensino. Ele fundou em 1998 a ONG SOS Mangue. Na revista “Viver Bem em revista”, na reportagem “Busque a Sustentabilidade no Dia-a-Dia salvando o meio ambiente sem sair de casa”, detalha-se o desempenho da ONG SOS Mangue, através de um trabalho de reflorestamento na Escola Estadual Luiz Soares, no Alecrim. Ali se distribui mudas de plantas, e se organiza palestras e oficinas.
              Mas não somente os professores; os estudantes também se interessam atualmente pelos problemas ambientais e se encantam pelas áreas verdes. Conforme registrou  o suplemento “Domingo”, do “Jornal de Fato”, de Mossoró, a jovem engenheira agrícola e gestora ambiental Maria Clara Torquato Salles denuncia, em seu trabalho de conclusão do curso,  o crescimento imobiliário em condomínios mossoroenses, como prejudicial, pois não segue o estabelecido no Plano Diretor do Município.
               Disse Maria Clara: “Há a lei de que tem de haver pelo menos 5% de áreas verdes, mas não há a manutenção do bioma que já existia. No que se refere ao bioma, a nossa vegetação típica são as espécies da caatinga  como o Pau Branco, Sabiá, Pau Preto, Jurema, entre outros. Em muitos dos lotes vendidos árvores seculares foram derrubadas. Outras preservadas, mas apenas enquanto o dono do lote não vier a construir sua casa.” Maria Clara defende uma gestão ambiental integrada, “com o envolvimento do poder público, privado e da comunidade local.”
               

25 de janeiro de 2018

O vale das carnaubeiras





Anchieta Fernandes

                      Não é saudosismo gratuito. Mas ao se recordar ou se ler a descrição de um passado em determinado espaço geográfico privilegiado, fica-se com a imagem sugerida do que pode ser um paraíso terrestre. É o caso, por exemplo, do Vale do Açu, no interior do Rio Grande do Norte, quando invernos generosos, em vez de enchentes traziam fartura, sem prejudicar o potencial de prosperidade econômica alcançado, com a cultura da carnaubeira (quase extinta na atualidade). O vale, ou várzea, produto da fertilidade do Rio Açu ou Piranhas, que nasce na Paraíba chamado de Piancó, e depois atravessa a região de Açu e Mossoró e deságua em Macau – foi o cenário que sediou o município de Açu, instalado a 11 de Agosto de 1788 com o nome Vila Nova da Princesa, em homenagem à Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI. É outro município que completou também 220 anos em 2008.

                                                      ÁRVORE MILAGROSA

                      Passou a ser Cidade do Açu a 16 de Outubro de 1845. Por conta da comemoração dos 150 anos desta outra data, foi publicado em 1995 pelo nosso Departamento Estadual de Imprensa o livro-antologia Sesquicentenário da Cidade do Assu 1845 – 1995, integrando a Coleção Vale do Assu, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O livro-antologia, organizado por Terezinha de Queiroz Aranha, é dividido em quatro partes, contendo trabalhos de trinta autores. Dos trabalhos, seis são dedicados especificamente à carnaubeira, seus produtos, derivados e as condições de seu cultivo e beneficiamento dentro do contexto histórico, sabendo-se que os carnaubais, mais recentemente foram erradicados em grande parte, devido à criação do Projeto Baixo Açu, com a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, que inclusive submergiu totalmente a antiga cidade de São Rafael
                     O naturalista alemão Friedrich Alexander Humboldt definiu a carnaubeira como “a árvore da vida”. Ela foi a vida do Vale do Açu e o Vale do Açu lhe deu mais vida, multiplicando-a. Um dos ensaios do livro Sesquicentenário da Cidade do Assu 1845 – 1995 é um resumo comentado por Vânia Gico, do artigo “A Carnaúba”, escrito por Luis da Câmara Cascudo e publicado no V.26, n° 2 (abr/jun 1964) da Revista Brasileira de Geografia (ESAM, 1991). Segundo o trabalho de Vânia Gico, a carnaúba (copernicia cerífera, Mart) é planta típica do sertão, “destacando-se o carnaubal do Vale do Açu que começa próximo à cidade de Açu e estende-se até Macau. São famosas as várzeas do rio Apodi ou Moçoró e o rio Açu ou Piranhas que são as regiões prediletas dos carnaubais, o que torna o Vale do Açu o maior produtor (1934).”
                    Para os que nunca conheceram as utilidades da carnaubeira, cite-se algo do que aponta Vânia Gico: “a carnaubeira serve para fazer a casa, o mobiliário e os utensílios da casa do sertanejo. (...) O palmito – parte superior da haste – produz vinho, vinagre e a sacarina. A árvore produz ainda uma fécula nutritiva, a qual serve de alimento ao povo do sertão nordestino em época de escassez de alimento; o miolo das árvores picado nutre os cavalos, substituindo o milho; (...) das folhas novas extrai-se a cera vegetal. (...) Extraída a cera das folhas (que passam a chamar-se palha) estas servem para tecer chapéus e esteiras que podem ser na cor crua ou colorida. Servem para enchimento e forro de cangalhas, alimento para o gado, cobertura de tetos e revestimento da parede da casa (...); servem ainda para adubo, confecção de bolsas, reforço para carga de rapadura, urupemas, peneiras, vassouras, abano para fogão de lenha e carvão, leques e sacos sólidos e duradouros para o transporte e acondicionamento dos cereais, cordas trançadas e até redes de dormir.”

                                                  ALIMENTANDO PEIXES

                         Servindo tão bem à sobrevivência do homem e de seus animais de terra, a carnaubeira também se faz presente com sua utilidade dentro do sistema hídrico. Outro livro publicado na Coleção Vale do Assu, antes mesmo do sesquicentenário, foi relativo à Lagoa do Piató, situada no Vale do Baixo Assu. Sob o título Lagoa do Piató Peixes e Pesca, publicado em 1993, o pequeno livro (conta com 84 páginas) foi escrito por três escritoras pesquisadoras: Raimunda Gonçalves de Almeida, Leoneza Herculano Soares e Maria Madalena Eufrásio. Participando de 8 (oito) parcerias experimentais, na referida lagoa, durante o período de dezembro de 1988 a novembro de 1989, elas produziram um texto essencial, retratando a potencialidade pesqueira do vale naquela lagoa, naquela época; os métodos de pesca, uma descrição taxonômica das espécies habitantes das águas da lagoa e sua biologia alimentar.
                   E cabe aqui dizer da importância da carnaubeira quanto a esta biologia alimentar dos peixes, conforme está escrito à p. 17 do livro, referindo-se à Lagoa do Piató: “As suas margens Leste e parte Sul são dominadas pela mata ciliar da carnaúba, além de algumas outras vegetações terrestres de ocorrência comum, como oiticicas, joazeiros e umbuzeiros (...) Estas têm importância especial para o ecossistema aquático, pois contribuem direta ou indiretamente com ‘certa’ quantidade de material alóctone de origem vegetal, além da fauna de invertebrados que a eles encontram-se associados e que são consequentemente, injetados na cadeia trófica da lagoa, servindo como fonte de alimentos para peixes.”
                                                  
                                                REPERCUSSÃO CULTURAL

                    Estas benesses vegetais e animais repercutiram na essência farta da expressão de arte ou de cultura por alguns nativos do município de Açu, cuja sede, a cidade do Açu, foi chamada não poucas vezes de “Atenas norte-riograndense”, devido ao grande número de poetas que nasceram lá (só da família Wanderley veio uma boa quantidade deles). Mas escritores de outros gêneros também são muitos açuenses. Como Luis Carlos Lins Wanderley, aliás não somente o primeiro médico do Rio Grande do Norte (formado pela Academia de Medicina da Bahia em 1857) mas também o primeiro romancista do Estado, tendo publicado em 1883 o primeiro romance da literatura norte-riograndense, Mistérios de Um Homem Rico, dividido em duas partes. Já o seu filho, outro açuense, Ezequiel Wanderley, publicou em 1922 a primeira antologia de poetas do Estado, Poetas do Rio Grande do Norte.
                        Na cultura jurídica (aliás, Açu foi a primeira sede da 20ª Zona Eleitoral do RN, e com a renumeração das zonas eleitorais do RN em 1956, passando a ser a sede da 29ª Zona Eleitoral do RN), destacaram-se duas mulheres nascidas em Açu: Dra. Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, que em 1981 foi a primeira mulher a compor o Plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte; e Dra. Eliane Amorim das Virgens de Oliveira, que em 1996 assumiu no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte como a primeira Desembargadora do Estado.
                        Pioneirismos outros é que não faltam na história cultural de Açu, lá mesmo no município. Exemplos: antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500, o navegador espanhol Alonso de Hojeda passou pelo delta do Rio Açu, em 1499, acompanhado por outros navegadores, Américo Vespúcio (o mesmo que daria o nome aos continentes americanos) e Juan de La Cosa; Açu foi a segunda paróquia (1726), a segunda comarca )1835) e a segunda cidade (1845) do Rio Grande do Norte; é onde, em 1827, foi instalada a segunda cadeira de latim do Estado (a primeira, é claro, foi na capital, em 1731, assim como a primeira paróquia foi na capital em 1601, a primeira comarca, também na capital, em 1818, e a primeira cidade sendo a capital, Natal, desde 1599); o primeiro Museu de Arte Popular do Brasil foi instalado por Celso da Silveira, em Açu, em 1954, com o nome Museu de Artes Populares Açuense – MAPA.
                         É a força nutritiva da carnaubeira, influenciando o próprio destino de pioneirismo e criatividade da terra da Baronesa de Serra Branca, a que libertou seus escravos oito anos antes da Lei Áurea da Princesa Isabel, dando um banquete a estes seus ex-escravos, ela própria servindo-os na mesa; força ambiental que inspirou Rômulo C.Wanderley a escrever o emocionante livro-poema Canção da Terra dos Carnaubais, publicado pelo Departamento de Imprensa em 1965, com ilustrações de Newton Navarro; generosidade da Natureza em época invernosa, levando um Manoel Rodrigues de Melo, em seu livro Várzea do Açu (Agir Editora, Rio de Janeiro, RJ, 1951), a fazer esta descrição, de uma saudade contagiante:

                        “A VÁRZEA DO AÇU é uma região plana, de aluvião, que, a partir do ‘Estreito’, onde o rio cortou o dique da Serra de Santana, vai-se alargando sucessivamente, ladeando as bordas dos tabuleiros adjacentes, até morrer nas costas do Oceano Atlântico. A começar da cidade do Açu, porém, até à sua embocadura, o rio toma vários destinos, rasgando a Várzea em todas as direções. Os pequenos regatos que fogem apressadamente do seu leito, os grandes braços que se separam do velho curso, formando adiante inúmeros córregos e riachos; o interminável carnaubal que se estende por toda a região ribeirinha, balouçando a sua cabeleira verdejante; as grandes árvores que pontilham os campos largos; as inumeráveis ervas que lhe vestem as lombadas planas; a imensa variedade de capins que infestam as barreiras dos córregos e riachos deslizantes; o tapume espinhoso das unhas-de-gato e dos calumbis abaloados; as canelas-de-ema e as ervas-cidreiras; as melosas crespas das vazantes frescas; as salsas frondejantes e as trepadeiras ondulosas, tudo isso faz da Várzea do Açu uma terra esplêndida e majestosa, cheia de encantos e atrativos, capaz de conquistar os temperamentos mais esquisitos e singulares.”  

27 de setembro de 2017

Ceará-Mirim: e a sua herança cultural, histórica e turística

     
                                                                                                         Entrada do engenho Igarapé
        

Edson Benigno      

        Ceará-Mirim, com  uma população de 68 mil habitantes, faz parte da Região Metropolitana de Natal, tendo como uma de suas características um grande potencial histórico, cultural e turístico. Uma cidade onde seus primeiros habitantes foram os índios potiguares, que comercializavam o pau-brasil para os franceses e espanhóis. Mais tarde esta área era ocupada pelos portugueses.
            O município foi criado em 1755 e as primeiras edificações públicas foram construídas pelos jesuítas, a partir da fundação de um convento num local conhecido como Guajiru. Na atualidade, as praias de Jacumã, Porto-Mirim, Muriú e Prainha, que fazem parte da região é também uma atração turística. Há um guia caracterizado de barão, mostrando a história da cidade  e sua grande riqueza cultural.
            Ele se encarrega de mostrar aos interessados em conhecer Ceará-Mirim, através de um roteiro com vários engenhos, casas grandes, patrimônios históricos e igrejas, incluindo a maior do  RN. Sem dúvida é o grande diferencial do lugar, já que não existe em Estado nenhum do Brasil um guia com esta especialidade.
             A cidade tem muito a oferecer culturalmente, através de vários eventos e proliferação de artistas. Na parte de folclore se destaca Sebastião João da Rocha, o Tião Oleiro, que é o mestre dos “Congos de Guerra de Guanabara”. No dia 14 de maio deste ano ele completou 98 anos de vida, sendo 90 dedicados à cultura popular e 78 anos ao grupo folclórico Congo de Guerra, que foi revitalizado em maio de 1934.  O artista popular nasceu em 14 de maio de 1914, no engenho Guanabara, em Ceará-Mirim.
Em 2007 a Fundação Roberto Marinho, através do Canal Futura fez um documentário sobre o Mestre. As filmagens aconteceram na comunidade de Tabuão no mês de setembro. O documentário foi “A beleza do meu lugar” e foram escolhidas 16 figuras populares em todo o Brasil. O documentário do Mestre Tião Concorreu ao XIX Festival de Curtas de São Paulo.
          Em função do documentário a Fundação Roberto Marinho mandou pintar um painel do Mestre Tião na galeria de sua sede no Rio de Janeiro. Ainda em 2007 as meninas do Projeto Vernáculo fizeram o documentário sobre o mestre e o Congo de Guerra, que concorreu no Festival de Curtas Potiguares.      Em 2009 ele foi inscrito no Programa da Fundação José Augusto “Patrimônio Vivo do Rio Grande do Norte”, onde o mesmo foi selecionado, recebendo uma bolsa mensal pro resto de sua vida.
 No mesmo ano concorreu à premiação do “Culturas Populares Mestre Dona Isabel” do Ministério da Cultura. Ele foi selecionado entre mais de 2000 candidatos em todo o Brasil.  A trajetória do Mestre Tião é uma viagem à biografia da cidade. Sua naturalidade está em seus contos, e nas suas histórias nos engenhos de cana. Ele sempre lutou  para manter seu grupo de folclórico vivo.
          Na adolescência o menino Tião ajudava o pai no engenho e, dessa forma, aprendeu todas as tarefas necessárias ao bom funcionamento da fábrica de mel, açúcar e rapadura.   Foi um jovem muito curioso e obstinado, por isso, aprendeu a tocar fole sozinho. Seu irmão era tocador, mas, não queria ensiná-lo. Na sua ausência aprendia a tocar escondido.
            Sua primeira experiência foi em um baile. Tocava com um amigo mais experiente e, no meio da festa, o colega o abandonou e teve que terminar sozinho. Foi o início de sua vida como artista e sanfoneiro. Tocava em todas as comunidades, principalmente no povoado de Palmeiras onde havia muitos pastoris nos sábados.
            Gostava de tocar no Pastoril. As moças começavam a dançar, então, o cavaleiro oferecia, na época, dez contos para dançar com uma pastora escolhida. Outro concorrente oferecia doze contos para aquele parar de dançar. Assim, no final da festa, o dinheiro recolhido era dividido com o sanfoneiro. Foi um tempo que não havia maldade, desavenças, as pessoas respeitavam as outras.  Para ele, o engenho Guanabara foi o patrimônio mais bonito de Ceará-Mirim.
            Aos  08 anos de idade já  brincava no Congo de Saiote do pai João da Rocha. Aprendeu as jornadas e músicas do brinquedo com seu pai, quando ia para o roçado. Iniciou no brinquedo como marujo no final da fila.  Em 1934 recebeu do pai a responsabilidade de não deixar o brinquedo morrer. Assim o fez. São 78 anos lutando contra a ignorância, a falta de incentivo e, principalmente, pela preservação desta tradição centenária.    
          O Congo é um folguedo popular que faz referências às lutas medievais e embaixadas a soberana africana Jinga. O povo de Ceará-Mirim reverencia esta figura tão importante para a cultura do Brasil e que preservai ainda as manifestações populares, através deste folguedo Congos de Guerra. Até os dias de hoje o mestre Tião se diz  muito feliz e satisfeito por ter preservado esse brinquedo.
            As manifestações de cultura no município são freqüentes. No mês do folclore, agosto, foi a vez de Ceará Mirim ganhar mais um eco: "Toca Raul!". Desde que o  músico baiano faleceu em 21 de agosto de 1989, que a cidade realiza shows musicais de várias bandas de rock, em homenagem ao Maluco Beleza. No mês de setembro,  foi realizado a 23ª edição do Tributo a Raul Seixas,  o mais antigo e um dos três maiores do país.
             O evento este ano foi encaixado no calendário oficial da cultura ceará-mirinense, reconhecido pela Câmara Municipal. Na ocasião foi anunciado que em todos os anos o terceiro sábado de agosto está compromissado com a memória de Raul Seixas. E pelo maior número de público ficou decidido que serão realizados os próximos na Estação Cultural, onde o espaço  tem capacidade para quase 4 mil pessoas.
             Além do show existe a exposição com o acervo montado desde 1981. É considerado um dos maiores acontecimentos culturais do Estado,
o evento,  é fonte de renda da população e notícia na mídia nacional.        Nos Tributos são  mostrados imagens raras do cantor, camisetas, vasta coleção de raridades garimpadas durante mais de 30 anos de pesquisa e dedicação. Também fica à mostra raridades como uma das mil cópias do vinil Let Me Sing my Rock'n Roll (1985) e cartazes do único show de Raul em Natal, em 1983, no Palácio dos Esportes.
            Ainda no tema musical, pode relatar a homenagem dada ao cantor Paulinho da Viola. Ele recebeu em agosto do ano passado o título de cidadão ceará-mirinense. A câmara municipal da localidade,  aproveitou o fato do cantor ter vindo participar do Projeto do Governo do Estado Agosto da Alegria, para entregar em uma solenidade o titulo ao cantor. Na ocasião do show, ele fez questão de falar que tem raízes em nosso Estado, se referindo a Ceará-Mirim, onde sua avó paterna nasceu.
             A cidade também é conhecida pelas suas festas populares, como o tradicional “Arraiá dos Engenhos” realizados nos meses de junho de cada ano no Ginásio Elói de Souza. No mês de setembro será realizado Ceará Mirim Folia 2012, uma festa que reúne não só pessoas da população local como muitas vindas de Natal e outras cidades vizinhas.
           No turismo se destacam algumas as praias do litoral norte, que pertence ao município e são bastante visitadas, principalmente na alta estação. Jacumã e Porto Mirim são redutos de veranistas de Natal, formados por políticos e empresários.  Jacumã, possui também uma lagoa, lugar preferido de  milhares de turistas, que visitam o estado do RN. Outra praia é Muriu, que além da calmaria do mar possui uma bela paisagem de coqueiros. Praiinha, menos badalada, que dá acesso através da estrada Extremoz RN 160, é freqüentada muito mais por surfistas, devido as suas belas ondas.

Texto publicado no suplemento cultural Nós, do RN... na edição de número 79, outubro 2012


    Mestre Tião no canal Futura

    Casa grande do engenho Imburanas


    Estação Cultural

12 de setembro de 2014

A FALTA DE CHUVAS NO SERTÃO


     Por Duarte da Costa (Historiador)

 Com o fim da última glaciação ocorrida há 12.000 anos, iniciou-se o período de sêcas no nordeste brasileiro e o desaparecimento dos últimos exemplares da mega fauna: Preguiça gigante, Tigre dente de sabre, entre outros animais dos quais hoje podemos ter informação      no  ''Museu       Câmara Cascudo'' da (UFRN), e contemplar ainda raros exemplares fossilizados. Os cronistas do século XVII já se referiam às conseqüências das sêcas em nossa região. Posteriormente, Dr. Felipe Guerra, - “Sêcas Contra as Secas”, - Senador Eloy de Souza, - “O Calvário das Secas”, - Dr. Otto de Brito Guerra, Dr.Cortês Pereira de Araújo, e muitos outros estudiosos escreveram e tentaram entender o fenômeno que flagela o povo sofrido do interior. Há regiões em que a água para o consumo doméstico tem de ser transportada em caminhões pipas, modo de suprimento precário e insuficiente. A produção de alimentos, capim e outros produtos comestíveis para o homem e os animais ficam reduzidas às poucas vazantes existentes nos açudes. Como a região é pobre de outros meios, muitos lares ficam dependentes dos programas assistenciais do governo federal ou de minguadas aposentadorias rurais dos indivíduos idosos.  
      Delas lembramos a sêca de 1877, 1915, 1932, 1958, 1970 e o período de cinco anos consecutivos de sêcas ocorridos entre os anos de 1980 e 1984. 
      E depois desse período até nossos dias não se registrou cinco anos em que o agricultor tenha conseguido colher regularmente seus produtos.
      O Ministério da Integração Nacional e do Meio Ambiente,  junto a outros órgãos e com discussão em várias audiências públicas, trouxe a público a discussão dos últimos acertos das obras de transposição do rio São Francisco, que foram iniciadas em abril do ano de 2005.
      Os Estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas opõem-se alegando que a retirada da água inviabilizará a produção de energia e  outras conseqüências prejudiciais à bacia do rio dos Currais, na época do estio.
      A idéia da transposição das águas do rio São Francisco está em pauta desde a época do Império, tendo sido desengavetada no governo do Presidente José Sarney, pelo Ministro Dr. Aluízio Alves, que, com constância incomum, conseguiu levar a idéia do projeto aos níveis atuais de discussão e às proximidades de sua execução. O senador Fernando Bezerra, quando Ministro da Integração Nacional, foi outro político que deu grande contribuição à continuação do projeto que beneficiaria os Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

     Pelo sim, pelo não, alguma medida urgente deve ser tomada em prol da agricultura e pecuária sertanejas, evitando-se com isso o êxodo do campo, a inchação das grandes cidades com suas conhecidas mazelas.

3 de setembro de 2014

Espaços públicos com nomes de árvores



Anchieta Fernandes

                               Quando, em 1928, visitou Natal, Mário de Andrade, um dos criadores do modernismo na literatura brasileira, guardou boas impressões sobre a arborização da cidade, dizendo depois, em seu livro “O Turista Aprendiz”, a seguinte constatação entusiasmada: “Gosto de Natal demais. Com os seus 35 mil habitantes, é um encanto de cidadinha clara, moderna, cheia de ruas conhecidas encostadas na sombra de árvores formidáveis”.
                                 Citando a frase de Mário em seu livro “Breviário da Cidade do Natal” (Edições Clima, 1979), o escritor Manoel Onofre Júnior lamenta que, “os ´espigões`começam a emparedar a paisagem”, e que das “árvores formidáveis” a que se referiu Mário de Andrade “restam apenas algumas na rua Jundiaí e na praça André de Albuquerque.” Teve contudo épocas, mesmo depois da visita de Mário, em que Natal foi bastante arborizada, inclusive contando com o maior cajueiro do mundo.
                                    Os cronistas mais antigos lembram de como era agradável sentar-se nos bancos de madeira da Praça Padre João Maria, onde à gostosa sombra da gameleira e dos pés de fícus-benjamin chegava-se até a armar redes nos galhos, dormindo-se uma boa sesta após o almoço. Alguns tipos de árvores caracterizavam algumas ruas e avenidas, como as mungubeiras da Avenida Rio Branco, as carnaubeiras da Rua Potengi etc. Ou caracterizavam os quintais das casas dos ricos (fruteiras).
                                    Hoje, os canteiros de algumas avenidas são arborizados (jambeiros, acácias, castanholas etc.). Mas, se atualmente, existe o perigo dos “espigões” emparedarem a paisagem – como alertou o escritor Manoel Onofre Júnior -, tirando o oxigênio tão necessário aos nossos pulmões hoje tão encharcados de etanol e hidrocarbonetos, existe contudo uma vocação arbórea a denominar ruas, avenidas, praças, travessas e alamedas de Natal com nomes de árvores. Exemplos:
                                       Rua das Tílias (no Alecrim). Rua Babaçulândia  e Rua Buriti (no Conjunto Amarante), Rua Cajarana (Conjunto Boa Vista), Rua das Laranjeiras (no centro da cidade), Rua Bananeira, Rua Cajazeira e Rua Timbaúba (na Cidade da Esperança), Rua Algaroba, Rua das Carnaúbas, Rua Ciprestes, Rua Rio Curuá, Rua do Loureiro e Rua do Marmeleiro (na Cidade Satélite), Rua da Tamarineira (no bairro Felipe Camarão), Alameda das Acácias e Alameda dos Eucaliptos (Neópolis).
                                         De outros conjuntos natalenses, os campeões em nomes de árvores denominando seus espaços públicos são o Panorama e o Potengi, ambos com dez árvores homenageadas, respectivamente: Rua do Sapotizeiro, Rua Umbuzeiro, Rua Castanhola, Rua Jaboticabeira, Rua Casuarina, Rua Cerejeira, Avenida das Oliveiras, Rua Mangabeira, Rua Maracujazeiro (que são as dez do Conjunto Panorama). Do Conjunto Potengi são as seguintes:
                                           Rua do Cajueiro, Rua Jurema, Rua das Pitombeiras, Rua do Limoeiro, Rua do Coqueiro, Rua do Abacateiro, Rua Pau Brasil, Rua Oiticica, Rua da Jaqueira e Rua da Goiabeira. De todas as árvores mencionadas, algumas são mais vulgares e outras são árvores nobres, ricas de tradição na vida urbana e econômica de determinado país. Compare-se, por exemplo, a casuarina com o pau brasil. A primeira é apenas ornamental, a segunda é presença marcante, dando nome ao nosso país.
                                             Mas cada árvore, até mesmo a mais aparentemente desimportante, tem a sua importância para a vida como representante do reino vegetal. As árvores entrelaçam dois objetivos: o de nos levar à comunhão com as raízes da vida, e o de nos deliciar com o sabor dos seus frutos juntamente com as magias da beleza ao exporem suas flores perfumadas, nos jardins, nos vasos caseiros, nas mesas de reuniões e seminários, e no nosso coração a cada primavera.
                                                  Por isso que elas motivam tantos artistas. Da mesma maneira que as tensões psicológicas de Van Gogh levaram-no a pincelar nervosamente os ciprestes, como chamas expressivas de sua febre interior, o natalense Vatenor pinta seus cajueiros, ou apenas detalhes dos seus frutos e folhas. Contudo, ao contrário do pintor holandês, que apresenta nas suas telas imagens angustiadas, Vatenor traz aos nossos olhos uma memória de infância vivida na Redinha.
                                                    Aliás, os artistas plásticos tem amor pelas árvores desde o próprio material com que trabalham, que usam para produzirem suas imagens e formas recriadas. O pincel com que Maria do Santíssimo desenhava seus galos e flores e folhas era feito de palito de coqueiro. Quanto aos artesãos, utilizam bastante madeiras, principalmente a umburana, para criarem seus objetos, seus carros de bois, seus cangaceiros, seus santos, seus vaqueiros, suas bandinhas de música.
                                                       Os cronistas desenham com as palavras, para expressarem seus sentimentos em relação às árvores, O saudoso Berilo Wanderley  fixou assim um momento inesquecível visto da janela do seu quarto: “Às vezes, quando não acordo tarde, ainda descubro lágrimas de orvalho escorrendo pelas folhas espalmadas das bananeiras que, vistas da janela, parecem diamantes, cintilando no sol” (trecho de uma das crônicas de Berilo Wanderley no livro “B.W. Revista da Cidade”, organizado por Maria Emília Wanderley, e publicado em 1994 pela Editora da UFRN).
                                                         O conjunto de todas as árvores inclusas na toponímia de espaços públicos de Natal pode ser dividido em várias espécies, conforme sua serventia prática ou apenas simbólica pelos seres humanos. Por exemplo: fruteiras (Rua do Abacateiro, Rua Bananeira, Rua do Coqueiro, Rua da Goiabeira, Rua Jaboticabeira, Rua das Laranjeiras, Rua Lagoa da Mangueira – no conjunto Soledade II; Rua do Sapotizeiro, Rua da Tamarineira, Rua Umbuzeiro). Outras espécies são ornamentais, medicinais etc.
                                                             Dentro do conjunto de todas as árvores com presença, pelo nome, nos espaços urbanos de Natal, existe a lacuna de algumas importantes em sua origem ou adaptação a solos nordestinos. Eu lembraria a canafístula, a cuitezeira, o licurizeiro, o pequizeiro, a quixabeira e o trapiazeiro. Veja-se a descrição científica delas: a canafístula é uma espécie do gênero Cássia, ornamental, apresentando-se com belas flores, ora vermelhas ora amarelas, nascendo em grandes cachos. Também é chamada tapira-caiena.
                                                                 A cuitezeira, que tem também o nome cabaceiro amargoso, é uma árvore da família das cucurbitáceas (Lagenaria vulgaris), apresentando flores brancas e um fruto cuja polpa é amarga, prestando-se a tratamentos purgativos. O licurizeiro, ou aricuri, é da família das palmáceas (cocos coronata), com frutos comestíveis, dos coquilhos extraindo-se óleo, e das folhas cera (como a gloriosa carnaubeira, ambas resistentes às secas. Falarei agora do forte pequizeiro:
                                                                    É da família das cariocaráceas (caryoca brasiliense), vem do cerrado mas muitas mudas foram plantadas no Nordeste, onde se adaptou bem. Com folhas trifoliáceas e grandes flores com bastantes estames. Os frutos, aromáticos, podem servir de tempero e para se fabricar licor. A quixabeira – não vi este nome em qualquer espaço urbano de Natal. É uma árvore de cor leitosa, da família das sapotáceas (Brumelia sartorum), proliferando bastante na caatinga.
                                                                     Por fim, o trapiazeiro, também chamado catauari, vindo da Amazônia, mas também adaptado ao Nordeste. É da família das caparidáceas (cratalia benthami), com flores de pétalas lanceoladas e com frutos de bagas globosas. Tem propriedades medicinais. Esta árvore e as outras já mencionadas como vindas de outras regiões (originais do Nordeste é o juazeiro, a mangabeira e plantas cactáceas como o xique-xique ou a macambira), são adaptadas ou elas próprias sobrevivem através do xerofilismo.
                                                                            O mestre José Guimarães Duque (o mesmo que deu nome à fundação mossoroense que, durante algum tempo se tornou responsável pela publicação da enciclopédia “Coleção Mossoroense”) explicou, em seu livro “Solo e Água no Polígono das Secas” (1949), que “no Nordeste seco, o clima de estabilização é o xerofilismo, é a caatinga, ou cerrado ou sertão, vegetação xerófila, baixa, retorcida, unida, espinhenta e agressiva, em solo raso, pedregoso, seco, quase sem húmus.” Esta vegetação natural possibilita restaurar o solo.
                                                                                Outro botânico, F. von Luetzelburg, explicou sobre a resistência da vegetação xerófila às secas, principalmente quando a flora arbórea apresenta raízes tuberculadas, “verdadeiro sistema xilêmico ou tecido lignoso com os característicos particulares de zonas geratrizes ou de câmbio, gerando novas camadas de madeira ou lenho.” Ter estas árvores fornecedoras de madeira é de grande utilidade ao habitante da região, que assim pode ter com que construir o madeiramento de suas casas e saber porque uma árvore dá nome a

28 de abril de 2014

Nísia Floresta e seu cenário turístico

O município de Nísia Floresta enche de orgulho os seus moradores pela sua história e ao mesmo tempo pelo belíssimo resgate cultural que possui. Está localizado na Região Litoral Agreste do Estado, a 43 quilômetros da capital, onde residem cerca de 23 mil pessoas. Situado também no Pólo Costa das Dunas que ainda compõem as praias de Búzios, Pirangi do Sul, Barra de Tabatinga, Barreta e Camurupim e as Lagoas Boágua, Carnaúba, Carcará, Redonda, Bomfim e Ferreira, que fazem parte do cenário turístico do RN.
A municipalidade e sua vizinhança possuem verdadeiros tesouros como a vegetação exuberante, numerosos lagos, população acolhedora e alimentação suculenta. Várias atrações como o “baobá”, uma árvore natural do continente africano e que virou um dos ícones de Nísia Floresta, mundialmente conhecido pelo livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Saint Exupéry. Ela possui 19 metros de altura, plantada em 1877 por Manuel de Moura Júnior e tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, no ano de 1965.
A gastronomia da cidade oferece o famoso camarão da região, prato predileto na culinária potiguar. No local, existem vários restaurantes especializados em servir Camarão, fruto da pesca, que sempre foi farta dentro das suas lagoas e nas terras de boa qualidade para o plantio de várias lavouras. Essa riqueza natural serviu de impulso para o progresso econômico do povoado, que até os dias atuais se mantém baseado na agricultura, na pecuária, na pesca e na força turística de seu litoral.
O artesanato também faz parte da economia da região. Na comunidade de Campo de Santana, localizada no município, há um grupo de mulheres que se dedica à técnica do labirinto, um mestiço entre o bordado e a renda, trazida pelos colonizadores portugueses e difundida pelo Nordeste brasileiro. São mercadorias que decoram toalhas de banquete, panos de bandeja, centros de mesa, palas de blusas e vestidos, entre outros usos.
Em Alcaçuz, no mesmo município, é uma das únicas comunidades do Rio Grande do Norte que preservam a técnica da renda de bilros ou renda de almofada. Utilizada no vestuário e em peças de guarnição da casa, a qualidade e a beleza dos padrões da renda potiguar fizeram com que, nas décadas de 1970 e 1980, essa produção tivesse grande aceitação no mercado consumidor. Esses produtos são vendidos atualmente tanto nas feiras municipais como na própria localidade pelas mulheres rendeiras.
Possui ainda o Mausoléu de Nísia, onde estão depositados os restos mortais da escritora Nísia Floresta. A cidade conta com uma bela estação de trem de estilo neoclássico, convertida em restaurante: "Estação Ferroviária de Papary". Ela foi construída pelos ingleses em 1881 e considerada Patrimônio histórico nacional em 1984.  O povoado começou com o nome de Vila de Papary, mas pelo Decreto-lei, em de 23 de dezembro de 1948, foi mudado para outra denominação em homenagem à sua mais ilustre filha, a escritora Nísia Floresta, que tinha como nome de batismo, Dionísia Gonçalves Pinto.
A literatura do Rio Grande do Norte passou a ter maior destaque devido a ela, que nasceu em Papary, mais precisamente no Sítio Floresta em 1810. Filha de uma das mais importantes famílias da região, Dionísia Gonçalves Pinto, entrou para história como uma escritora que teve coragem de pensar e defender suas idéias, consideradas revolucionárias pela sociedade conservadora da época. Ela entrou para o mundo literário com um pseudônimo que se tornou internacionalmente conhecido, o de Nísia Floresta Brasileira Augusta.
A escritora do pequeno vilarejo de Papary tornou-se famosa, sendo admirada por muitos e questionada por outros tantos. Era tida como extraordinária, notável, ao mesmo tempo em que era considerada mestiça e indecorosa. Ela após residir em diversos Estados brasileiros, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mudou-se para a Europa onde passou o resto de sua vida. Morreu em 1885, em Rouen, no interior da França. No Rio de janeiro, quando morou lá, a dirigia um colégio para moças e escrevia livros para defender os direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.
Nísia Floresta foi uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos em jornais da chamada grande imprensa, com questões polemicas da época. Alguns de seus livros estão sendo reeditados e suas idéias voltam para nos lembrar um pouco da sofrida história das mulheres pelo reconhecimento de seus direitos e de sua capacidade intelectual. A esta mulher o povo brasileiro deve as primeiras e mais importantes páginas dessa luta, pela coragem revelada em seus escritos e pelo ineditismo e ousadia de suas idéias.
Os primeiros habitantes da região de Papary, conhecida desde 1607, foram os índios Tupis. O Nome Papary originou-se de uma lagoa de pesca abundante, existente no território, ao lado das lagoas Guaraíras e Papeba.
Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome do lugar modificou para o Papary, com o qual foram denominadas a Lagoa e a Vila.
Só através de um Decreto-lei, em 1948, que se transformou no município de Nísia Floresta.
Além das atividades agropecuárias tradicionais na região e do turismo, destaca-se na economia do município de Nísia Floresta o  crescimento da carcinocultura (cultivo de camarões), por tal motivo que ganhou o apelido de "a terra do camarão”. Na cidade se localiza, também, Barra de Tabatinga, que ao entardecer é comum que a praia seja visitada por golfinhos nas proximidades do “Mirante dos Golfinhos”.


21 de abril de 2014

Queda do volume de água na Barragem Armando Ribeiro Gonçalves afeta abastecimento


A paralisação do fornecimento do líquido pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), entre o dia 31 de dezembro passado e os primeiros dias do mês em janeiro, soou como um sinal de alerta.O problema do abastecimento na cidade de Campo Grande é decorrente do nível cada vez mais baixo do volume de água na Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, reservatório de onde é captada a água que é distribuída por meio da Adutora Deputado Arnóbio Abreu para as cidades de Triunfo Potiguar, Paraú, Campo Grande, Janduís, Messias Targino, Patu e a comunidade de Serra de João do Vale.Segundo informações da Caern, todas essas cidades e comunidades ao longo do trecho da adutora também estão enfrentando o mesmo problema, pois como a barragem está secando muito rápido devido à seca dos dois últimos anos, está se tornando cada vez mais difícil fazer a captação de água.

Caern faz ajustes para evitar desabastecimento
O quadro de dificuldades na captação de água tem levado a Caern a fazer o deslocamento das motobombas que puxam a água para locais com maior profundidade, para que se tenha um líquido de melhor qualidade, o que está se tornando uma tarefa complicada haja vista o baixo nível de água em que se encontra a barragem de Assú.
Rio Açu - maior riqueza do Vale - está secando

É o único rio federal do RN. Nasce na Paraíba e atravessa todo nosso estado. Sua várzea, no tempo do carro de boi, dos moinhos, cacimbas e batatas nas vazantes. Água no meio da canela. É de assustar quando olhamos o leito quase seco em algumas extensões. A preocupação é com toda uma população que depende do manancial. Dizem que a barragem Armando Ribeiro, que a partir da sua represa abastece o rio, reduziu para menos da metade a vazão d’água, [baixou de 10 para 7,5m³ por segundo] comprometendo a agricultura de irrigação e causando preocupação nos varzeanos. Porém, sabe-se que as medidas adotadas pelos órgãos que cuidam dos recursos hídricos, dar-se em função do quadro de seca vivido este ano.  A barragem Armando Ribeiro, que tem capacidade para 2.400.000m³, está hoje com 1.060.200, o que equivale a 44% de seu armazenamento máximo.  

(Fontes: O Mossoroense - Blog do Fernando Caldas)- Fotos: Adrovando Claro