30 de dezembro de 2019

Praia de Pitangui


         
  
            No litoral norte está situado um  cenário perfeito, que possui praia, rio e cachoeira. Trata-se de Pitangui, que fica localizado a trinta quilômetros da cidade de Natal e situada no município de Extremoz. Ela fica  entre as praias de Graçandu e Jacumã. É muito conhecida pelo seu tradicional carnaval e também pelas casas de veraneios, onde é ocupada no verão. A vila de Pitangui é cercada por dunas onde se pode fazer passeios de buggy, tanto pelas dunas quanto pela praia.
            A principal duna se chama "dunas douradas", que pela sua extensão se tem a impressão que está em um deserto.  Em alguns pontos das dunas douradas pode-se tirar fotos em meio a imensidão de areia. Um lugar belo e que pode ser visitado pelos que frequentam o lugar. Ainda pelas dunas douradas, só que mais próximo à vila, em cima dos morros de areia  se tem uma vista privilegiada de Pitangui, onde pode ver ainda as praias de jacumã, Graçandu, Barra do Rio e Genipabu.
            Bem próximo à vila, além dos passeios nas dunas, há uma cachoeira de em que na atualidade tem uma boa estrtura para as pessoas passarem o dia lá. Neste recanto se tem um abrigo de uma sombra refrescante, sentado em mesas colocadas dentro do pequeno riacho. O frequentador pode saborear algumas petiscos da região, como espeto de  camarão , lagosta, assim  como ginga com tapioca. Do outro lado da vila de Pitangui fica a sua famosa lagoa, que possui infra-estrutura para turistas.
             Na lagoa, além da pessoa usufruir de nadar nas águas mansas, pode-se descer de tirolesa e navegar de  caiaque. Além de se divertir com toda a família e tranquilidade de harmonia com a natureza. A vila também  é dotada atualmente de pousadas. Mas o seu ponto forte são as casas de veraneio, que durante  a alta estação servem de  encontro de famílias da capital e do interior do Rio Grande do Norte, bem como de outros estados.
             Algumas destas casas estão disponíveis para aluguel por temporada. Outra  boa alternativa de lazer no lugar é a lagoa de pitangui, que fica cerca de 35km de Natal, no litoral norte. Ela também conta com o tradicional bar da lagoa, onde se concetra muitos turistas. As cadeiras, a beira do rio,  se tornou em uma atração para aqueles que visitam a lagoa. No verão ela vistada diariamente, diferentes das outras época do ano, onde a frequencia é mais nos fim de semana.
            A Lagoa é um lugar agradável e perfeito para lazer. A movimentação é grande, principalmente no periodo de férias, já que chama a atenção por ter muitas mesas e cadeiras dentro da água, dando maior conforto aos que visitam. Ela tornar-se divertimento também das crianças por possuir vários peixinhos pequenos na água. No local a variedade do cardápio é bem grande, não faltam opções, como, camarões, peixes e outros pratos tradicionais da região. Muitos turistas se encantam com a lagoa, que tem uma boa estrutura para um ótimo dia de lazer.





26 de dezembro de 2019

Praia da Redinha


        
                                                                  Praia da Redinha - Foto divulgação
            A praia da Redinha é mais uma das praias urbanas de Natal e fica na saída para o litoral norte. É um lugar bastante pitoresco. Tendo sido uma vila de pescadores, ela ainda guarda alguns recantos que não podem deixar de ser visitados pelos turistas. O Mercado Público é um destes atrativos, que tem a famosa Ginga com Tapioca, uma tradição do lugar. Tem a igreja Nossa Senhora dos Navegantes, outro ponto muito visitado, que foi construída com pedras retiradas dos arrecifes. Sua história mostra que a praia da Redinha não é apenas sol e mar.
            Os quiosques também são uma atração à parte, com seus pratos tradicionais como,  peixe frito, camarão, macaxeira, carne-de-sol, caldos e ginga, é uma gastronomia tipicamente local. Os pescadores da praia da Redinha oferecerem peixe frito diretamente para os turistas. Mas uma das suas maiores atrações é mesmo o  Aquário Natal, que é um lugar fascinante, que conta com aproximadamente 60 espécies de animais como tubarões, peixes de corais, cavalos marinhos, jacarés, pingüins, entre outros.
            Para chegar à Praia da Redinha, pode ser pelo acesso da ponte nova Forte-Redinha Newton Navarro ou então pela velha  Ponte de Igapó, passando por sobre o rio Pontegi. Ela fica distante do centro de Natal cerca de 20 quilômetros. È frequentada atualmente não só por moradores da região da Zona Norte, como por muitos turistas que vistam a cidade nesta época do ano. Sua fama é por possuir casas e bares simples e rústicos, além dos bons  peixes  e a famosa ginga com tapioca.
            É também a última praia do litoral urbano e nela que está localizada a Ponte Newton Navarro que atravessa o  Rio Potengi. Após a construção da nova ponte, uma parte da Redinha foi revitalizada, a área compreendida entre o Mercado Público da Redinha a Igreja de Pedra passou a se chamar Largo João Alfredo. A Redinha possui duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora dos Navegantes e de pedra  e a mais antiga. Ela é divida em duas praias, ou seja,  Redinha Velha pertence a capital, enquanto que Redinha Nova pertence ao município  de Extremoz.


12 de dezembro de 2019

Quem viu Jesus Menino?





Anchieta Fernandes

            Há mais de 2000 anos um certo Galileu foi preso, torturado e executado na cruz, dando origem a uma religião que inequivocamente influenciou a cultura humana em termos de moral e fé, arte e hábitos litúrgicos e sociais. Ele foi Jesus Cristo, e a religião o Cristianismo, que embora ameaçada pela força que outras religiões vem adquirindo (islamismo, judaísmo, hinduísmo), ainda detém o maior número de seguidores, em suas diversas vertentes (católicos ocidentais ou ortodoxos, e as várias denominações nascidas com a reforma protestante empreendida por Martinho Lutero no século dezesseis – 16).
            O personagem Jesus Cristo tem fascinado milhões de pessoas. Algumas afirmam terem sido agraciadas com a visão dele (crucificado ou não), entregando-lhes uma missão de divulgação da fé e do seu mandamento maior: “amai-vos uns aos outros”. Historicamente, segundo registros desde os evangelhos, pode-se crer que, após a sua ressurreição no terceiro dia após a crucificação, ele apareceu primeiro a Maria Madalena e Maria mãe de Tiago. Depois, aos discípulos de Emaús, e por fim ao resto dos discípulos, reunidos em Jerusalém. O continuar da história do Cristianismo descreve outros aparecimentos.
            Alguns dos mais importantes foram direcionados a Santa Margarida Maria Alacoque, que numa sexta-feira de 1673 viu Jesus diante do Sacrário. Pelos dois anos a seguir, toda primeira sexta-feira do mês, ele lhe apareceu. Numa das vezes, mostrou-lhe o coração rodeado de espinhos, e uma chama sobre a ferida no peito, e disse: “Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes seu amor, e, em troca, recebe da maior parte senão ingratidões, irreverências, sacrilégios, friezas e desprezos”. Daí, ela passou a ter a iniciativa de criar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
            Não se tem certeza sobre a data de nascimento de Jesus Cristo. Mas muitos povos, em vários países, convencionaram que ele teria nascido na passagem de uma noite de 24 para o dia 25 de dezembro. E está aí, nas artes, nas comemorações folclóricas e nas celebrações litúrgicas das grandes catedrais e basílicas, ou humildes capelinhas, o nascimento desta criança, deste Menino Jesus levado a um destino ao mesmo tempo trágico e glorioso, objetivando ele ser assassinado pelos homens que ele “salvou”, segundo a religião, justamente por se submeter a esta morte violenta, quando, sendo Deus, teria capacidade de evitá-la.
            Quem foi que viu Jesus Menino, ao vivo, ou através de aparições espirituais? Quem primeiro o viu, recém-nascido, bebê, numa manjedoura, entre animais, foram seu pai adotivo José e sua mãe biológica Maria. Depois, foi a vez de uns pastores da região de Belém, que, avisados por um anjo sobre a boa notícia do nascimento do Messias prometido, foram e viram o menino, enfaixado e deitado na manjedoura. Magos do Oriente também visitaram o menino e ofereceram a ele presentes, ouro, incenso e mirra. Após oito dias do nascimento de Jesus, José e Maria o levaram ao templo, em Jerusalém, onde estava Simeão, homem justo e piedoso.
            O Espírito Santo tinha revelado a Simeão que ele não morreria sem primeiro ver o Messias prometido pelo Senhor. Simeão reconheceu no menino este Messias, tomou-o nos braços, louvou a Deus, e disse a Maria: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma”. Estava também no templo a velha profetisa Ana, que viu o menino, louvou a Deus e “falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”, como diz o evangelista Lucas, no capítulo 1, versículo 38 do seu texto, que é o 3º evangelho na ordem cronológica.
            Cumpridas as obrigações no templo, a Sagrada Família (José, Maria e Jesus) voltou para a sua cidade, Nazaré, na Galiléia. Ali, José voltou a exercer seu ofício de carpinteiro. E o menino Jesus talvez, ajudava o pai (e, portanto os clientes de José também viram o Menino Jesus) e, naturalmente, brincou com outros meninos, que o viram na sua etapa lúdica, infantil, pois, embora uma criança especial, deve ter brincado as brincadeiras sadias, rejeitando as que levavam para o lado malicioso do instinto humano. Talvez praticou algum milagre para os amiguinhos. Quando completou 12 anos, acompanhou pai e mãe à Festa da Páscoa, em Jerusalém.
            E ali, os Doutores da Lei viram-no e se admiraram com a inteligência e os conhecimentos dele, cujas perguntas e respostas eram precisas, incrivelmente incontestáveis. Alguns dos celebrantes e divulgadores da religião nascida a partir do nome deste menino sábio continuaram a vê-lo assim, como criança, em algumas aparições. Não se pode negar que o que ocorreu no convento das Irmãs de Caridade, em Chantillon, na França, a 18 de julho de 1830, foi uma clara presença do espírito deste Jesus Menino. A coisa ocorreu com a noviça Catarina Labouré, instrumento de uma novidade para a época. Durante a noite, ela acordou e ouviu chamarem-na.
            No quarto, ao lado dela, um menino louro, talvez de idade entre 4 ou 5 anos, disse-lhe: “Levante-se, minha irmã. Venha depressa á capela. A Virgem Santíssima a aguarda.” Temerosa, Catarina o seguiu, e à proporção que caminhavam, o menino cercado de raios de luz, as velas foram se acendendo , e a porta da capela abriu-se sozinha, e o pequeno templo estava todo iluminado, “como se para a missa da meia-noite.” E Catarina viu, sentada na cadeira do diretor, nos degraus do altar, uma bela senhora, que o menino confirmou: “Eis a Virgem Santíssima.” E a Virgem começou a falar para ela: “Minha filha, o bom Deus quer encarregá-la de uma missão.”
            Antes de dizer qual seria a tal missão, a Virgem fez algumas profecias de acontecimentos trágicos que iriam ocorrer brevemente, inclusive a queda do trono francês (o rei Carlos X foi derrubado oito dias após a profecia) e assassinatos de autoridades clericais (o Monsenhor Affre, e o Arcebispo de Paris, Darboy, vitimados pela revolução). Com lágrimas nos olhos, a mãe do menino louro exclamou: “Minha filha, a cruz será tratada com desprezo, eles a derrubarão por terra e a calcarão aos pés. O sangue correrá. As ruas ficarão cheias de sangue.” Mas a Virgem prometia: “Graças serão derramadas sobre todos, grandes ou pequenos, que as peçam com fervor.”
            Somente na segunda aparição, a 27 de novembro de 1830, é que a Virgem revelou qual seria a missão que Catarina deveria cumprir: mandar cunhar uma medalha, segundo o modelo que era encenado com a própria presença da Virgem, que disse: “Mande cunhar uma medalha com este modelo. Todos os que a usarem receberão grandes graças e devem trazê-la ao pescoço. As graças serão abundantes para os que a usarem com confiança.” Nascia ali o objeto religioso conhecido como Medalha Milagrosa, cujos primeiros dois mil exemplares foram cunhados pelo ourives Vachette, em maio de 1832, com o consentimento do padre Aladel, do convento, e que era o confessor de Catarina.
            No passado da cidadezinha de Mantara, no Líbano, tinham havido aparições de Santa Maria Madalena e da Santíssima Virgem em uma grande gruta, perto da igreja copta cristã. Santa Maria Madalena pediu na ocasião que ninguém falasse, houvesse “total silêncio”. A gruta ficou desde então conhecida como local de orações silenciosas. A 11 de junho de 1911, sete mulheres que haviam assistido a uma celebração para o vice-cônsul francês na referida igreja copta, entraram na gruta. De repente, uma grande explosão de luz ofuscou-lhes os olhos. A luz transformou-se em nuvens luminosas emitindo raios coloridos.
            Na parte central da imagem que estava sendo vista, estava a Virgem Santíssima com o Menino Jesus nos braços. Quando foi espalhada a notícia da aparição, um número grande de pessoas se dirigiu à gruta, e cerca de 60 pessoas foram privilegiadas com a visão da Virgem com o menino Jesus nos braços. Ambos silenciosos, mas estendendo as mãos e com um sorriso agradável, a “Sagrada Aparição do Silêncio Total” (como passou a ser conhecida) caracterizou então o fenômeno das aparições no século 20, como dentro da visualidade pura das comunicações do século, signo da força da imagem.
            Os mais famosos videntes da história da Igreja Católica foram os três pastorzinhos de Fátima, em Portugal, Lúcia, Francisco e Jacinta. Durante 6 meses, a partir de 13 de maio de 1917, eles tiveram por 6 vezes a visão da mãe de Jesus, sempre com o pedido que rezassem o terço todos os dias “pela paz no mundo e o fim da guerra” (estava ocorrendo desde 1914 a primeira guerra mundial, que iria acabar em 1918). Na última aparição, a 13 de outubro de 1917, se configurou ante os videntes não somente a imagem da Virgem Santíssima, mas também a de São José com o Menino Jesus, um verdadeiro quadro da Sagrada Família.
            Na hagiografia cristã, os relatos das vidas dos santos destacaram fatos reais, constatados por documentos ou testemunhos, e fatos apenas supostos, lendários, não tendo a sanção da autenticidade documental ou testemunhal. Assim é que se pode mencionar o aparecimento do Menino Jesus a pelo menos dois santos: Santo Antônio de Pádua, e São Cristóvão apenas como lendas; mas de qualquer maneira enriquecendo o imaginário literário, focado no importante encontro entre a criança que daria origem a uma religião e seres humanos que se fortaleceram no heroísmo de assumirem a difícil prática da santidade.
            Santo Antônio de Lisboa (porque nasceu na capital portuguesa a 15 de agosto de 1195) foi talvez mais conhecido como Santo Antônio de Pádua, porque passou a maior parte de sua vida religiosa na região italiana da cidade de Pádua, onde faleceu de hidropisia a 12 de junho de 1231. Conta-se muitos fatos extraordinários, verdadeiros milagres que se concretizaram por intervenção dele. E há os registros do seu encontro com o Menino Jesus, acontecimento tão importante que a sua imagem nos altares mostram-no como um frade com um menino nos braços. A aparição se deu na casa do Conde Tiso, um amigo de Frei Antônio em Pádua. O conde reservara na casa um aposento para o religioso.
            Naquele aposento, muitas vezes Frei Antônio passava horas em oração. Certo dia, o conde queria falar com o frade, mas, não querendo perturbá-lo repentinamente, olhou pelo orifício da fechadura para verificar se ele estava desocupado. Foi então que flagrou a belíssima cena: Frei Antônio estava conversando alegremente com o Menino Jesus. Os dois viram então o espírito da divina criança: o santo e o nobre bondoso. Um dos colaboradores do calendário anual conhecido como Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, o Frei Almir Ribeiro Guimarães, escreveu uma “Cantiga Para Santo Antônio”, que começa dizendo que “admiro tua ternura tão franciscana para com o Menino das Palhas.”
            Não se tem muita certeza sobre os fatos que se conta a respeito da vida de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas. A tradição os foi acrescentando, e assim fazendo crescer o seu culto desde tempos remotos. A sua popularidade se traduziu em muitas igrejas construídas e irmandades fundadas com o seu nome. Na Ásia, na Europa, no Brasil. No livro “O Santo do Dia”, de Dom Servílio Conti, há o registro de que ele “deve ter sido um homem de estatura extraordinariamente alta, de força hercúlea e, uma vez convertido a Cristo se fez apóstolo desta religião na Lícia, onde sofreu o martírio sob o imperador Décio, por volta do ano 250.”
            O biógrafo diz mais que antes ele “ambicionava colocar sua habilidade militar e sua força a serviço do Senhor mais potente: foi assim que mudou várias vezes de dono. Diz-se que até se colocou a serviço do demônio, quando notou que o seu general tinha um medo supersticioso do espírito das trevas. Percebendo, porém, que o próprio diabo tinha medo da cruz, indagou o porquê, foi então que ficou sabendo que Cristo, Filho de Deus, era o mais poderoso dos soberanos.” Procurou então a melhor maneira de servir a Cristo. Um eremita aconselhou-o a fazer jejuns, orar e meditar sobre a palavra de Deus. Ele retrucou que não agüentava jejuar e não tinha jeito para orar e meditar.
            O eremita então disse: “Vê, tu és robusto, alto e forte: aí perto há um rio sem ponte, que é perigo de morte para muita gente que o deseja atravessar. Oferece teus serviços àquela pobre gente: leva as pessoas, transportando-as de um lado para o outro. Terás a gratidão e as orações dos beneficiados e Deus te recompensará de tua caridade.” O quase gigante físico iniciou então os passos da caminhada em direção a se tornar também um gigante espiritual. Construiu uma cabana à beira do rio, onde passou a morar, se oferecendo a transportar gratuitamente todos que quisessem atravessar de um lado para o outro o rio perigoso, e não tinham capacidade física de o fazer.
            Certo dia chegou também, um menino, e pediu para transportá-lo a outra margem. O gigante botou o menino nos ombros, pensando que não ia pesar quase nada. Mas à proporção que atravessava, o menino começou a ser cada vez mais pesado, sentindo o gigante suas pernas tremerem. Depositando-o na outra margem, o gigante exclamou: “Parecia-me estar carregando o peso do mundo inteiro!” O menino sorriu e disse: “Muito mais do que o mundo inteiro, tu carregaste o Senhor do Mundo.” Assim, o gigante entendeu que carregara em seus ombros o próprio Menino Jesus. Desde então, o gigante adotou o nome Cristóvão, que conforme sua etimologia latina significa “o que leva Cristo”.
Referências bibliográficas:
CARDOSO, Maurício. Jesus 2000 Os desafios do cristianismo às portas do novo milênio. São Paulo, Veja, ano 32, nº 50, 15 de dezembro de 1999.
LUCAS, São. Bíblia Sagrada. Tradução, introdução e notas por Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancim. Edição Pastoral. São Paulo, Paulus, 1990.
CONTI, Dom Servílio. O Santo do Dia. 2ª edição, revista e melhorada. Petrópolis, Vozes, 1984.
SWANN, Ingo. As Grandes Aparições de Maria: relatos de vinte e duas aparições. Tradução: Bárbara Theoto Lambert. São Paulo, Paulinas, 2001.
História de Santo Antônio. Em quadrinhos. Coleção Série Sagrada. Sem indicação de autor. Rio de Janeiro, Editora Brasil-América. Sem indicação de data.
GUIMARÃES, Frei Almir Ribeiro. Cantiga Para Santo Antônio. Petrópolis, Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, 12 de junho de 1986, quinta-feira.
PAIVA, Con. Jorge O`Grady de. Dicionário de Nomes Próprios Pessoais. Natal, Departamento Estadual de Imprensa – DEI (impressão), 2006.

3 de dezembro de 2019

O Natal sempre Acontece...





Salete Pimenta Tavares

          O Natal está chegando... O Salvador está às portas... E como todo ano a preparação para comemorarmos o nascimento de Jesus se intensifica. Depois da celebração anual do Mistério Pascal, a Igreja tem outro grande acontecimento que é a celebração do nascimento do Salvador. A preparação para o Natal, também chamada Tempo do Advento, corresponde aos quatro domingos que antecedem o Natal, denominados 1º, 2º, 3º e 4º domingo do Advento. É, pois, um tempo de vigilância, de compromisso e de reflexão sobre a importância da vida cristã.
         Durante o Advento a comunidade se prepara para a chegada do Menino Deus, participando de encontros, reuniões, confraternizações e novenas em família, aperfeiçoando a espiritualidade. Nessa época os corações afloram para um sentimento maior, o amor, tornando-os mais sensíveis, mais generosos, mais solidários e mais fraternos, avivando a fé numa participação maior da vida na Igreja.
         A festa do Natal foi instituída oficialmente pelo bispo romano Libério no ano de 354. O Natal é a celebração cristã mais profundamente enraizada no sentimento popular, com rico material poético e folclórico. Além da riqueza dos hinos natalinos, podemos mencionar como indispensáveis, a Missa do Natal, mais conhecida como a Missa do Galo, ou seja, a Missa da Meia Noite, que se constitui a melhor e a mais adequada maneira de se prestar homenagem ao Menino Jesus, e também a famosa Ceia do Natal.                      Outras tradições como a Árvore de Natal difundida durante o século 19, os presentes, as saudações, as folhagens, os enfeites natalinos, os fogos de artifício, muitas luzes e cores, que brilham por toda parte, além da figura carismática e indispensável do Papai Noel, e ainda os cartões de Natal; segundo o livro “A Essência do Natal -A Arte de Viver”– Coleção Pensamentos de Sabedoria –, o primeiro cartão de Boas Festas teria surgido em Londres no ano de 1834, impresso com a seguinte mensagem: “A merry Christmas and a happy New Year to you”, que significa ( “Um alegre Natal e um feliz Ano-Novo para você.”) Só em 1880 o cartão foi lançado na América. Atualmente, ainda existem cartões de Natal, apesar das mensagens natalinas serem quase todas enviadas via internet. Um grupo de artistas, pintores com a boca e os pés ainda conserva essa tradição, pintando     lindos e maravilhosos cartões de Boas Festas e Feliz Ano Novo.
        O Presépio é uma reprodução do nascimento de Jesus, cujas figuras em torno dele, como todos nós sabemos, representam seu pai e sua mãe humanos, (a Vírgem Maria e São José), os Reis Magos, os pastores e os animais. Conta-se que São Francisco de Assis desejava ardentemente celebrar o Natal, representando a cena da gruta de Belém. Obtendo autorização da Igreja, realizou seu desejo, mas colocou na manjedoura, em lugar de uma imagem do Menino Deus, uma criança viva, para dar mais realidade à cena. Essa foi, portanto, a orígem do presépio natalino.
   Atualmente a celebração do Natal, para muita gente tem um grande valor comercial. As fábricas e indústrias investem em brinquedos, lâmpadas coloridas, ornamentos para decoração de casas, de prédios, de ruas, inúmeros modelos e tamanhos de bolas e enfeites para Árvore de Natal, com a certeza de que quanto maior for o investimento, maior é o lucro de suas empresas. Segundo alguns lojistas, um quarto das vendas anuais de muitas lojas ocorre durante o período natalino. Infelizmente para um grande número de pessoas o Natal degenerou em festa social e comercial. Mas, para os verdadeiros cristãos o Natal foi, é e sempre será uma festa com a essência da sabedoria da Palavra de Deus, com o poder de modificar corações, de iluminar caminhos que levam a Ele e de transmitir Paz e Justiça ao mundo.
      É do Beato João Paulo II a seguinte frase: “A alegria do nascimento de Deus está destinada a todos os corações humanos. É a alegria do gênero humano, alegria sobre-humana. O homem foi aceito por Deus para converter-se em filho, por meio deste Filho de Deus que se fez homem.”
       Chico Xavier, também falando de Natal disse o seguinte: “O Natal, em qualquer parte, une as criaturas na mesma faixa de compreensão e solidariedade.”
Outra frase belíssima foi a do Papa e doutor da Igreja Católica, Leão Magno: “Hoje nasceu o nosso Salvador. Não pode haver lugar para a tristeza, enquanto acaba de nascer, a própria Vida, a mesma que põe fim ao temor da imortalidade e nos infunde a alegria da eternidade.”
       Enfim, é nesse clima de alegria e de paz, de esperança e reflexão, de fraternidade e reencontro, de ternura e humildade, que devemos comemorar o Natal do Senhor, agradecendo a Ele por tudo que nos tem dado, principalmente pela VIDA, pois esta é o melhor e o maior presente de Deus para nós.


25 de novembro de 2019

A santa do Natal





Anchieta Fernandes
            
          Embora uma santa nascida no Equador tenha Jesus no seu nome, Santa Mariana de Jesus Paredes y Flores, no entanto a santa mais ligada simbolicamente ao Natal, é Santa Terezinha. Que ao nascer a 02 de janeiro de 1873, em Alençon, na França, recebeu o nome Maria Francisca Teresa Martin, mas que, ao pronunciar os Santos Votos no Carmelo de Lisieux, a 8 de setembro de 1890, assumiu seu nome religioso: Terezinha do Menino Jesus da Santa Face.
            Voltava-se assim, primeiro para o Jesus criança, nascido segundo a tradição em um 24 de dezembro. Em toda a vida e obra (foi escritora abundante, escrevendo um famoso livro auto-biográfico – “História de Uma Alma” -, além de poesias, peças dramáticas, orações, muitas cartas; e também foi pintora)Jesus Menino é personagem sempre presente. Aliás, ela desenvolveu uma tese que chamou “infância espiritual”, para explicar sua tendência à ascese.
            Escreveu: “Eu me havia oferecido a Jesus Menino como um brinquedo, e lhe havia dito que não se servisse de mim como uma coisa de luxo, que as crianças se contentam em guardar, mas como uma pequena bola sem valor, que ele pudesse jogar na terra, empurrar com os pés, deixar em um canto, ou também apertar contra o coração, quando isso lhe agradasse. Numa palavra, queria divertir o Menino Jesus, abandonar-me aos seus caprichos infantis.”
            A decisão de tomar o hábito de carmelita lhe adveio não somente de uma “santa” inveja de algumas suas irmãs que já o haviam feito, mas também porque o que ela chamou de “conversão” aconteceu numa missa de Natal, em 1886: “Nesta noite de luz, começou o terceiro período de minha vida, o mais belo de todos, o mais cheio das graças do céu. (...) senti o grande desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que jamais tinha sentido tão vivamente.”
            O incrível é que este trabalho pela conversão dos pecadores acontecia no recolhimento da cela do convento, ela orando, meditando, e não indo às práticas sociais, de ajuda aos necessitados na rua. Mas eram orações de tal intensidade, que, por caminhos não observados materialmente, convertiam criminosos e davam consolo aos doentes. Em 1927, dois anos após sua canonização pelo papa Pio XI, diante de 60 mil peregrinos, ela foi declarada padroeira principal das Missões.
              A pedido de sua irmã Paulina, que como religiosa adotou o nome Madre Inês de Jesus, Terezinha redigiu em 1895 o Manuscrito A, primeira parte de sua auto-biografia “História de Uma Alma” (a primeira edição desta obra sairia por uma editora paulina, em Bar-le-duc, França, em 1898). Mas a 2 de fevereiro de 1893, já havia escrito seu primeiro poema, “O orvalho divino”, onde emprega expressões de grande ternura sobre o Menino Jesus: “Meu doce Jesus, no regaço de tua mãe.”
              Em 2002, a editora católica paulista Paulus publicou uma antologia com as “Obras completas” de Santa Terezinha. Em cada uma das partes da antologia, representando cada uma um gênero literário em que a flor do Carmelo se exercitou, não faltam estas referências ternas ao Menino Jesus, talvez mais do que as referências a Jesus Cristo adulto. Que, é claro, se fazem presentes também, pois não seria o caso de a “esposa” Terezinha menosprezá-lo preconceituosamente.
             A antologia é constituída pelos manuscritos auto-biográficos, desde o Manuscrito A (primeira parte da “História de uma Alma”), onde em dado momento ela escreve: “Nesta noite luminosa, que iluminou as delícias da Trindade Santa, Jesus, a doce criancinha de uma hora, mudou a noite de minha alma em torrentes de luz.” Tem também a parte das cartas, das poesias, das Recreações Piedosas, das orações, dos “Últimos Colóquios”, dos escritos vários, além das Notas.
               As Recreações Piedosas são as peças de teatro que Santa Terezinha escreveu, das quais 3 são com temas natalinos: “Os Anjos no Presépio de Jesus”, “O Divino Pequeno Mendigo do Natal” e “A Fuga para o Egito”. Santa Terezinha faleceu no Carmelo de Lisieux a 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos de idade. A sua irmã, Irmã Maria do Sagrado Coração, recolheu desde 8 de julho as palavras da santa em seu leito de doente (acometida pela tuberculose), nas conversas com as outras freiras.
                Pelas 19:20hs, ela olhou para o crucifixo, e pronunciou suas últimas palavras: “Oh! Eu o amo...Meu Deus...Eu vos amo!” A partir da publicação da “História de Uma Alma”, um ano após a morte da autora, começou uma inesperada popularidade da carmelita. O livro se tornou um best-seller. Vem a necessidade de republicá-lo logo, várias edições em diversas línguas, inclusive em japonês. Milhares de cartas chegam a Lisieux, relatando as curas obtidas por intermédio de Terezinha.
                Vem a beatificação (1923), a canonização (1925). E o culto a Santa Terezinha se multiplica pelo mundo, construindo-se igrejas e basílicas dedicadas a ela. Biografias dela em vários meios de comunicação e gêneros artísticos (livros, filmes, quadrinizações). Aqui no Rio Grande do Norte ela é homenageada de diversas maneiras. De 24 de dezembro (justamente numa Noite de Natal) de 1930 a 1 de janeiro de 1931, ocorrem as festas de inauguração do seu templo, no Tirol.
               Em 1937, é fundado em Mossoró o Seminário Santa Terezinha, onde os futuros sacerdotes obtém a primeira etapa de sua formação. As associações religiosas organizadas sob o patrocínio do seu nome existem em várias paróquias do Estado. Aliás, além da paróquia de Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças, criada na capital, por Dom Marcolino Dantas, pelo Decreto nº 25, de 01 de agosto de 1950, ela é também padroeira das paróquias de Janduis e Tangará, no interior.
            Um indicativo do seu prestígio no contexto da cultura popular, é que o poeta e professor natalense Thomas Heidegger Saldanha escreveu um folheto de cordel com o título “A Vida de Santa Terezinha”, em 12 páginas, apresentado pelo Cônego José Mário de Medeiros. Na capa, foi reproduzido o retrato em um quadro, pintado em 1925 pela irmã dela Celina, que foi também carmelita em Lisieux desde 14 de setembro de 1894, com o nome Irmã Genoveva da Santa Face.
            Os recursos de criatividade nordestina voltaram-se também para a captação da vida da santa através da câmera cinematográfica.. Em 1925, a Companhia Vera Cruz realizou a adaptação fílmica do livro “História de uma Alma”, com direção, adaptação e roteiro por Eustórgio Wanderley. A atriz pernambucana Noemi Gomes de Matos interpretou Terezinha. O filme foi mais um a ser incluído no acervo do chamado Ciclo do Recife.
           Em termos nacionais, mencionável foi a quadrinização da vida da florzinha de Lisieux, publicada nos anos 60 pela editora carioca Editora Brasil-América, como volume 14 da coleção Série Sagrada. Os belos desenhos de Mário José de Lima estiveram à altura do inteligente texto de Augusto de Andrade. Foram 34 páginas de uma agradável leitura visual da vida de uma pessoa que esteve sempre no centro das tecnologias visuais, pois foi bastante fotografada.
         Quanto à fertilidade imaginativa (que se concretizou, por exemplo, nas peças de teatro que ela escreveu a partir dos 20 anos de idade, começando com “A Missão de Joana D’Arc”), Terezinha demonstrou desde a infância, quando no colégio do Carmelo inventou uma nova brincadeira: “Gostava, também, de contar histórias que inventava à medida que me vinham ao espírito.” Terezinha era uma menina especial,uma leitora que gostava de ler, e não de ler por obrigação escolar.
            Como quase todas as crianças, teve um animalzinho de estimação, o cachorro Tom.Também gostava de dar presentes de animaizinhos, principalmente pássaros. Era alegre, inteligente, vivaz; brincava de pular de corda. Mas também de fazer orações, de beijar o crucifixo, e sempre, desde pequena tendo a vontade de ser carmelita. Gostava dos campos, das flores (*), e de olhar as estampas piedosas que suas irmãs lhe mostravam. Seu pai, o relojoeiro Luis Martin a chamava de “rainhazinha” e ela o chamava de rei.
          No Natal, o rei é um menino nascido em uma manjedoura, e a rainha é a mãe desse menino. Por sua nobreza a partir da pobreza. Em sua homenagem, é errado levar crianças à escolha de presentes caros nas lojas, tirar fotos de privilégio nos colos dos papais noéis. Toda menina deveria, na Noite de Natal, rezar a oração composta por Terezinha em 1896, endereçada ao Menino Jesus, após ter também composta uma outra oração, dedicada ao “Pai Eterno”:
         “Eu sou o Jesus de Teresa. Oh, pequeno menino, meu único Tesouro! Abandono-me aos teus divinos caprichos. Não quero outra alegria, senão a de te fazer sorrir. Imprime em mim tuas graças e virtudes infantis, a fim de que, no dia de meu nascimento para o Céu, os Anjos e os Santos reconheçam em tua pequena esposa Teresa do Menino Jesus.” A menina que rezar poderá substituir o nome Teresa do Menino Jesus pelo próprio, acrescentando o “de Jesus”.
                                                    
*A 09 de junho de 1897, já bem doente Terezinha, uma de suas irmãs, a chamada religiosamente Irmã Maria do Sagrado Coração, disse-lhe o quanto iriam ficar tristes se ela, Terezinha, morresse. A futura santa replicou: “Oh, não! Vereis: será como uma chuva de rosas”.
Trecho da peça “Os Anjos no Presépio de Jesus”, escrita por Santa           Terezinha na primeira quinzena de outubro de 1894, e representada no Carmelo de Lisieux a 25 de dezembro:
“O Anjo do Menino Jesus
Divino Jesus, como é doce e encantador o som de tua voz infantil. Toda melodia dos céus não pode ser comparada a uma só de tuas palavras! Oh, formoso menino! Escuta minha oração! Tira da terra de exílio um grande número de almas inocentes que se assemelham a ti. Digna-te colher, antes que desabrochem, as flores que murchariam se permanecessem aqui na terra. Assim que o orvalho do Batismo tiver depositado em seus corações um germe de imortalidade, Jesus, que tua mãozinha se apresse a transplantá-las para os jardins dos Céus.”