20 de outubro de 2017

COCO GELÉ


 Agora vou embolar:
Quase dei uma biloura
Dançando com Rita Loura
Num galope à beira-mar!

Já andei de papa-fila,
De carrinho de cocão,
Tomei coca com montilla
Na bodega de Cãindão.

Brincava de patinete
Com roda de rolimã,
Dava arroto de grapette
Com bolo de carimã.

Apanhava jenipapo,
Enfurnava sapoti,
Escutava todo papo
De Liênio na Poti.

Tomei choque na usina,
Comia jambo da rua,
Espiava Janaína
No banho todinha nua.

Vi bomba pé-de-parede
Pipocar na Cruz da Bica,
Vi mijão furando rede,
Foguetão virar tabica.

Vi o boi da prefeitura
Na travessa Capió,
Espetava tanajura,
Arengava com Duó.

Vi Baracho, vi  Pé Seco,
"Penéra-o-pé" na esquina,
Roela descendo o Beco
Com Severo e Nicotina.

Vou terminar com Cambraia,
Com Maria Mula Manca,
Zé Minhoca lá na praia
Tocava e botava banca!


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Graco Legião

16 de outubro de 2017

Quem são e de onde vêm os ciganos?


Revista MUNDO ESTRANHO
HISTÓRIA

Ainda hoje, a origem desse povo continua envolta em mistério. Suas histórias sempre foram transmitidas de geração para geração pela tradição oral, o que cria muitas lendas e não deixa registros precisos. Alguns especialistas acreditam que eles surgiram na Índia, já que o idioma falado pelos ciganos tem muitas semelhanças com várias línguas do subcontinente indiano. Mas também existem indícios que apontam para outra região. "Nas antigas lendas ciganas, constatamos referências bíblicas que podem nos direcionar a uma origem na Caldéia (região que hoje pertence ao Iraque) e não na Índia. Outro ponto significativo é a crença em um único Deus criador, Devel, o que os aproxima da história de povos semitas, ao contrário do que seria esperado de uma origem indiana, com suas várias divindades", afirma a geógrafa Solange Lima Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), autora de uma tese de doutorado sobre os ciganos.
Caso eles possuam mesmo raízes no Oriente Médio, é provável que tenham surgido alguns milênios antes de Cristo. Qualquer que seja o ponto de partida, sabe-se que eles se deslocaram do Oriente para o Ocidente até chegarem à Europa no fim do século XIV. Nessa época, os ciganos foram perseguidos pela Inquisição, o tribunal da Igreja Católica que julgava crimes contra a fé. Como conviviam tanto com mouros quanto com cristãos, os ciganos oscilavam do paganismo ao cristianismo, o que bastava para serem acusados de heresia. O pior é que os preconceitos em relação à religiosidade, à cultura e ao modo de vida nômade desse povo não ficaram restritos à Idade Média. Séculos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães mataram cerca de 400 mil ciganos, vítimas da ideologia nazista que defendia uma raça supostamente pura, a ariana, na Europa.
Hoje, calcula-se que existam de 2 a 5 milhões de ciganos no mundo, concentrados principalmente na Europa Central, em países como as Repúblicas Checa e Eslovaca, Hungria, Iugoslávia, Bulgária e Romênia. Durante as andanças pelo mundo, eles influenciaram a cultura de várias regiões. Um bom exemplo vem da Espanha, onde a rica tradição da música e da dança ciganas deu origem ao flamenco.
Migração intercontinental Os ciganos só chegaram à Europa no século XIV
Não se sabe se os ciganos surgiram na Índia ou no atual Iraque, mas de um desses dois pontos eles rumaram para o Ocidente, chegando à Europa pela região da Armênia, por volta do século XIV. De lá, atravessaram o continente até alcançarem as ilhas britânicas e a península Ibérica. No século XVII, os ciganos já haviam se espalhado por todos os países da Europa e deles seguiram para colônias na América e na África. O documento mais antigo referente à presença dos ciganos no Brasil é de 1574.

DESCENDENTES DE CIGANOS FAMOSOS



Dedé Santana
Yul Brinner
Elvis Presley
JK
Wagner Tiso
Zé Rodrix




13 de outubro de 2017

Ulisses Celestino de Góis


Ulisses Celestino de Góis, Nasceu a 25.04.1896, em Igapó, então distrito de São Gonçalo do Amarante, filho de Francisco Celestino de Góis e d. Maria Herôncio de Góis. Cursou o ginasial no Atheneu Norte-rio-grandense e, aos 20 anos, foi admitido como estagiário da Alfândega de Natal, posteriormente entrando na Dele­gacia Fiscal através de concurso público. Diligente e operoso, sua vida seria doravante marcada por realizações em diversas áreas. Fundou a Escola de Gazeteiros, que viria a chamar-se São Vicente de Paula; a Escola de Comércio de Natal (1919), posteriormen­te designada Escola Técnica de Comércio de Natal, e a Faculdade de Ciências Contábeis e Atuariais de Natal (1957), mais tarde incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Na área econômi­co-financeira, fundou a Caixa Rural Operá­ria de Natal (1926), transformada na Coo­perativa Central de Crédito Norte-rio-grandense (1971); o Sindicato dos Conta­bilistas do Rio Grande do Norte (1946), do qual foi o primeiro presidente, e a Acade­mia Norte-rio-grandense de Ciências Contábeis (1988). No setor de imprensa, criou os Jornais "A Palavra" (1921), "A Ordem" (1935) e "A Verdade" (1989), norteados por princípios cristãos, além de haver contribuído, ao lado de D. José Pe­reira Alves (V. "ALVES, Dom José Perei­ra"), Bispo de Natal à época, para a criação de "O Diário de Natal" (1924), evidente­mente também de concepção católica. Ou­trossim, contando com o apoio de D. Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, ide­alizou e implantou o Centro de Imprensa do Rio Grande do Norte (1935).
 Foi, ainda, Membro fundador da Academia Potiguar de Letras (1956), Membro da Associação Bra­sileira de Imprensa-ABI (1960), Membro do Conselho Estadual de Educação (havendo inclusive assumido à sua presidência, por um período), Membro do Instituto Históri­co e Geográfico do Rio Grande do Norte­IHGRN (desde 1969), Membro do Conse­lho de Curadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Membro do Con­selho Consultivo da Companhia Hidrelétri­ca do São Francisco-CHESF e Membro da Comissão Consultiva Bancária do Conse­lho Monetário Nacional. Idealizou e insti­tuiu, ainda, a Fundação Cultural Padre João Maria.
Como professor, lecionou as cadei­ras de português, matemática, contabilida­de geral e pública. Sob a orientação da Con­gregação Mariana da Catedral de Natal, a qual integrou desde jovem, realizou signi­ficativa obra social na localidade de "Passo da Pátria", na Cidade Alta, executando tra­balho semelhante na Rua do Motor, no Bair­ro das Rocas, este .último contando com a colaboração da Congregação Filhas de Santana, da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes. Sua formação eminentemente re­ligiosa levou-o a empreender, em 1940, um movimento visando à organização de um Centro Protetor da Pedra do Rosário34, ini­ciativa que teve o apoio e o estímulo do his­toriador Câmara Cascudo.
Entre os títulos honoríficos recebidos, destacam-se: Comendador da Santa Sé, na Ordem de São Silvestre, nomeado no Pontificado do Papa Pio XII; Doutor Honoris Causa, pela Uni­versidade Federal do Rio Grande do Norte; Medalha Francisco D' Áurea, outorgado pela Fundação Álvares Penteado, em São Paulo, por ocasião do centenário de implan­tação do ensino comercial no Brasil; Cida­dão Natalense, concedido pela Câmara Municipal do Natal; Medalha de Ouro do Mérito Contábil "João Lyra" e, em home­nagem póstuma, por iniciativa da Assem­bléia Legislativa do Estado e através da Lei n° 6.086, de 27.05.1991, sancionada peloExm° Sr. Governador do Estado do Rio Grande do Norte, então Dr. José Agripino Maia, teve seu nome dado à ponte que liga Natal a Igapó. O Professor Ulisses de Góis, que era casado com d. Alice Carrilho de Góis, faleceu aos 94 anos de idade, em Na­tal, a 21 de dezembro de 1990..34 Localidade às margens do Rio Potengi, onde, segundo a tradição, em 1753 alguns pescadores en­contraram uma imagem de Nossa Senhora, que rece­beria o nome de Apresentação e se tornaria a Padroei­ra da Cidade do Natal.

FONTES: PERSONALIDADES HISTÓRICAS DO RIO GRANDE NORTE
SÉCULO XVI A XIV

CENTRO DE ESTUDOS DE PESQUISA JUVENAL LAMARTINE



11 de outubro de 2017

PATHÉ CINEMA

Anchieta Fernandes

O ano de 1913 foi muito feliz (não deu azar a terminação em 13) para a Sétima Arte em Natal, pois foi o ano em que se inauguraram dois cinemas em nossa cidade: o Pathé Cinema, de propriedade de Antônio Serrano (o nome todo de Antônio Serrano era Antônio Serrano Filho), situado à Avenida Tavares de Lira e inaugurado numa quarta-feira, dia 19 de fevereiro de 1913; e o sempre lembrado Royal Cinema, de propriedade da firma Paiva & Irmão, situado na Cidade Alta (aliás, foi o primeiro cinema a se inaugurar no bairro) e inaugurado numa segunda-feira, dia 13 de outubro de 1913.
O que é que significava o nome Pathé de tão importante para denominar o novo cinema de Natal, depois do Cinema Natal e do Politeama? Era uma homenagem a um dos pioneiros da Sétima Arte, o francês Charles Pathé. Nascido em Chevry-Cossigny, a 25 de dezembro de 1863 (há 150 anos), ele comprou um fonógrafo de Thomas Edison e o expôs em uma festa em 1894. Depois, passou a vender mais fonógrafos, e logo descobriu também outra novidade tecnológica da Belle-Époque projetores de filmes, que eram então produzidos isoladamente, enão industrialmente.
Ele pensou pioneiramente e foi a mola propulsora do início do cinema no contexto da revolução industrial comunicacional, aindaantes de Hollywood se afirmar, convocando seus irmãos Emile, Jacques e Théophile criou em Vincennes, em 1896, a empresa Pathé Frères, inicialmente apenas dedicadaa à venda de projetores de filmes. Mas Charles Pathé era um homem dinâmico não somente do ponto de vista industrial, mas também intelectual. Expressou certa vez um pensamento: “o cinema será o teatro, o jornal e a escola de amanhã”. Quem falava assim, não era apenas um comerciante.
Logo, os Pathé Freres começaram a produzir seus próprios filmes (dois dos primeiros foram “A Quadrilha” e “Moulin Rouge”,este realizado em 1897”. Foi criado o símbolo da companhia, por sinal coincidentemente tendo a ver algo com Natal, pois o símbolo era um galo que surgia na tela, batia as asas e abria o bico (como se estivesse cantando, embora não se ouvisse nada, pois ainda era a época do cinema mudo) e o galo é um dos símbolosde Natal, fixado na nossa memória pela imponência singela do galo metálico na torre da Igreja de Santo Antônio, e pelos galos de louça da artesã Loma Nenem.
Em 1901, Charles deixou sue irmão Emile como administrador de venda de projetores, e partiu para concretizar seus sonhos mais altos. Construiu seu estúdio de produção de filmes, laboratórios e contratou outro inventivo sonhador: o ator Ferdinand Zecca, vindo do chamado café-concerto parisiense. Enquanto Zecca se afirmava como autor dos argumentos, ator e diretor dos filmes produzidos pela empresa, Charles pesquisava a melhoria dos aparelhos projetores, criando o filme de 9,5 milímetros com perfurações centrais, facilitando o uso da câmera por cineastas amadores.
Zecca realizou em 1902 o filme “História de um crime” que é considerado o primeiro filme policial da história do cinema. Depois da primeira guerra mundial, os Pathé Freres criaram o Pathé Color, produzindo e distribuindo filmes para todo o mundo, e construindo e monopolizando salas exibidoras em vários países. A essas alturas, o Pathé Journal já fora lançado, iniciando a modalidade que seria normal no cinema e depois na televisão, do noticiário cinematográfico contínuo, registrando filmicamente o que se passava dia a dia nas ruas e ambientes interiores do mundo.
Numa das apresentações do Pathé Journal bastante emocional para os espectadores foi noticiada “A travessia do Canal da Mancha por Bleriot”, visto nos anúncios do Cinema Natal, em 1909, como o feito mais importante da aviação. É que o engenheiro e aviador francês Louis Bleriot batera o recorde, a 25 de jullho de 1909, sobrevoando o Canal da Mancha em trinta e dois minutos, em um aparelho de sua invenção. Pelo imediatismo do seu feito foi premiado, recebendo mil libras, oferecidas pelo jornal inglês Daily Mail, que circulava em Londres.
Em 1908, a quantidade de filmes começados com o galo batendo asas e cantando silenciosamente e vendidos nos Estados Unidos era maior que a dos filmes produzidos pela terra do òscar. Um homem de cinema alemão chegou a dizer de Charles Pathé: “ganhou no nosso país muito mais do que os cinco milhões pagos pela França após 1871” (ele estava falando de indenização paga pela França à Prússia – como se chamava a Alemanha - após perder na guerra entre ambos os países nos anos de 1870/1871; a proposta de paz da Prússia provocou a insurreição popular de sentido marxista, conhecida como Comuna de Paris).
Afinal, não se deve esquecer que os Pathé Freres produziram desde que Ferdinand Zecca entrou para a equipe, uma série de filmes que fizeram sucesso, como as comédias “A Sopeira”, “A Megera Recalcitrante”, “As Lentes da Vovó”, “Como Fabiano vem a ser Arquiteto”, “A Batalha dos Travesseiros”, ou, no outro lado do interesse da emoção humana, os dramas sociais, como “Um Drama na Mina”, “A Vida Perigosa”, “A Honra de um Pai”, “A Escola da Infelicidade”, “Vítima do Alcoolismo”; Zecca também realizou um filme endereçado as pessoas de fé cristã, uma “Vida de Jesus”, e alguns filmes infantis.
Além dos seus filmes vistos na América do Sul, e dos vários cinemas com o nome Pathé em cidades de vários países da América do Sul, este nome, Pathé, influenciou, parece, um fato cinematográfico pioneiro aqui no Rio Grandedo Norte; foi a primeira filmagem de terras norte-rio-grandenses. A 21 de dezembro de 1922, uma quarta-feira, descendo do hidroavião Sampaio Correia II (primeiro avião a cruzar os céus do Brasil vindo dos Estados Unidos, e também o primeiro a sobrevoar e pousar no Rio Potengi), o cinegrafista John Thomas Baltzel, da Companhia Pathé News, fez estas filmagens.
A diferença entre os irmãos Pathé e antecessores como Lumiére e Meliès e’que, enquanto estes últimos mandavam seus câmeras-mens irem filmar pelo mundo, para voltarem a Paris e apresentarem na capital francesa o material filmado, os Pathé começaram a instalar sucursais próprias nos diversos países, tanto da Europa (Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Rússia), como da América (Estados Unidos) e, inclusive, da Ásia (Índia e Singapura). Assim, filmes feitos nestes países eram primeiro vistos localmente, e depois mostrados aos parisienses. Com isso, se criavam novos tipos de espectadores.
E se enriqueceram as situações temáticas, já que países diferentes tem costumes e tradições diferentes, e os cinegrafistas procuravam focalizar as peculiaridades antropológicas testemunhadas. Foram se definindo o filme histórico, o filme de mágicas e circenses, filmes políticos, filmes esportivos, filmes religiosos. Além das variações dos dramas cotidianos (às vezes mesclados de humor). Como pioneiros, os estúdios Pathé criaram até histórias que depois cineastas famosos reutilizaram. Como o filme “Le Voleurs de Bicyclette”, de 1905, e que Vitorio De Sica refilmaria em 1948, apenas pluralizando o título.
Mas nas décadas vinte e trinta, o sonhador e inventor começou a ser cercado pelas empresas endinheiradas, cujos diretores já haviam notado o quanto o cinema e outras invenções vindas do século dezenove seriam fonte de lucro. Em 1928, os Pathé Freres, que haviam feito aperfeiçoamentos revolucionários na tecnologia de gravação do som, substituindo o cilindro de gravação pelo disco de gravação vertical e depois lateral, não resistiram à oferta e venderam sua indústria de fonógrafosà English Columbia Company. Enquanto isso, a poderosa RKO Radio Pictures Filme começou a voltar as vistas para a empresa Pathé Freres.
Não deu outra: em 1931, a RKO comprou o que restava dos setores de produção e distribuição de filmes do império dos Pathé Freres, que já se estendia até a Austrália e Japão.... e Brasil, é claro. Charles recolheu-se à Mônaco, vindo a falecer em Monte Carlo a 26 de dezembro de 1957. Pelo que fez pela arte cinematográfica, tanto em termos de invenções para melhorias técnicas, quanto em termos de criação de um mercado consumidor para os filmes produzidos merece ser sempre homenageado ainda hoje; donos de cinema em todo o mundo não fazem mais do que justiça pondo o nomePathé nas fachadas dos prédios.
Bibliografia:
“DBU – Dicionário Biográfico Universal Três” – Tonso, Lívia De Caroli e Minillo, Marcia Maria, 2ª edição, Três Livros e Fascículos Ltda., 1984.
“Dicionário dos Cineastas”; Sadoul, Georges, Livros Horizonte, 1979.
“Le Cinéma”; Charensol, Georges, Libraírie Larousse, 1966.
“1000 Que Fizeram 100 Anos de cinema”; Pereira, Arley e Castellon, Lena, ISTO É, The Times, Editora Três Ltda., sem data.

“Romance do Gato Preto”; Ortiz, Carlos, Livraria Editora da Casa do Estudante do Brasil, sem data.

9 de outubro de 2017

PERCEPÇÕES


VOCÊ FIGURA EM UM CORPO
NA MINHA IMAGINAÇÃO
REGES A ORQUESTRA
DO MEU AR DE CIRCULAÇÃO
SITUANDO A BELEZA DO TEU OLHAR
VEJO AO TOQUE DE UMA CANÇÃO
NO DESPERTAR DOS ACORDES
DA MINHA IMAGINAÇÃO

CARLOS FREDERICO DE OLIVEIRA LUCAS DA CÂMARA


 PUBLICADO NO LIVRO "PERCEPÇÕES, IMAGENS E AÇÕES", 1987, edição do autor