Claudionor Barroso Barbalho
Historiador (Prof. UFRN)
claudionorbarbalho1946@hotmail.com
Primeiro
chegaram os padres Francisco Xavier, Pedro Fábio, Simão Dias e outros
entusiastas da mesma idéia do fundador Inácio de Loyola em 1549, a Companhia de
Jesus, Ordem Religiosa que se incorporava a Igreja, todos eles eram pessoas de
espíritos forjados na rija têmpera do fundador da Ordem que chegou ao Brasil
com o Governador Geral Tomé de Souza. Com a falência do Sistema de Capitanias
Hereditárias criadas por D. João III e
que planejava colonizar as terras de Santa Cruz, “foi num 23 de março de 1549
que chegou ao Brasil no séqüito do primeiro Governador Geral, os padres Manoel
da Nóbrega, Antonio Pires, Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro e outros...
(1)
Aqui na
Capitania do Rio Grande do Norte, doada a João de Barros, a quem se associaram
Fernando Álvares de Andrade e Aires da Cunha, ficaram as terras por muitos anos
entregues aos indos e piratas franceses. “O Rio Grande do Norte virou o quartel
general dos franceses, que, souberam conquistar a amizade e a aliança com os
potiguares”. (2) E assim, ficava em perigo o governo português, enquanto a
Paraíba sentia-se ameaçada por tão terríveis vizinhos. Repetiam-se roubos e abordagens
aos navios que iam e vinham da metrópole.
O governo
embora mais tardiamente, tomou todas as suas providências através de Cartas
Régias datadas de 9 de novembro de 1596, destinadas ao Governador Geral D.
Francisco de Souza e aos capitães-mores da Província da Paraíba, Manoel de
Mascarenhas Homem e Feliciano Correia, que por sua vez, apressaram as execuções
das importantes medidas, incluindo-se as autorizações das despesas para
realização das emanadas de Portugal.
Vieram por mar
seis navios e cinco caravelas com o Capitão-Mor Francisco de Barros Rego e o
Almirante Antonio Costa Valente e por terra, Manoel Mascarenhas Homem, tendo
como Capitães de Companhias Jerônimo de Albuquerque Maranhão, Jorge, seu irmão,
e Manoel Leitão.
Aqui na
Capitania, Mascarenhas incorporou-se à esquadra, assumindo o posto de Comando,
em seguida chegava à expedição vindo da Paraíba sob as ordens de Feliciano
Coelho, que também ficara sob o comando de Mascarenhas Homem. Foi neste período
turbulento em que as forças portuguesas reuniam-se, no intuito de expulsar os
franceses da costa do Rio Grande do Norte, que os missionários jesuítas
chegaram a Capitania. Entre eles, o padre Francisco de Lemos e Gaspar de
Samperes, este engenheiro e arquiteto, que logo, viria a projetar e construir o
Forte dos Reis Magos; dentre os padres, também vieram o Frei João de S. Miguel
e o Padre Francisco Pinto. Satisfazendo as intenções da Coroa lusitana, os
protagonistas, um a um, reformaram as suas origens, ciosos do dever cumprido, e
mantendo a soberania aqui na Capitania.
As Missões - A
primeira missão em regra, partiu do Colégio de Olinda, ao Rio Grande do Norte em
1605, e por mar; no ano seguinte repetiu-se a missão, por terra, com os Padres
Diogo Nunes e André de Soveral”. (3)
Foram
recebidos por todos os lugares da Capitania com grande alegria, tanto pelos
portugueses, como pelos índios. Os portugueses porque se achavam carentes de
consolo e deprimidos pela saudade da terra natal e agora, tinham com quem se
aconselhar, conversar e se confessar. E os indígenas que se convenceram da
esperança de liberdade, que eles certamente não pretendiam perder. E que agora
vendo que os missionários eram defensores de suas liberdades, não havia motivos
para fugirem para o interior, ou seja, a presença dos padres era a garantia e a
certeza de suas pretensões.
O Padre Serafim Leite descreve ainda que na
sede da Vila (hoje Natal) eles permaneceram quatro dias, a pedido dos
moradores, para administrar sacramentos. Depois partiram para as aldeias.
“Chegaram a uma, que era governada por uma índia cristã, ‘que podia dar exemplo
aos melhores governantes quer no respeito dos súditos, como na paz da
República’.
Chamava-se
Antônia. Foi tal o seu prazer que ao saber a ida dos Padres à sua Aldeia, não
consentiu fossem pelo carreiro tortuoso do costume, senão que mandou abrir um
caminho em linha reta, à força de braços e de ferro, e veio recebê-los a
“15000” passos da Aldeia, com os seus presentes. Antônia
Potiguar, a
índia “governadora” da Aldeia, regulou nesta visita o seu estado matrimonial,
com o homem que tinha escolhido e com quem já vivia”. (4)
Antônia
Potiguar ficou famosa E sua Aldeia, a Aldeia de Antonia, perto da Lagoa de
Guaraíras, é uma das poucas referências topográficas, na fundação do Rio Grande
do Norte.
É importante
se observar que a Aldeia de Antonia Potiguar é o primeiro ponto de referência,
com respeito à fundação de Arez. Foi a partir deste episódio ímpar, que a
Companhia de Jesus enviou em 17 de junho de 1610, os padres: Diogo de Barros e
Antônio Alcântara Lisboa (5), e o português Manoel Rodrigues de Souza Forte,
acompanhado de sua esposa, dos filhos, e quatro escravos para ajudar no amanho
da terra e na construção de uma capelinha que deveria servir para celebrar a
missa e, de sala de aula para as crianças índias, assim como, sementes as mais
variadas, no sentido de abastecer as necessidades daquele grupo que vinha para
ficar e fazer a ereção das cruzes e catequizar os gentios. No ano seguinte
vieram outras levas mais numerosas que a primeira. (6)
O historiador
Nestor dos Santos Lima escreveu na Revista do Instituto Histórico e Geográfico
do Rio Grande do Norte -IHGRN, o artigo intitulado Arez - o Município, onde
aquele ilustre pesquisador menciona que Arez tem suas raízes e origens no
aldeamento de Guaraíras, tendo como chefe o índio Jacumaúma e que é a mesma
antiga aldeia de Antônia Potiguar. (7)
Na data (86)
aparece pela primeira vez o nome Jacumahuba a meia légua de terra do Rio Jacu.
1) Serafim Leite. S.J. – História da Companhia de Jesus no Brasil,
Vol. I, pág.19
2) Frei Vicente do Salvador -
História do Brasil, pág. 359
3) - Serafim Leite - História da
Companhia de Jesus no Brasil, Tomo V, livro I, pág.507
4) - Serafim Leite - História da
Companhia de Jesus no Brasil, Tomo V, livro I, pág.507
5) - Cartas dos Jesuítas acerca
de informação das terras no Brasil
6) - Carta do Superior da Aldeia
de Guaraíras ao Superior de Portugal (arquivo de Évora, Portugal)
7) - Arez Município, pág. 123
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